O sonho nova-iorquino em números: a temporada que levou Nova Iorque ao delírio

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Escrito por: Luiz Mariano, Colaborador | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado jun 26, 2026 - Última atualização jun 26, 2026 0
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Dustin Safranek/Imagn Images

Foram necessários 53 longos anos para que o torcedor nova-iorquino voltasse ao topo da maior liga de basquete do planeta. O troféu Larry O’Brien voltou a ser do New York Knicks em uma noite de sábado em que a Big Apple enlouqueceu, minutos após o apito final do primeiro jogo da Copa do Mundo da FIFA ser sediado na cidade vizinha, de Nova Jérsei.

Eu estava lá, cruzando o túnel que conecta as duas cidades. Assim que adentrei Manhattan, o relógio soou pela última vez na temporada da NBA, dando início à uma noite de Gotham City na Times Square e seus arredores. Fogos de artifício, sinalizadores, pessoas subindo em andaimes de obras, ônibus (que inclusive foram destruídos e queimados). Tudo isso resumia o que estava guardado no peito de cada torcedor dos Knickerbockers: êxtase!

O prelúdio: temporada regular e a conquista da NBA Cup

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Troféu da NBA Cup – David L. Nemec/NBAE

A temporada do Knicks já começou a se encaminhar para os livros de história ainda no mês de dezembro de 2025, quando o time da Big Apple venceu o próprio San Antonio Spurs, em um confronto que antecipou a decisão dos playoffs, por 124 a 113.

Depois, Las Vegas viveu uma noite que o torcedor dos Knicks esperava há muito tempo: a de levantar um troféu. Outro ponto alto daquela noite foi Jalen Brunson, que já começava a escrever seu nome nos livros de recordes e teve uma média de 33 pontos por jogo na NBA Cup, em um torneio onde o time fez um recorde quase perfeito, de 6-1. Brunson também foi destaque na final da Copa, com 25 pontos, 8 assistências e 4 rebotes (ótimo número para um jogador de apenas 1,88m).

Mas não foi apenas o atual rei de NY que foi dominante nesse curto intervalo da NBA Cup. OG Anunoby mostrava que seria um potencial destaque do título que explodiria Nova Iorque e seus 5 distritos alguns meses mais tarde. Na final da NBA Cup, OG foi ainda mais decisivo do que Brunson: foram 28 pontos, 9 rebotes, 3 assistências e 2 tocos. Seu número mais absurdo foi o de 50% de aproveitamento nos tiros de longa distância, na linha dos 3 pontos. Foram 5 acertos em 10 arremessos, número fora da curva para um jogador que normalmente atua na posição 4.

O Knicks, inclusive, é a primeira franquia a conquistar as 3 maiores honrarias possíveis em uma única temporada: a recém-criada NBA Cup, a Conferência Leste e as Finais da NBA. Mas isso, é apenas um detalhe na excelente temporada feita pelo time.

Apesar de não ter liderado o lado leste na temporada regular, o time teve um bom aproveitamento de 64,6%, com 53 vitórias e 29 derrotas. Destas, 30 vitórias foram dentro do Garden e 23 na estrada. Aliás, o Garden se comprovaria uma arena ainda mais emblemática na pós-temporada. Mas retomo esse capítulo da história daqui a pouco.

Nos primeiros 82 jogos que construíram o caminho para os playoffs, o time nova iorquino se colocou como o 11º melhor ataque da liga, tendo como sua principal arma a defesa.

JogadorMINPTSFG%3P%FT%REBASTRoubosTocosTurnovers+/-
Jalen Brunson39.232.642.138.986.04.24.62.00.03.81.6
OG Anunoby36.021.252.550.085.74.81.01.41.40.6-3.4
Karl-Anthony Towns31.013.049.033.310010.62.41.41.02.68.8
Mikal Bridges32.910.446.542.166.73.63.40.60.40.66.6
Josh Hart30.47.638.240.057.19.84.61.40.41.47.5

Como diria um dos algozes históricos de Nova Iorque, Michael Jordan, “defesa ganha campeonatos“, e foi exatamente isso o que o Knicks aplicou. A quinta melhor defesa da temporada regular, com uma média de 110 pontos sofridos por partida, colocou a equipe com um net rating positivo de 6,4, o 4º melhor da liga.

