Ter a bola não significa dominar: os números por trás das quartas de final da Copa do Brasil

Foto de Gabriel Gonçalves
Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Carla Leal, Revisora
Ago 28, 2026 - Última atualização ago 28, 2026

As quartas de final da Copa do Brasil começaram com uma contradição interessante.

Em 3 dos 4 confrontos, a equipe que teve mais posse de bola não saiu em vantagem.

Assim, os números mostram que as equipes chegam aos jogos de volta com problemas muito diferentes para resolver.

Cruzeiro 1×1 Atlético

O empate por 1 a 1 entre Cruzeiro e Atlético-MG apresentou dois estilos bastante diferentes.

O Cruzeiro teve 65% de posse e trocou 585 passes, acertando 521. O Atlético ficou com 35% e realizou 314 passes, com 245 certos.

A equipe celeste também teve vantagem territorial: foram 76 entradas no terço final, contra 47 do Galo.

O problema apareceu na hora de transformar esse domínio em perigo.

O Cruzeiro finalizou 12 vezes, mas somente uma foi no alvo. Dez dos 12 chutes vieram de fora da área e apenas dois de dentro.

O Atlético finalizou dez vezes e acertou três no gol. Mais importante: oito dos dez chutes atleticanos foram realizados de dentro da área.

A diferença mostra que o Galo conseguiu atacar com menos frequência, mas em regiões mais perigosas.

Outro indicador reforça essa leitura: o Atlético acertou 7 dos 16 cruzamentos, aproveitamento de 44%, enquanto o Cruzeiro acertou somente 2 de 24, ou 8%.

Até nos duelos aéreos houve uma vantagem significativa para o Atlético: 82% dos duelos aéreos vencidos, contra 18% do Cruzeiro.

O que o Cruzeiro precisa fazer no segundo jogo?

foto de arroyo do cruzeiro

Instagram Cruzeiro

Levar a posse para dentro da área

O principal problema não foi falta de posse de bola, já que o Sofascore indica 65% para os cruzeirenses.

Porém, o Cruzeiro falhou na hora de terminar suas jogadas, sendo que 10 dos 12 chutes vieram de fora da área.

Assim, o Cruzeiro precisa transformar a superioridade em passes, movimentações e infiltrações próximas ao gol.

Se conseguir manter o volume de 76 entradas no terço final, mas aumentar a proporção de jogadas que terminam dentro da área, a produção ofensiva tende a ser muito mais perigosa.

Melhorar a qualidade dos cruzamentos

O aproveitamento de 2/24 nos cruzamentos é outro ponto de atenção.

O Cruzeiro cruzou 24 vezes e acertou apenas duas. O Atlético, por outro lado, teve 16 tentativas e acertou sete.

Não se trata necessariamente de cruzar mais, mas de cruzar melhor e em situações mais favoráveis.

O que o Atlético-MG precisa fazer no segundo jogo?

foto de lodi pelo galo

Instagram Atlético

Aproveitar melhor as chegadas dentro da área

O Galo fez algo muito importante na ida: oito dos dez chutes foram de dentro da área.

Esse é um caminho que vale repetir.

Com menos posse e menos entradas no terço final, o Atlético conseguiu encontrar espaços em regiões mais perigosas.

O desafio agora é transformar esse tipo de chegada em mais gols.

Manter a eficiência sem precisar controlar a posse

Os 35% de posse não impediram o Atlético de competir.

A equipe não precisa necessariamente tentar equilibrar a posse no segundo jogo.

Pode continuar apostando em transições, ataques mais diretos e ocupação dos espaços deixados pelo Cruzeiro.

Aproveitar a bola aérea

O Galo venceu 82% dos duelos aéreos, contra apenas 18% do Cruzeiro.

Esse é um dado que pode ser explorado especialmente em um confronto equilibrado.

A superioridade física no jogo aéreo pode oferecer uma alternativa quando o Cruzeiro fechar os espaços pelo chão.

Vasco 1×0 Vitória

O Vasco foi o exemplo mais claro de que uma equipe pode passar boa parte da partida sem a bola e, ainda assim, ser mais perigosa.

Na vitória por 1 a 0 sobre o Vitória, o time carioca teve apenas 36% de posse. O Vitória ficou com 64%.

A diferença no volume de passes foi ainda maior: 311 para o Vasco contra 562 para o Vitória. O time baiano também teve mais que o dobro de entradas no terço final: 92 contra 43.

