
AFP Paraguay
O Paraguai venceu a Alemanha e surpreendeu todas as projeções para o mata-mata da Copa do Mundo, tornando-se uma das grandes zebras, disputando o posto com Cabo Verde.
A partida terminou empatada em 1×1, tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação, com a vitória por 4×3 dos paraguaios na disputa dos pênaltis.
E como o Paraguai conseguiu essa façanha e entrou para a história das Copas do Mundo? Veja uma análise completa do jogo!
O amplo domínio da Alemanha no jogo
A Alemanha dominou completamente o Paraguai durante os 120 minutos.
Segundo os dados da FIFA, os alemães terminaram com 65% de posse de bola, contra apenas 23% do Paraguai, enquanto 12% do tempo a bola permaneceu em disputa.
O domínio também apareceu na circulação de bola. A seleção alemã trocou 834 passes, com 752 certos, enquanto o Paraguai acertou apenas 166 de 264 tentativas.
No campo ofensivo, a Alemanha realizou 255 passes no terço final e manteve 81% de precisão nesse setor.
Além disso, os alemães tiveram 16 escanteios, contra seis dos paraguaios, e acumularam 127 entradas no terço final do campo.
Os números de progressão também mostram o controle da partida. A Alemanha tentou 233 penetrações e completou 179 delas, enquanto o Paraguai concluiu apenas 62 de 171 tentativas.
Fonte: Who Scored?
Nas proximidades da área adversária, os alemães atacaram principalmente pelo corredor direito, com 64 penetrações, além de outras 32 pelo corredor esquerdo, 12 pelo corredor central, 11 pelo corredor esquerdo interior e quatro pelo corredor direito interior.
A equipe ainda fez 478 pedidos de bola durante a partida, sendo 177 entre as linhas, 160 em profundidade e 141 para trás, mostrando a intensa movimentação ofensiva.
Também recebeu 157 passes entre as linhas defensiva e de meio-campo do Paraguai e outras 11 bolas atrás da última linha.
Nas bolas longas, a Alemanha acertou 27 de 40 tentativas. Já nos cruzamentos, completou apenas nove dos 52 realizados, contra seis acertos em 20 cruzamentos paraguaios.
Por outro lado, o Paraguai trocou apenas 264 passes, acertando 166, com somente 48% de precisão no campo ofensivo. Em praticamente todos os indicadores de posse e construção, a superioridade alemã foi evidente.
Os alemães criaram as melhores oportunidades
A Alemanha conseguiu transformar a posse de bola em volume ofensivo. Foram 21 finalizações ao longo da partida, contra apenas oito do Paraguai.
Curiosamente, o único indicador ofensivo em que os paraguaios levaram vantagem foi nas grandes chances criadas: foram três oportunidades claras para o Paraguai contra duas da Alemanha.
Das 21 finalizações alemãs, seis foram na direção do gol e outras sete passaram muito perto. A equipe ainda finalizou 11 vezes dentro da área e dez de fora dela, enquanto oito chutes acabaram bloqueados pela defesa paraguaia.
Fonte: Who Scored?
A pressão também aparece nas ações dentro da área. A Alemanha acumulou 43 ações ofensivas na área adversária, número muito superior às apenas 12 registradas pelo Paraguai na área alemã.
A grande atuação de Orlando Gill
De acordo com o Sofascore, o goleiro Orlando Gill, do Paraguai, recebeu nota 9.9 pela atuação diante da Alemanha na partida dos 16 avos de final.
Sem dúvida, o goleiro do San Lorenzo, de 26 anos, foi decisivo para a classificação paraguaia.
Instagram Orlando Gill
Ao longo da partida, realizou seis defesas, sendo uma considerada grande, e terminou com um saldo de 0,87 em gols evitados (xG prevented). Também afastou três bolas aéreas, deu um soco na bola e executou 14 tiros de meta.
Nos pênaltis, fez duas defesas que garantiram a classificação do Paraguai.
Mesmo bastante pressionado, ainda distribuiu 43 bolas longas, acertando dez delas, ajudando a aliviar a pressão alemã nos momentos de maior sufoco.
A entrega defensiva da zaga paraguaia
O Paraguai não venceu apenas graças às defesas de Orlando Gill. A atuação defensiva coletiva foi determinante, principalmente pela partida de José Canale.