Por fim, outro belo número da campanha regular foi o plus-minus de +525. Ou seja, o time marcou 525 pontos a mais do que sofreu nos primeiros 82 jogos da temporada.

Pós-temporada: a melhor campanha de playoffs da história?

Falando de playoffs, aqui sim o time Knickerbocker fez história. O número mais impressionante de uma campanha avassaladora foram as 13 vitórias seguidas nos playoffs, a segunda maior marca da história da história da liga. Da semifinal de conferência em diante, foram duas varridas (76ers e e Cavaliers), e apenas uma derrota nas finais, um sonoro 4-1 contra o San Antonio Spurs.

Nas finais, especificamente, Jalen Brunson concluiu sua histórica corrida que foi coroada com o título de MVP das finais, com uma média de 32.6 pontos, 4.2 rebotes. No jogo 5, o decisivo do título, Brunson anotou incríveis 45 pontos, liderando para uma vitória de 94 a 90.

Um confronto final que surpreendeu a todos os fãs de basquete, pois esperava-se uma série mais equilibrada. Em certo momento, colocou-se em pauta até uma varrida, que seria a terceira consecutiva dos playoffs do Knicks e marcaria um fato histórico, colocando a campanha próxima aos playoffs de 16-1 do Golden State Warriors de 2017.

Além disso, o Knicks superou seus adversários por 14,9 pontos por partida, a maior diferença de pontos na história dos playoffs da NBA, se colocando à frente do histórico time de 1971 do Milwaukee Bucks de um jovem Kareem Abdul-Jabbar – na época, ainda Lew Alcindor.

TimeAnoVitóriasDerrotasPontos por jogoPPJ adversárioSaldo
New York Knicks2026163115.8100.9+14.9
Milwaukee Bucks1971122109.194.6+14.5
Golden State Warriors2017161119.3105.8+13.5
L.A. Lakers2001151103.490.6+12.8
Chicago Bulls1991152103.992.2+11.7

As duas derrotas para o Atlanta Hawks na primeira fase ocorreram, ambas, por apenas um ponto, e a derrota no Jogo 3 das Finais foi por apenas quatro pontos. Assim, o Knicks se juntou ao Chicago Bulls de 1991 e 1998 como os únicos times, desde que os playoffs passaram a ter 16 equipes em 1984 (43 anos), a conquistarem um título sem perder um único jogo por pelo menos cinco pontos.

E embora todas as partidas das Finais tenham tido diferença de no máximo dois pontos nos dois minutos finais, o Knicks ainda assim conquistou 12 vitórias por diferença de dois dígitos, empatado em primeiro lugar na história dos playoffs da NBA. Cinco dessas vitórias (incluindo cada uma das três primeiras partidas decisivas) foram por pelo menos 29 pontos.

Nos 578 minutos de Karl-Anthony Towns nos playoffs, o Knicks superou seus adversários por 258 pontos. Esse é o melhor plus-minus em uma única pós-temporada para qualquer jogador nos 30 anos que essa estatística é calculada, superando a marca de Stephen Curry de +245 na temporada 2016-17.

Estatísticas de Spurs e Knicks nas Finais

Estatísticas de Spurs e Knicks nas Finais

“A arena mais famosa do mundo”

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A festa do título no Madison Square Garden – Foto: Acervo pessoal

Apesar de ter fechado sua campanha vitoriosa no Frost Bank Center, em San Antonio, um dos principais trunfos da campanha de sucesso de Nova Iorque foi o Madison Square Garden, a mais emblemática arena de basquete no mundo.

A média de público no Garden na temporada regular foi de exatos 19.812 torcedores por partida. No total de 40 jogos disputados (excluindo os jogos neutros), a somatória total de fãs em jogos foi de 792.480 torcedores, atingindo o simbólico número de 100% de ocupação média da arena na temporada.

Tão impressionante quanto o número de presentes, foram os valores pagos pelos torcedores para acompanhar o time na campanha histórica. O valor médio dos ingressos ficou na casa de US$350, com ingressos para as “nascentes” do Garden (nome popular dado aos lugares mais altos da arena), chegando a US$120, enquanto os ingressos courtside chegaram à US$8.000.

