Gustavo Martins/ Cruzeiro
As quartas de final da Copa do Brasil começaram com uma contradição interessante.
Em 3 dos 4 confrontos, a equipe que teve mais posse de bola não saiu em vantagem.
Assim, os números mostram que as equipes chegam aos jogos de volta com problemas muito diferentes para resolver.
Cruzeiro 1×1 Atlético
O empate por 1 a 1 entre Cruzeiro e Atlético-MG apresentou dois estilos bastante diferentes.
O Cruzeiro teve 65% de posse e trocou 585 passes, acertando 521. O Atlético ficou com 35% e realizou 314 passes, com 245 certos.
A equipe celeste também teve vantagem territorial: foram 76 entradas no terço final, contra 47 do Galo.
O problema apareceu na hora de transformar esse domínio em perigo.
O Cruzeiro finalizou 12 vezes, mas somente uma foi no alvo. Dez dos 12 chutes vieram de fora da área e apenas dois de dentro.
O Atlético finalizou dez vezes e acertou três no gol. Mais importante: oito dos dez chutes atleticanos foram realizados de dentro da área.
A diferença mostra que o Galo conseguiu atacar com menos frequência, mas em regiões mais perigosas.
Outro indicador reforça essa leitura: o Atlético acertou 7 dos 16 cruzamentos, aproveitamento de 44%, enquanto o Cruzeiro acertou somente 2 de 24, ou 8%.
Até nos duelos aéreos houve uma vantagem significativa para o Atlético: 82% dos duelos aéreos vencidos, contra 18% do Cruzeiro.
O que o Cruzeiro precisa fazer no segundo jogo?
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Levar a posse para dentro da área
O principal problema não foi falta de posse de bola, já que o Sofascore indica 65% para os cruzeirenses.
Porém, o Cruzeiro falhou na hora de terminar suas jogadas, sendo que 10 dos 12 chutes vieram de fora da área.
Assim, o Cruzeiro precisa transformar a superioridade em passes, movimentações e infiltrações próximas ao gol.
Se conseguir manter o volume de 76 entradas no terço final, mas aumentar a proporção de jogadas que terminam dentro da área, a produção ofensiva tende a ser muito mais perigosa.
Melhorar a qualidade dos cruzamentos
O aproveitamento de 2/24 nos cruzamentos é outro ponto de atenção.
O Cruzeiro cruzou 24 vezes e acertou apenas duas. O Atlético, por outro lado, teve 16 tentativas e acertou sete.
Não se trata necessariamente de cruzar mais, mas de cruzar melhor e em situações mais favoráveis.
O que o Atlético-MG precisa fazer no segundo jogo?
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Aproveitar melhor as chegadas dentro da área
O Galo fez algo muito importante na ida: oito dos dez chutes foram de dentro da área.
Esse é um caminho que vale repetir.
Com menos posse e menos entradas no terço final, o Atlético conseguiu encontrar espaços em regiões mais perigosas.
O desafio agora é transformar esse tipo de chegada em mais gols.
Manter a eficiência sem precisar controlar a posse
Os 35% de posse não impediram o Atlético de competir.
A equipe não precisa necessariamente tentar equilibrar a posse no segundo jogo.
Pode continuar apostando em transições, ataques mais diretos e ocupação dos espaços deixados pelo Cruzeiro.
Aproveitar a bola aérea
O Galo venceu 82% dos duelos aéreos, contra apenas 18% do Cruzeiro.
Esse é um dado que pode ser explorado especialmente em um confronto equilibrado.
A superioridade física no jogo aéreo pode oferecer uma alternativa quando o Cruzeiro fechar os espaços pelo chão.
Vasco 1×0 Vitória
O Vasco foi o exemplo mais claro de que uma equipe pode passar boa parte da partida sem a bola e, ainda assim, ser mais perigosa.
