O banco também ganha jogo: reservas já somam mais de 100 gols no Brasileirão

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Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Set 01, 2026 - Última atualização set 01, 2026

Entrar no segundo tempo e mudar uma partida é uma das funções mais importantes de um jogador que começa no banco. No Brasileirão, os números mostram que esse impacto está longe de ser secundário.

Um levantamento feito pelo Estádio Total a partir das fichas das partidas até a 25ª rodada mostra o seguinte:

  • 156 entradas vindo do banco
  • 161 participações em gols
  • 100 ações de gols e 61 assistências

Ou seja: em diversas partidas, a diferença não veio de quem começou jogando, mas de quem entrou durante os 90 minutos.

Flamengo e Botafogo lideram o impacto

Entre os clubes analisados, o Flamengo está no topo quando se trata do impacto gerado pelas entradas no banco.

Veja a tabela completa:

#ClubeEntradas com participaçãoGolsAssistênciasTotal de Ações
1Flamengo146915
2Botafogo127613
3Vasco137613
4Fluminense1210212
4Chapecoense119312
6Cruzeiro117411
7Vitória97310
8Bragantino8358
8Palmeiras8628
10Bahia7527
10Athletico7347
10Coritiba7617
13Grêmio5336
13Atlético Mineiro6516
13Remo6336
16Santos5415
16Mirassol5325
18Corinthians4224
18Internacional4314
20São Paulo2112

O caso do Botafogo ajuda a explicar o impacto. Na primeira rodada, Artur e Matheus Martins entraram aos 63 minutos e marcaram na goleada por 4 a 0 sobre o Cruzeiro. Nathan Fernandes, que entrou aos 81, ainda deu assistência.

Em outro momento, contra o Vasco, Lucas Villalba saiu do banco para marcar e Álvaro Montoro entrou para dar assistência. Mais tarde, na vitória sobre o Mirassol, Gabriel Pires também participou de um gol após entrar durante a partida.

Alguns jogadores transformaram o banco em arma

O levantamento também mostra jogadores que aparecem repetidamente entre os responsáveis por mudar partidas depois de saírem do banco.

foto de Erick do Vitória

Instagram Erick

O caso mais impressionante é o de Erick, do Vitória. O atacante participou diretamente de quatro gols como reserva no recorte analisado.

Na primeira rodada, entrou no intervalo contra o Remo e deu duas assistências.

Depois, contra o Atlético-MG, entrou aos 16 minutos após uma lesão e marcou. Na 25ª rodada, voltou a sair do banco e balançou as redes contra o próprio Atlético-MG.

Outros nomes também aparecem com frequência.

Jean Carlos, da Chapecoense, foi decisivo desde a primeira rodada. Contra o Santos, entrou aos 58 minutos, deu uma assistência e marcou um gol.

Na segunda rodada, diante do Vasco, voltou a entrar no segundo tempo e marcou novamente. O jogador nem está mais na Chapecoense.

foto de john kennedy pelo flu

Instagram JK

John Kennedy, do Fluminense, marcou três vezes depois de entrar durante as partidas. Os gols aconteceram contra Coritiba, Santos e Chapecoense.

Também com três participações em gols aparecem Diego Tarzia, do Vitória, Kevin Serna, do Fluminense, e Fernando, do Bragantino.

No caso de Tarzia, o impacto foi distribuído ao longo da competição: marcou contra Coritiba e Internacional e ainda deu assistência contra o Santos.

foto dos números dos jogos

Nem sempre é preciso marcar para mudar o jogo

As assistências também mostram que o impacto dos reservas não está limitado aos artilheiros.

João Cruz, do Athletico, por exemplo, acumulou assistências depois de entrar contra Atlético-MG, Chapecoense e Mirassol.

Puma Rodríguez também teve participação importante pelo Vasco. Entrou e marcou contra o São Paulo, além de dar assistência para Brenner contra o Cruzeiro.

Brenner, por sua vez, também aparece entre os reservas decisivos: marcou contra o Cruzeiro e depois deu assistência diante do São Paulo.

Outro exemplo é Bruno Henrique, do Flamengo. O atacante entrou e deu assistência contra Athletico e Internacional, além de marcar contra o Vitória.

O intervalo é o principal momento para mexer no time

Os dados também mostram uma tendência clara em relação ao momento das substituições: o intervalo é um dos principais momentos escolhidos pelos técnicos para lançar jogadores que começam no banco.

Entre os reservas que participaram diretamente de gols no levantamento, vários entraram justamente aos 46 minutos, logo após o intervalo.

É o caso de Marcelinho Braz, contra o Coritiba; Álvaro Barreal, pelo Santos; Dudu, pelo Vitória; Francis Amazu, pelo Grêmio; Cuiabano, pelo Vasco; e outros.

O segundo tempo, porém, não é apenas marcado por substituições no intervalo. A faixa entre aproximadamente 60 e 75 minutos também concentra muitos jogadores que saíram do banco e rapidamente participaram de gols.

Há ainda casos extremos, como Kauã Moraes e Japa, do Cruzeiro, que entraram aos 90+1 minutos e participaram de um gol contra o Vasco. No outro extremo, Erick, do Vitória, entrou aos 16 minutos contra o Atlético-MG após uma lesão e marcou.

Veja o que dizem os números de participações de gols de acordo com o minuto de entrada do jogador:

IntervaloQtd. de entradas%
1'-15'00%
16'-30'32%
31'-45'32%
46'-60'4126%
61'-75'7748%
76'-90'3019%
90+21%

O banco como parte da estratégia

Os números ajudam a mostrar uma mudança importante na forma de enxergar as substituições.

O reserva não é necessariamente apenas uma alternativa para substituir um jogador cansado.

Em muitos casos, ele é utilizado especificamente para alterar o comportamento da equipe: aumentar a velocidade, ocupar espaços diferentes, pressionar a defesa adversária ou simplesmente colocar um jogador mais descansado contra uma linha defensiva desgastada.

Além disso, com a superlotação do calendário e a falta de tempo para recuperar os atletas, muitos treinadores entram com equipes mistas no Brasileirão.

Assim, jogadores importantes para os onze iniciais acabam entrando no segundo tempo.

De toda maneira, fica clara a importância do manejo do elenco para sobreviver em um campeonato de 38 rodadas.

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