Já nos playoffs, o absurdo se instaurou. Durante as finais, os ingressos mais baratos para os confrontos no MSG chegaram a US$4.000, enquanto o acesso à beira da quadra, reservados para torcedores emblemáticos do Knicks como Spike Lee, Ben Stiller e o jovem Timothée Chalamet, ultrapassaram os US$40.000.

E após o título, o que o futuro reserva para a franquia?

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Jalen Brunson no desfile do título – Victor Llorente/The New Yorker

O New York Knicks se restabelece como a terceira franquia mais valiosa da NBA, com valor de mercado atingindo 9.7 bilhões de dólares, atrás apenas de Golden State Warriors e Los Angeles Lakers, ambos valendo 10 bilhões de dólares. O fato é marcante, pois o time de Nova Iorque ficou, como mencionado no início do texto, 53 anos sem um título comemorado.

Porém, o fato de Nova Iorque ser uma cidade que movimenta muito dinheiro, e que conta com fãs apaixonados e uma arena emblemática mantiveram-o como um time extremamente importante e que fatura muito alto: em média US$532 milhões por ano.

Ainda assim, como a NBA impõe tetos salariais e medidas para manter o campeonato competitivo, a franquia irá batalhar nessa off-season para manter o grupo com seu principal quarteto: Jalen Brunson, Josh Hart, Karl- Anthony Towns e OG Anunoby.

Todos eles entrando em uma fase considerada o auge da carreira, mas sem um contrato vencendo na próxima temporada. Os mais próximos do vencimento contratual são KAT e Josh Hart, com deadline para 2028, fazendo com que 28/29 seja o limite para que o Knicks trabalhe forte para uma renovação dentro das políticas salariais da liga, ou uma renovação completa do elenco. Resta saber se, até lá, o time consegue mais um título para manter a franquia forte.

O ponto importante aqui é: o Knicks já se enquadrou na “taxa de luxo” da NBA pela terceiro ano seguido e existe uma preocupação de que a franquia possa passar a enquadrar o segundo apron (ou a segunda faixa da taxa de luxo), o que pode acarretar em não poder agregar salários maiores para trocas e até mesmo ter suas escolhas de primeira rodada do draft rebaixadas para as últimas posições. A franquia, inclusive, já tem escolhas escassas de draft nos próximos anos, devido à troca com o Brooklyn Nets por Mikal Bridges (que se mostrou acertada).

O rumor de que Giannis Antetokounmpo poderia fazer parte do plantel de Nova Iorque na próxima temporada certamente faria o squad do Knicks enxugar consideravelmente, gastando um dinheiro que talvez o time nem poderia. Mas, o negócio não se concluiu, com Giannis partindo para a Flórida para formar dupla com Bam Adebayo no Miami Heat.

A próxima temporada promete ser mais desafiadora no Leste para a franquia, já que o Celtics tem o retorno consolidado, para uma campanha completa de Jayson Tatum e Jalen Brown juntos, enquanto o Indiana Pacers tem o retorno de Tyrese Halliburton após um longo tempo afastado pela ruptura do tendão de aquiles.

Além disso, o bom time do Detroit Pistons ganha um ano de experiência após uma ótima jornada com o talentoso Cade Cunningham e um renovado Orlando Magic liderado por Paolo Banchero.

Isso sem considerar o excelente time que o San Antonio Spurs montou e que vem ainda mais fortalecido para a próxima temporada de Victor Wembanyama, somado ao ótimo time, já consolidado, do Oklahoma City Thunder de Shai-Gilgeous Alexander.

Não se pode excluir, também, o Los Angeles Lakers que ainda deve contar com a provável última dança de LeBron James (ainda não confirmada se será no Lakers) e o talento raríssimo de Luka Doncic, para muitos o nome jovem de maior destaque da NBA,

Um ano histórico se encerrou com o título merecido do New York Knicks, para delírio da torcida Knickerbocker e suas figuras lendárias, como Spike Lee. Agora, o relógio já começa a correr para que, em outubro, mais uma temporada da NBA se inicie e novas histórias possam ser gravadas na história.

Quem será o próximo campeão? E o próximo MVP, DPOY e Most Improved Player? Façam suas apostas!

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