Na vitória por 1 a 0 sobre o Vitória, o time carioca teve apenas 36% de posse. O Vitória ficou com 64%.
A diferença no volume de passes foi ainda maior: 311 para o Vasco contra 562 para o Vitória. O time baiano também teve mais que o dobro de entradas no terço final: 92 contra 43.
Em volume bruto, portanto, o Vitória teve mais controle territorial.
Mas o Vasco criou as melhores oportunidades.
Foram três grandes chances para o time carioca, contra apenas uma do Vitória. O Vasco ainda acertou uma finalização na trave.
Nas finalizações, a diferença foi pequena: 15 para o Vasco e 17 para o Vitória. O time baiano teve seis chutes no alvo, contra cinco do Vasco.
A diferença está justamente na qualidade das oportunidades criadas.
O Vitória teve mais bola, mais passes e mais presença no campo ofensivo, mas não conseguiu transformar esse volume em chances claras na mesma proporção.
O Vasco, por outro lado, conseguiu ser perigoso com muito menos posse e ainda precisou lidar com um jogador a menos após a expulsão.
O que o Vasco precisa fazer no segundo jogo?
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Não abandonar a estratégia que funcionou
Com a vantagem de 1 a 0, o Vasco não precisa transformar a segunda partida em um duelo de posse.
A ida mostrou que a equipe consegue ser perigosa com pouco tempo de bola.
O objetivo deve ser continuar compacta e explorar os espaços que aparecerão quando o Vitória precisar atacar.
Ser mais eficiente nas transições
Se o Vitória voltar a ter 64% da posse, o Vasco provavelmente terá oportunidades para contra-atacar.
Na ida, o time já conseguiu criar três grandes chances com 36% da bola.
Com mais espaços disponíveis na volta, a capacidade de acelerar essas transições pode ser decisiva.
Evitar que a pressão vire volume excessivo
O Vitória teve 92 entradas no terço final.
O Vasco conseguiu resistir, mas repetir esse nível de pressão defensiva fora de casa pode ser arriscado.
A equipe precisa evitar ficar permanentemente encurralada.
O que o Vitória precisa fazer no segundo jogo?
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Transformar as 92 entradas no terço final em grandes chances
Esse é provavelmente o número mais importante para o Vitória.
Foram 92 entradas no terço final e apenas uma grande chance.
Isso mostra que o problema não está necessariamente em chegar ao campo ofensivo, mas em concluir melhor as jogadas.
Aumentar a presença dentro da área
O Vitória finalizou nove vezes de dentro da área e oito de fora.
Para buscar o resultado, precisa aumentar a frequência com que suas posses terminam em finalizações próximas ao gol.
Aproveitar a superioridade numérica quando ela existir
O Vasco terminou a ida com um jogador a menos e ainda assim venceu.
Na volta, o Vitória precisa transformar eventuais momentos de superioridade territorial em chances claras.
Ter a bola durante longos períodos sem aumentar a qualidade das oportunidades foi justamente o que impediu a equipe de sair com um resultado melhor.
Palmeiras 3×0 Santos
O Palmeiras produziu a maior demonstração de eficiência das quartas.
O Santos teve 55% da posse, contra 45% do Palmeiras. Também entrou mais vezes no terço final: 64 contra 42.
Mas o Palmeiras terminou com 20 finalizações contra sete.
Foram oito chutes no alvo contra apenas um do Santos, 13 finalizações de dentro da área contra quatro e sete grandes chances contra duas.
O Palmeiras ainda teve mais escanteios, 8 a 5, e foi muito mais eficiente nos cruzamentos: 8 acertos em 25 tentativas, contra apenas 1 em 19 do Santos.
A diferença foi tão grande que o 3 a 0 acabou sendo uma consequência natural da quantidade e da qualidade das oportunidades criadas.
O que o Palmeiras precisa fazer no segundo jogo?
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Não trocar eficiência por acomodação
Com três gols de vantagem, o Palmeiras não precisa repetir as 20 finalizações.