O zagueiro terminou o jogo com 23 contribuições defensivas, incluindo cinco desarmes vencidos, 15 cortes, dois chutes bloqueados e duas recuperações de bola.
Já Gustavo Gómez não fez sua melhor atuação, mas ainda contribuiu com dez ações defensivas, registrando sete cortes, uma interceptação, um duelo aéreo vencido e uma falta cometida.
Outro destaque foi o trabalho dos meio-campistas Matías Galarza e Miguel Almirón, que recuaram constantemente para ajudar na marcação.
Galarza terminou com nove contribuições defensivas e dez recuperações de bola, sendo fundamental para interromper as construções ofensivas da Alemanha.
Almirón, por sua vez, acertou 16 passes, somou seis contribuições defensivas, uma interceptação, três cortes e cinco recuperações de bola. Além disso, venceu sete dos 12 duelos pelo chão e os dois confrontos aéreos que disputou.
A inteligência defensiva do Paraguai
Os mapas da Opta ajudam a explicar a estratégia adotada pelo Paraguai. A equipe se posicionou em bloco baixo durante praticamente toda a partida e concentrou seus esforços em interromper as ações ofensivas da Alemanha.
Os alemães exploravam principalmente o lado direito do ataque, com Kimmich e Sané, além das aproximações de Kai Havertz. Como mostram os mapas, a maior parte dos desarmes paraguaios aconteceu justamente pelo lado esquerdo da defesa.
Fonte: Opta
Enquanto os desarmes ficaram concentrados nesse setor, a maioria das interceptações ocorreu pelo lado oposto, onde o Paraguai deu atenção especial às movimentações de Wirtz, Brown e Denis Undav, que acabou praticamente anulado durante o confronto.
O time montou um verdadeiro ferrolho defensivo, permanecendo compacto e protegendo a entrada da área durante quase toda a partida. Apesar de praticamente não conseguir sair para o ataque, conseguiu limitar boa parte das ações alemãs.
Um dos poucos problemas defensivos foi o elevado número de faltas próximas da área, justamente contra uma seleção forte nas bolas aéreas.
Tanto que a Alemanha chegou a marcar o que seria o gol da vitória por 2 a 1 na prorrogação. No entanto, o VAR identificou falta sobre o goleiro paraguaio e anulou o lance.
Paraguai: o time que soube sofrer
Desde o início da partida, o Paraguai entrou em campo com uma proposta claramente defensiva, como mostram os mapas de posicionamento.
Embora tenha iniciado em um 4-4-2 espelhando a formação alemã, no momento sem a bola a equipe recuava praticamente todos os jogadores para proteger a própria área.
Fonte: Who Scored?
Mesmo após sofrer o gol aos 42 minutos, e apesar de criar algumas oportunidades pontuais, o Paraguai manteve sua estratégia defensiva até o fim, suportando a enorme pressão alemã e levando a decisão para os pênaltis.
O jogo abaixo do esperado dos alemães
Por mais que o Paraguai tenha feito uma grande partida defensiva, também é preciso destacar a atuação abaixo do esperado da Alemanha.
Até esse confronto, a seleção alemã era considerada uma das dez principais favoritas ao título da Copa do Mundo, enquanto o Paraguai jamais havia vencido um confronto de mata-mata na história da competição.
Apesar do enorme volume ofensivo, a Alemanha teve atuações discretas de peças importantes, como Nmecha, Undav, Sané e Pavlovic. Nenhum deles conseguiu se impor diante da forte marcação paraguaia.
A equipe teve muita posse, finalizou bastante e controlou praticamente todos os indicadores da FIFA, mas faltou eficiência para transformar esse domínio em gols.
Foram 233 tentativas de penetração, 179 concluídas, 157 recepções entre as linhas e 478 pedidos de bola ao longo da partida, números que evidenciam o controle territorial alemão.
Mesmo assim, a seleção abusou dos cruzamentos — foram 52 no total, com apenas nove certos — e encontrou dificuldades para criar oportunidades realmente limpas contra o bloco baixo do Paraguai.
No fim, apenas Havertz, Kimmich e Wirtz conseguiram manter um nível elevado de atuação. No restante da equipe, a Alemanha ficou abaixo do desempenho que havia apresentado ao longo da Copa do Mundo.
E agora, qual a próxima surpresa da Copa?