Em volume bruto, portanto, o Vitória teve mais controle territorial.

Mas o Vasco criou as melhores oportunidades.

Foram três grandes chances para o time carioca, contra apenas uma do Vitória. O Vasco ainda acertou uma finalização na trave.

Nas finalizações, a diferença foi pequena: 15 para o Vasco e 17 para o Vitória. O time baiano teve seis chutes no alvo, contra cinco do Vasco.

A diferença está justamente na qualidade das oportunidades criadas.

O Vitória teve mais bola, mais passes e mais presença no campo ofensivo, mas não conseguiu transformar esse volume em chances claras na mesma proporção.

O Vasco, por outro lado, conseguiu ser perigoso com muito menos posse e ainda precisou lidar com um jogador a menos após a expulsão.

O que o Vasco precisa fazer no segundo jogo?

foto de jogador do vasco

Instagram Vasco

Não abandonar a estratégia que funcionou

Com a vantagem de 1 a 0, o Vasco não precisa transformar a segunda partida em um duelo de posse.

A ida mostrou que a equipe consegue ser perigosa com pouco tempo de bola.

O objetivo deve ser continuar compacta e explorar os espaços que aparecerão quando o Vitória precisar atacar.

Ser mais eficiente nas transições

Se o Vitória voltar a ter 64% da posse, o Vasco provavelmente terá oportunidades para contra-atacar.

Na ida, o time já conseguiu criar três grandes chances com 36% da bola.

Com mais espaços disponíveis na volta, a capacidade de acelerar essas transições pode ser decisiva.

Evitar que a pressão vire volume excessivo

O Vitória teve 92 entradas no terço final.

O Vasco conseguiu resistir, mas repetir esse nível de pressão defensiva fora de casa pode ser arriscado.

A equipe precisa evitar ficar permanentemente encurralada.

O que o Vitória precisa fazer no segundo jogo?

foto de time do vito´ria

Instagram Vitória

Transformar as 92 entradas no terço final em grandes chances

Esse é provavelmente o número mais importante para o Vitória.

Foram 92 entradas no terço final e apenas uma grande chance.

Isso mostra que o problema não está necessariamente em chegar ao campo ofensivo, mas em concluir melhor as jogadas.

Aumentar a presença dentro da área

O Vitória finalizou nove vezes de dentro da área e oito de fora.

Para buscar o resultado, precisa aumentar a frequência com que suas posses terminam em finalizações próximas ao gol.

Aproveitar a superioridade numérica quando ela existir

O Vasco terminou a ida com um jogador a menos e ainda assim venceu.

Na volta, o Vitória precisa transformar eventuais momentos de superioridade territorial em chances claras.

Ter a bola durante longos períodos sem aumentar a qualidade das oportunidades foi justamente o que impediu a equipe de sair com um resultado melhor.

Palmeiras 3×0 Santos

O Palmeiras produziu a maior demonstração de eficiência das quartas.

O Santos teve 55% da posse, contra 45% do Palmeiras. Também entrou mais vezes no terço final: 64 contra 42.

Mas o Palmeiras terminou com 20 finalizações contra sete.

Foram oito chutes no alvo contra apenas um do Santos, 13 finalizações de dentro da área contra quatro e sete grandes chances contra duas.

O Palmeiras ainda teve mais escanteios, 8 a 5, e foi muito mais eficiente nos cruzamentos: 8 acertos em 25 tentativas, contra apenas 1 em 19 do Santos.

A diferença foi tão grande que o 3 a 0 acabou sendo uma consequência natural da quantidade e da qualidade das oportunidades criadas.

O que o Palmeiras precisa fazer no segundo jogo?

foto do time do palmeiras

Instagram Palmeiras

Não trocar eficiência por acomodação

Com três gols de vantagem, o Palmeiras não precisa repetir as 20 finalizações.

Mas precisa manter a capacidade de atacar os espaços.

O Santos será obrigado a buscar o resultado e, portanto, deve oferecer mais campo.

Continuar chegando dentro da área

Os 13 chutes de dentro da área foram fundamentais para o resultado.

A equipe não precisa aumentar o volume total, mas deve tentar preservar a qualidade das situações criadas.

Usar a vantagem para explorar transições

Quanto mais o Santos precisar atacar, maior tende a ser o espaço para contra-ataques.

O Palmeiras pode não ter a posse, mas não precisa dela para ser perigoso, e a ida já demonstrou isso.

