Rafael Ribeiro / CBF
O Brasil perdeu por 2×1 para a Noruega e foi declassificado da Copa do Mundo 2026, caindo pela primeira vez nas oitavas-de-final desde 1990.
A partida foi marcada por muitas críticas, sobretudo em relação ao trabalho de Carlo Ancelotti. E a pergunta que fica é: o que faltou para o Brasil contra a Noruega?
Veja a nossa análise completa.
O Brasil criou o suficiente para vencer
Por mais difícil que pareça enxergar isso, o Brasil produziu o suficiente para vencer o jogo. Confira os números ofensivos, de acordo com o Sofascore:
- xG: 2,61
- 14 finalizações
- 4 no alvo
- 10 chutes dentro da área
- 5 grandes chances criadas
- 4 grandes chances desperdiçadas
- 31 ações na área adversária
- 46 entradas no terço final
- 1 pênalti desperdiçado
Em praticamente todos os números, o Brasil foi superior ofensivamente aos noruegueses. A equipe criou cinco grandes oportunidades, acumulou um xG elevado e passou um bom temoo chegando á área da Noruega.
O problema esteve na conclusão das jogadas: além do pênalti perdido por Bruno Guimarães, outras quatro chances claras foram desperdiçadas. Em mata-mata, esse tipo de desperdício normalmente cobra seu preço.
Foto: Opta
A Noruega, por exemplo, com Erling Haland, aproveitou as chances que teve e deu a vaga para os europeus nessa disputa das oitavas da Copa.
Faltou qualidade na construção das jogadas
Apesar das chances de gol, o Brasil perdeu eficiência em zonas importantes do campo:
- 1 cruzamento certo em 16 tentativas (6%)
- 17 bolas longas certas em 39 (44%)
- 4 finalizações no alvo em 14 tentativas
- 122 tentativas de penetração com 77 penetrações concluídas
Mesmo chegando diversas vezes ao campo ofensivo, o Brasil teve dificuldades para transformar essas aproximações em finalizações limpas.
A baixa precisão nos cruzamentos e nos lançamentos fez com que muitas jogadas morressem antes da conclusão.
A Noruega controlou mais o jogo
A maior parte dos comentaristas e analistas criticaram a postura do Brasil frente ao domínio noruguês da bola.
Veja como o time europeu controlou a bola:
- Posse de bola: 60% x 32%
- Passes: 683 x 347
- Passes certos: 627 x 298
- Recepções entre as linhas: 151 x 87
- Tentativas de penetração: 193 x 122
- Penetrações concluídas: 135 x 77
Mesmo criando menos chances claras, a Noruega conseguiu controlar o ritmo da partida durante boa parte do tempo.
A circulação de bola foi muito superior, assim como a capacidade de encontrar jogadores entre as linhas brasileiras.
O jogo aéreo fez diferença
Como era de se esperar com um time com zagueiros acima de 1.90m, o Brasil venceu apenas 27% dos duelos pelo alto.
Em contrapartida, venceu 55% dos duelos no chão e acertou apenas 10 de 18 dribles (56%). Enquanto conseguiu competir bem pelo chão, o Brasil sofreu bastante nas bolas aéreas.
Contra uma equipe que utiliza muito esse recurso e conta com Haaland como referência, essa fragilidade acabou sendo determinante.
A pressão defensiva funcionou
Defensivamente, o Brasil foi superior em vários fundamentos:
- 23 desarmes (Noruega: 14)
- 11 interceptações (Noruega: 6)
- 21 cortes
- 40 recuperações de bola (empate)
- 38 erros forçados (Noruega: 28)
- 401 ações de pressão defensiva (Noruega: 185)
Os números mostram que o Brasil recuperou muitas bolas e pressionou intensamente a saída adversária. O problema foi não transformar essas recuperações em gols.
Além disso, o Brasi deu espaço justamente para Erling Haaland, o jogador mais letal da Noruega e até mesmo de toda a Copa do Mundo de 2026.
Nyland e Haaland decidiram
A Noruega foi muito decisiva em números simples, mas que fizeram a diferença no jogo:
- 2 gols em 3 grandes chances
- 4 defesas de Nyland
- 1 pênalti defendido
- 2 gols de Haaland
Fonte: Opta
No fim, a Noruega foi mais eficiente nas duas áreas. Nyland impediu que o Brasil abrisse vantagem, enquanto Haaland converteu as principais oportunidades que teve.
Os jogadores brasileiros não brilharam
Ao longo de toda a Copa de 2026, Vini Jr foi o principal jogador da Seleção Brasileira. Porém, na partida contra a Noruega, o jogador não conseguiu impor a sua melhor forma física.
O jogador do Brasil teve 2 finalizações, com 1 bloqueado e outra grande chance perdida, com um xG de 0.17. Em termos de passes, acertou 19 de 23, criando uma grande chance e dando dois passes decisivos.
Vini Jr. teve apenas 46 ações com a bola, muito pouco para o jogador que precisaria ser o nome do mata-mata no Brasil. Foram 17 perdas de bola e progressão total de 130.1m em 18 conduções.
Porém, não foi só Vinícius que esteve abaixo do que se esperava:
Bruno Guimarães
Além de perder o pênalti, Bruno Guimarães fez um jogo bem abaixo do que vinha na Copa. Ao todo, deu 2 chutes, 1 ao gol e outro bloqueado, com 1 chance perdida.
Porém, o problema maior foi na criação, com 15 passes no campo adversário e 1 passe decisivo, sem acertar cruzamento e com apenas 2 bolas longas acertadas.
O jogador teve 38 ações com a bola, perdendo a posse em 10x e tendo uma distância de condução máxima de 81.5m, bem abaixo do que se esperava para o maior assistente da Seleção na Copa.
Dupla Marquinhos e Magalhães
Conforme os números já mostraram, o Brasil até se organizou bem defensivamente, mas Marquinhos e Magalhães foram destaques negativos.
O Gabriel Magalhães não venceu nenhum desarme, com 2 duelos áereos ganhos e 2 perdidos, 1 interceptação e 7 cortes. Já Marquinhos não venceu nenhum duelo aéreo, com 2 interceptações e 3 recuperações de bola.
De toda maneira, a construção defensiva deu muito espaço para as duas finalizações certeiras de Haaland.
O erro de Ancelotti
O Brasil teve uma queda significativa de composição ofensiva no segundo tempo. Ao tirar Rayan e Martinelli, o Brasil perdeu o volume defensivo.
As substituições de Neymar e Endrick faziam sentido para a criação ofensiva, mas acabaram por deixar o Brasil desguarnecido sem poder de marcação. Logo o time sofreu os 2 gols.


