O que faltou para o Brasil contra a Noruega? Os números explicam a eliminação

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Escrito por: Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado jul 06, 2026 - Última atualização jul 06, 2026 0
foto de bruno guimarães perdendo penalti pelo brasil

Rafael Ribeiro / CBF

O Brasil perdeu por 2×1 para a Noruega e foi declassificado da Copa do Mundo 2026, caindo pela primeira vez nas oitavas-de-final desde 1990.

A partida foi marcada por muitas críticas, sobretudo em relação ao trabalho de Carlo Ancelotti. E a pergunta que fica é: o que faltou para o Brasil contra a Noruega?

Veja a nossa análise completa.

O Brasil criou o suficiente para vencer

Por mais difícil que pareça enxergar isso, o Brasil produziu o suficiente para vencer o jogo. Confira os números ofensivos, de acordo com o Sofascore:

  • xG: 2,61
  • 14 finalizações
  • 4 no alvo
  • 10 chutes dentro da área
  • 5 grandes chances criadas
  • 4 grandes chances desperdiçadas
  • 31 ações na área adversária
  • 46 entradas no terço final
  • 1 pênalti desperdiçado

Em praticamente todos os números, o Brasil foi superior ofensivamente aos noruegueses. A equipe criou cinco grandes oportunidades, acumulou um xG elevado e passou um bom temoo chegando á área da Noruega.

O problema esteve na conclusão das jogadas: além do pênalti perdido por Bruno Guimarães, outras quatro chances claras foram desperdiçadas. Em mata-mata, esse tipo de desperdício normalmente cobra seu preço.

foto da produção ofensiva dos time

Foto: Opta

A Noruega, por exemplo, com Erling Haland, aproveitou as chances que teve e deu a vaga para os europeus nessa disputa das oitavas da Copa.

Faltou qualidade na construção das jogadas

Apesar das chances de gol, o Brasil perdeu eficiência em zonas importantes do campo:

  • 1 cruzamento certo em 16 tentativas (6%)
  • 17 bolas longas certas em 39 (44%)
  • 4 finalizações no alvo em 14 tentativas
  • 122 tentativas de penetração com 77 penetrações concluídas

Mesmo chegando diversas vezes ao campo ofensivo, o Brasil teve dificuldades para transformar essas aproximações em finalizações limpas.

A baixa precisão nos cruzamentos e nos lançamentos fez com que muitas jogadas morressem antes da conclusão.

A Noruega controlou mais o jogo

A maior parte dos comentaristas e analistas criticaram a postura do Brasil frente ao domínio noruguês da bola.

Veja como o time europeu controlou a bola:

  • Posse de bola: 60% x 32%
  • Passes: 683 x 347
  • Passes certos: 627 x 298
  • Recepções entre as linhas: 151 x 87
  • Tentativas de penetração: 193 x 122
  • Penetrações concluídas: 135 x 77

Mesmo criando menos chances claras, a Noruega conseguiu controlar o ritmo da partida durante boa parte do tempo.

A circulação de bola foi muito superior, assim como a capacidade de encontrar jogadores entre as linhas brasileiras.

O jogo aéreo fez diferença

Como era de se esperar com um time com zagueiros acima de 1.90m, o Brasil venceu apenas 27% dos duelos pelo alto. 

Em contrapartida, venceu 55% dos duelos no chão e acertou apenas 10 de 18 dribles (56%).  Enquanto conseguiu competir bem pelo chão, o Brasil sofreu bastante nas bolas aéreas.

Contra uma equipe que utiliza muito esse recurso e conta com Haaland como referência, essa fragilidade acabou sendo determinante.

A pressão defensiva funcionou

Defensivamente, o Brasil foi superior em vários fundamentos:

  • 23 desarmes (Noruega: 14)
  • 11 interceptações (Noruega: 6)
  • 21 cortes
  • 40 recuperações de bola (empate)
  • 38 erros forçados (Noruega: 28)
  • 401 ações de pressão defensiva (Noruega: 185)

Os números mostram que o Brasil recuperou muitas bolas e pressionou intensamente a saída adversária. O problema foi não transformar essas recuperações em gols.

Além disso, o Brasi deu espaço justamente para Erling Haaland, o jogador mais letal da Noruega e até mesmo de toda a Copa do Mundo de 2026.

Nyland e Haaland decidiram

A Noruega foi muito decisiva em números simples, mas que fizeram a diferença no jogo:

  • 2 gols em 3 grandes chances
  • 4 defesas de Nyland
  • 1 pênalti defendido
  • 2 gols de Haaland
foto da produçao ofensiva do haaland

Fonte: Opta

No fim, a Noruega foi mais eficiente nas duas áreas. Nyland impediu que o Brasil abrisse vantagem, enquanto Haaland converteu as principais oportunidades que teve.

Os jogadores brasileiros não brilharam

Ao longo de toda a Copa de 2026, Vini Jr foi o principal jogador da Seleção Brasileira. Porém, na partida contra a Noruega, o jogador não conseguiu impor a sua melhor forma física.

O jogador do Brasil teve 2 finalizações, com 1 bloqueado e outra grande chance perdida, com um xG de 0.17. Em termos de passes, acertou 19 de 23, criando uma grande chance e dando dois passes decisivos.

Vini Jr. teve apenas 46 ações com a bola, muito pouco para o jogador que precisaria ser o nome do mata-mata no Brasil. Foram 17 perdas de bola e progressão total de 130.1m em 18 conduções.

Porém, não foi só Vinícius que esteve abaixo do que se esperava:

Bruno Guimarães

Além de perder o pênalti, Bruno Guimarães fez um jogo bem abaixo do que vinha na Copa. Ao todo, deu 2 chutes, 1 ao gol e outro bloqueado, com 1 chance perdida.

Porém, o problema maior foi na criação, com 15 passes no campo adversário e 1 passe decisivo, sem acertar cruzamento e com apenas 2 bolas longas acertadas.

O jogador teve 38 ações com a bola, perdendo a posse em 10x e tendo uma distância de condução máxima de 81.5m, bem abaixo do que se esperava para o maior assistente da Seleção na Copa.

Dupla Marquinhos e Magalhães

Conforme os números já mostraram, o Brasil até se organizou bem defensivamente, mas Marquinhos e Magalhães foram destaques negativos.

O Gabriel Magalhães não venceu nenhum desarme, com 2 duelos áereos ganhos e 2 perdidos, 1 interceptação e 7 cortes. Já Marquinhos não venceu nenhum duelo aéreo, com 2 interceptações e 3 recuperações de bola.

De toda maneira, a construção defensiva deu muito espaço para as duas finalizações certeiras de Haaland.

O erro de Ancelotti

O Brasil teve uma queda significativa de composição ofensiva no segundo tempo. Ao tirar Rayan e Martinelli, o Brasil perdeu o volume defensivo.

As substituições de Neymar e Endrick faziam sentido para a criação ofensiva, mas acabaram por deixar o Brasil desguarnecido sem poder de marcação. Logo o time sofreu os 2 gols.

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