O que o Santos precisa fazer no segundo jogo?

foto do time do santos

Instagram Santos

Transformar posse em finalizações perigosas

O Santos teve 55% da posse, mas somente sete finalizações.

Esse é provavelmente o maior problema ofensivo da equipe.

Ter mais a bola novamente não será suficiente. O Santos precisa fazer com que a posse termine em finalizações.

Aumentar drasticamente os chutes dentro da área

Foram apenas quatro chutes de dentro da área.

O Palmeiras teve 13.

Para tentar reverter uma desvantagem de 3 a 0, o Santos precisa aumentar muito sua presença em zonas próximas ao gol.

Melhorar a qualidade dos cruzamentos

O Santos acertou somente 1 dos 19 cruzamentos.

O número é especialmente baixo quando comparado aos oito cruzamentos certos do Palmeiras.

Se a equipe pretende usar amplitude e bolas na área para pressionar o adversário, precisa melhorar muito a qualidade dessa arma.

Internacional 0x0 Grêmio

Internacional e Grêmio protagonizaram o único empate sem gols das quartas.

O Inter teve 52% de posse, 405 passes e 81 entradas no terço final.

O Grêmio teve 48% da posse, 390 passes e 53 entradas.

O domínio colorado também apareceu nas finalizações: 15 contra 11.

Dentro da área, foram nove chutes do Inter contra cinco do Grêmio.

O Inter ainda teve sete escanteios, contra dois do Grêmio.

Mesmo com esse volume, marcou zero.

Foram três finalizações no alvo e uma grande chance perdida.

O Grêmio teve somente duas finalizações no alvo e nenhuma grande chance.

A diferença é que o Inter já conseguiu construir um cenário ofensivo relativamente consistente. O problema foi a conclusão.

O que o Internacional precisa fazer no segundo jogo?

foto de jogador do inter

Instagram Internacional

Transformar volume em gol

O Inter não precisa necessariamente reinventar seu modelo.

Os 15 chutes, nove dentro da área e 81 entradas no terço final mostram que a equipe conseguiu chegar.

O principal ajuste está na finalização.

Aproveitar melhor as grandes chances

A equipe teve uma grande chance e não conseguiu convertê-la.

Em um confronto equilibrado e sem vantagem de gols, uma oportunidade perdida pode ter peso enorme.

Continuar atacando a área

Os nove chutes de dentro da área são um indicador positivo.

O desafio é preservar esse número e aumentar a quantidade de finalizações que efetivamente acertam o gol.

O que o Grêmio precisa fazer no segundo jogo?

foto de jogador do gremio

Instagram Grêmio

Aumentar a produção ofensiva

O Grêmio teve 11 finalizações, cinco dentro da área e apenas duas no alvo.

Mais preocupante: não criou nenhuma grande chance.

A equipe conseguiu limitar o Inter, mas precisa encontrar uma forma de ameaçar mais.

Transformar a solidez defensiva em transições

O Grêmio registrou 32 cortes, contra 20 do Inter, e teve 50 recuperações de bola.

A capacidade de recuperar e sair rapidamente pode ser uma das principais armas para o segundo jogo.

Chegar mais vezes ao terço final

Foram 53 entradas do Grêmio contra 81 do Inter.

A diferença não precisa necessariamente ser eliminada, mas o Grêmio precisa aumentar sua presença ofensiva para não depender apenas de defender.

Brasileirão já começou a jogar mais: por que o tempo de bola virou uma preocupação?

Reportagem em destaque
Últimas noticias
  • 10:59 Escalação: Piquerez tem fratura descartada, mas deve desfalcar Palmeiras; Sosa treina
  • 10:58 Maia deixa Atlético Santa Rita após cirurgia no olho e será substituído por Índio Ferreira
  • 10:54 Roraimenses são campeões no Sulamericano de Jiu-Jitsu sem kimono
  • 10:53 Equipes do Maranhão conquistam três títulos na Libertadores de Futebol 7
  • 10:50 Secador ligado: o que o Ceará precisa para terminar a rodada fora do Z4 da Série B
  • 10:50 Equipe joseense é campeã da 1ª e 2ª divisão do Paulista de Bocha Paralímpica
  • 10:47 Tom Aspinall abandona o título de peso-pesado do UFC: "Um verdadeiro pesadelo"
  • 10:45 Flamengo vence os reservas do Corinthians e mantém a liderança do Brasileirão