Wonderwall: a Inglaterra segue encontrando um jeito de fazer o futebol “voltar para casa”

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Escrito por: Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Carla Leal, Revisora
Publicado jul 13, 2026 - Última atualização jul 13, 2026 0
foto da seleção da inglaterra

England Football

Quando os irmãos Gallagher lançaram o single Wonderwall em 1995, provavelmente – por conta da autoestima da banda – já imaginavam que seri um grande sucesso.

Porém, quem poderia imaginar que a música se tornaria a trilha sonora da Seleção Inglesa em uma Copa do Mundo 31 anos depois?

Embalando a união torcida e campo, Wonderwall é o som dos estádios. Entretanto, para o treinador Thomas Tuchel, o time ainda está fora do tom. 

Como disse em entrevista após a vitória em cima da Noruega, a Inglaterra não está com um futebol dominante. Então, o que faz a Inglaterra chegar até aqui? Veja uma análise completa do time britânico.

Um ataque que chega muito

A Inglaterra marcou 13 gols em seis partidas, média de 2,2 por jogo. Foram 94 finalizações, sendo 39 no alvo, além de uma média de 15,7 chutes por partida.

O volume ofensivo é consistente. A equipe cria, em média, 4,2 grandes chances por jogo, embora desperdice cerca de 2,5 delas.

O aproveitamento de 14% nas finalizações mostra que ainda existe margem para ser mais eficiente, principalmente considerando o número de oportunidades produzidas.

Outro dado chama atenção: todos os 13 gols ingleses saíram de dentro da área.

A seleção ainda marcou quatro gols de cabeça, sete com a perna direita e dois com a esquerda.

Nenhum veio em cobrança de falta, reforçando uma equipe que prioriza infiltrações, cruzamentos e aproximações em vez de depender de chutes de longa distância.

foto de stats da inglaterra

A posse existe, mas o jogo nem sempre está sob controle

Os 57,2% de posse de bola sugerem uma seleção dominante. A Inglaterra também troca, em média, 452 passes certos por partida, com excelente aproveitamento de 88,8%.

Só que os mata-matas contam uma história diferente.

Contra México e Noruega, os ingleses passaram por longos períodos sendo pressionados, perderam o controle da posse em vários momentos e precisaram mostrar maturidade para sobreviver sem a bola.

Talvez essa seja a principal característica do time de Tuchel: ele não precisa controlar o jogo durante os 90 minutos para vencer.

A Inglaterra prefere atacar espaços

Os dados de construção reforçam essa ideia.

A equipe soma mais de mil penetrações concluídas ao longo da Copa e registra milhares de movimentações de apoio para receber passes entre linhas, atacar a profundidade ou oferecer opções atrás da marcação.

Também chama atenção a intensidade pelos lados do campo.

São quase seis escanteios por jogo, média de 9,3 dribles certos e 147 cruzamentos realizados durante a competição, mostrando uma equipe que busca constantemente acelerar as jogadas pelos corredores antes de atacar a área.

Jude Bellingham virou o grande refrão

Toda grande música tem um momento que todo mundo espera. Na Inglaterra, esse momento atende pelo nome de Jude Bellingham.

foto de bellingham em vitória da inglaterra

Instagram Bellingham

Depois de marcar dois gols contra o México, o meia repetiu a dose diante da Noruega e chegou aos seis gols na Copa, igualando Harry Kane na artilharia da equipe.

Mas sua influência vai muito além das finalizações.

Bellingham lidera a seleção em arrancadas (328), pedidos de bola (431) e recepções entre as linhas defensivas (79), números que mostram como ele participa praticamente de toda construção ofensiva inglesa.

É o jogador que aparece para receber, acelera a jogada e, quando necessário, decide.

Kane continua sendo a referência

Se Bellingham dita o ritmo, Harry Kane continua sendo o finalizador.

foto de harry kane em vitória da seleção inglesa

Instagram Harry Kane

O capitão inglês soma seis gols, uma assistência, 22 finalizações e 12 chutes no alvo. Além disso, lidera a equipe em pressões defensivas, com 230 ações sem a bola.

A dupla já participou diretamente de 14 dos 23 gols ingleses (gols e assistências) nesta Copa e concentra praticamente todo o peso ofensivo da equipe.

Até aqui, nenhum outro jogador marcou mais de um gol.

A defesa ainda assusta… mas entrega resultados

Nem tudo é perfeito.

A Inglaterra sofreu seis gols em seis jogos e conseguiu apenas dois jogos sem ser vazada. Além disso, cometeu quatro erros que terminaram em finalizações adversárias e três que acabaram diretamente em gols.

Por outro lado, os indicadores defensivos mostram uma equipe bastante sólida dentro da própria área.

São médias de 14,2 desarmes, 24,8 cortes, 41,2 recuperações de bola e apenas uma grande quantidade reduzida de oportunidades claras concedidas aos adversários ao longo da competição.

Fisicamente, a seleção também impressiona. Os jogadores percorrem, em média, 104,8 quilômetros por partida e realizam cerca de 110 sprints por jogo, sustentando uma intensidade elevada até os minutos finais.

Sempre existe um refrão

A Inglaterra talvez não seja a seleção mais vistosa desta Copa. França, Argentina e Espanha conseguem controlar melhor seus jogos em diversos momentos. Mas os ingleses continuam encontrando respostas.

Quando precisam sofrer, sofrem. Quando precisam reagir, reagem. Quando a partida parece escapar, alguém aparece para decidir.

Como acontece com “Wonderwall”, existe sempre um refrão que todo mundo espera ouvir. Nesta Copa, ele atende pelo nome de Jude Bellingham.

E enquanto esse refrão continuar aparecendo nos momentos decisivos, a Inglaterra seguirá acreditando que, desta vez, o futebol realmente pode voltar para casa.

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