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A Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história antes mesmo de Espanha ou Argentina erguer a taça no MetLife Stadium.
Foi a primeira edição com 48 seleções, e também a pioneira dividida em três países: Estados Unidos, México e Canadá.
Como consequência direta disso, potencialmente a mais desgastante fisicamente de todos os tempos em termos de deslocamento.
Com 16 cidades-sede espalhadas por um continente inteiro, viajar deixou de ser um detalhe logístico e virou, literalmente, um fator de jogo.
Reunimos o que foi divulgado sobre a quilometragem percorrida pelas seleções desde a fase de grupos até a reta final, cruzando reportagens publicadas ao longo do torneio com um modelo de distâncias construído a partir da localização oficial dos estádios.
A fase de grupos já anunciava o tamanho do desafio
Antes da bola rolar, o jornal português Record publicou um raio-x da logística que cada seleção enfrentaria só na primeira fase, o trecho mais previsível do torneio, já que os três jogos de grupo têm local definido no sorteio.
O levantamento mostrou uma desigualdade brutal: enquanto a França precisaria viajar apenas 545 km entre suas três partidas, todas concentradas no nordeste dos Estados Unidos, a Bósnia enfrentaria 5.057 km, mais de nove vezes essa distância.
Logo atrás da seleção balcânica na lista dos mais penalizados apareciam Argélia (4.798 km), Tchéquia (4.544 km) e África do Sul (3.943 km), todas com calendários que forçavam saltos entre regiões distantes do mapa.
Do lado favorável, a lógica se repetia: Argentina (739 km) e França dividiam a folga geográfica com seleções que tiveram a sorte de permanecer numa mesma área ao longo da primeira fase.
O Brasil, ao contrário do que boa parte da torcida imaginava, também ficou entre os privilegiados: 1.757 km no total, a menor marca do Grupo C, à frente de Marrocos (1.820 km), Escócia (1.987 km) e Haiti, que liderou a chave com 2.025 km rodados antes mesmo de a fase eliminatória começar.
Colômbia, a seleção que conheceu os três países
Se a fase de grupos já era desigual, o mata-mata aprofundou essas diferenças, e ninguém sentiu isso com mais intensidade do que a Colômbia.
Eliminada nas oitavas de final pela Suíça, nos pênaltis, depois de um 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a seleção colombiana encerrou sua participação como a única entre as 48 equipes a ter jogado nos três países-sede do torneio: México, Estados Unidos e Canadá.
No total, os colombianos percorreram cerca de 11.850 km em pouco mais de três semanas de competição, segundo reportagem da revista Crusoé.
Uma despedida amarga em campo, mas que veio acompanhada de uma logística de tirar o fôlego fora dele.
Inglaterra x Argentina: a semifinal que também foi uma disputa de quilometragem
Enquanto a bola rolava dentro de campo, um levantamento do DataESPN, publicado pela Exame, comparava a rotina de viagens dos quatro semifinalistas, e as diferenças eram grandes.
A Inglaterra apareceu disparada na frente: cerca de 21.768 km rodados desde a estreia até a véspera da semifinal contra a Argentina.
O dado mais curioso é que os ingleses estabeleceram sua base em Kansas City, mas nunca chegaram a jogar ali.
Na verdade, precisaram se deslocar para todos os compromissos, passando por Boston, Nova York, Atlanta e Miami, além de uma viagem à Cidade do México, onde eliminaram os anfitriões nas oitavas de final.
A Espanha aparecia na sequência, com 14.591 km antes do confronto com a França.
Do outro lado da tabela, a Argentina precisou percorrer 8.326 km até a semifinal — pouco mais de um terço da distância acumulada pelos ingleses —, beneficiada por um calendário mais compacto, com duas partidas em Kansas City e deslocamentos relativamente curtos até Dallas e Atlanta,
Na verdade, o maior salto da campanha argentina foi até Miami, para o duelo com Cabo Verde nos 16 avos de final.
A França, por sua vez, teve o menor total entre os quatro: 8.045 km até a semifinal, resultado de uma fase de grupos praticamente toda disputada no nordeste dos Estados Unidos, entre Nova York, Filadélfia e Boston, ligeiramente abaixo, portanto, da marca argentina.
A reta final: Miami e Nova Jersey encerram o mapa da Copa
Com os finalistas definidos na briga pelo título da Copa do Mundo de 2026, o desenho da Copa também definiu o último trecho de viagem de cada seleção.
Segundo divulgado pela FIFA e replicado por veículos como CNN Brasil, Lance! e Terra, a disputa pelo terceiro lugar entre França e Inglaterra será no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, no sábado (18).
Já a grande final entre Espanha e Argentina — ambas seguem invictas na competição — será disputada no MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jersey), no domingo (19).
Como França e Espanha jogaram sua semifinal em Dallas, enquanto Inglaterra e Argentina se enfrentaram em Atlanta, dá para estimar o impacto desse último deslocamento na quilometragem total de cada seleção, usando o método de distância em linha reta (Haversine) entre as coordenadas dos estádios:
- Inglaterra: cerca de 21.768 km somados a mais ~970 km de Atlanta a Miami, fechando a campanha em torno de 22.740 km.
- Espanha: 14.591 km mais ~2.200 km de Dallas a Nova Jersey, chegando a aproximadamente 16.790 km.
- Argentina: 8.326 km mais ~1.200 km de Atlanta a Nova Jersey, totalizando perto de 9.525 km.
- França: 8.045 km mais ~1.780 km de Dallas a Miami, encerrando a Copa com aproximadamente 9.825 km, a rota mais enxuta entre as quatro seleções que chegaram à fase semifinal.
Com o acréscimo desse último trecho, a Inglaterra segue isolada e disparada como a seleção que mais viajou entre as quatro, mas a ordem entre Argentina e França se inverte.
Como o deslocamento de Atlanta a Nova Jersey é mais curto do que o de Dallas a Miami, a Argentina termina a Copa com a logística mais enxuta do grupo, ultrapassando a França nesse quesito por uma margem estreita.
É um contraste e tanto com o desempenho dentro de campo, já que os franceses caíram diante da Espanha na semifinal e agora disputam o “prêmio de consolação” do terceiro lugar contra os ingleses, enquanto a Argentina folga em Nova Jersey até a decisão de domingo.
Um retrato do maior — e mais cansativo — Mundial da história
Independentemente de quem erguer a taça no domingo, a Copa de 2026 já deixa um legado logístico inédito.
Nenhuma edição anterior exigiu tanto das delegações fora de campo: são 16 estádios, três países, fusos horários diferentes e — em alguns casos, como o da Colômbia — passagens por todas as fronteiras possíveis dentro do torneio.
Enquanto seleções como França e Argentina se beneficiaram de calendários regionais mais compactos, times como Inglaterra, Espanha, Bósnia e Colômbia converteram a Copa em uma verdadeira maratona geográfica.
Resta saber se esse desgaste vai pesar na decisão de domingo — ou se, como mostrou a França ao longo do torneio, uma logística tranquila nem sempre se traduz em resultado dentro de campo.