Mas precisa manter a capacidade de atacar os espaços.
O Santos será obrigado a buscar o resultado e, portanto, deve oferecer mais campo.
Continuar chegando dentro da área
Os 13 chutes de dentro da área foram fundamentais para o resultado.
A equipe não precisa aumentar o volume total, mas deve tentar preservar a qualidade das situações criadas.
Usar a vantagem para explorar transições
Quanto mais o Santos precisar atacar, maior tende a ser o espaço para contra-ataques.
O Palmeiras pode não ter a posse, mas não precisa dela para ser perigoso, e a ida já demonstrou isso.
O que o Santos precisa fazer no segundo jogo?
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Transformar posse em finalizações perigosas
O Santos teve 55% da posse, mas somente sete finalizações.
Esse é provavelmente o maior problema ofensivo da equipe.
Ter mais a bola novamente não será suficiente. O Santos precisa fazer com que a posse termine em finalizações.
Aumentar drasticamente os chutes dentro da área
Foram apenas quatro chutes de dentro da área.
O Palmeiras teve 13.
Para tentar reverter uma desvantagem de 3 a 0, o Santos precisa aumentar muito sua presença em zonas próximas ao gol.
Melhorar a qualidade dos cruzamentos
O Santos acertou somente 1 dos 19 cruzamentos.
O número é especialmente baixo quando comparado aos oito cruzamentos certos do Palmeiras.
Se a equipe pretende usar amplitude e bolas na área para pressionar o adversário, precisa melhorar muito a qualidade dessa arma.
Internacional 0x0 Grêmio
Internacional e Grêmio protagonizaram o único empate sem gols das quartas.
O Inter teve 52% de posse, 405 passes e 81 entradas no terço final.
O Grêmio teve 48% da posse, 390 passes e 53 entradas.
O domínio colorado também apareceu nas finalizações: 15 contra 11.
Dentro da área, foram nove chutes do Inter contra cinco do Grêmio.
O Inter ainda teve sete escanteios, contra dois do Grêmio.
Mesmo com esse volume, marcou zero.
Foram três finalizações no alvo e uma grande chance perdida.
O Grêmio teve somente duas finalizações no alvo e nenhuma grande chance.
A diferença é que o Inter já conseguiu construir um cenário ofensivo relativamente consistente. O problema foi a conclusão.
O que o Internacional precisa fazer no segundo jogo?
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Transformar volume em gol
O Inter não precisa necessariamente reinventar seu modelo.
Os 15 chutes, nove dentro da área e 81 entradas no terço final mostram que a equipe conseguiu chegar.
O principal ajuste está na finalização.
Aproveitar melhor as grandes chances
A equipe teve uma grande chance e não conseguiu convertê-la.
Em um confronto equilibrado e sem vantagem de gols, uma oportunidade perdida pode ter peso enorme.
Continuar atacando a área
Os nove chutes de dentro da área são um indicador positivo.
O desafio é preservar esse número e aumentar a quantidade de finalizações que efetivamente acertam o gol.
O que o Grêmio precisa fazer no segundo jogo?
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Aumentar a produção ofensiva
O Grêmio teve 11 finalizações, cinco dentro da área e apenas duas no alvo.
Mais preocupante: não criou nenhuma grande chance.
A equipe conseguiu limitar o Inter, mas precisa encontrar uma forma de ameaçar mais.
Transformar a solidez defensiva em transições
O Grêmio registrou 32 cortes, contra 20 do Inter, e teve 50 recuperações de bola.
A capacidade de recuperar e sair rapidamente pode ser uma das principais armas para o segundo jogo.
Chegar mais vezes ao terço final
Foram 53 entradas do Grêmio contra 81 do Inter.
A diferença não precisa necessariamente ser eliminada, mas o Grêmio precisa aumentar sua presença ofensiva para não depender apenas de defender.
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