Instagram Mbappé
O meme de Kylian Mbappé como o ditador da Seleção Francesa cresceu muito antes da Copa do Mundo de 2026, chegando até nos próprios companheiros de equipe.
De fato, o jogador é um dos artilheiros da Copa, participando diretamente de 11 gols franceses e sendo o principal rosto de uma equipe brilhante que chega à semifinal como uma das grandes favoritas ao título da Copa.
Porém, reduzir a campanha da França ao camisa 10 seria ignorar uma seleção que talvez seja a mais completa do torneio.
O ataque mais eficiente entre os semifinalistas
A França chega às semifinais com o melhor desempenho ofensivo da Copa. São 16 gols em seis jogos, média de 2,7 por partida, além de 14 assistências, mostrando que o volume ofensivo é acompanhado por um jogo coletivo.
A equipe finaliza 18,3 vezes por jogo, acerta quase oito chutes no alvo por partida e cria, em média, 4,5 grandes oportunidades. Mesmo desperdiçando 3,2 chances claras por jogo, segue liderando o torneio em gols marcados.
A variedade também impressiona. Foram 12 gols de dentro da área e quatro de fora, além de finalizações convertidas com as duas pernas e pelo alto. É uma seleção que consegue encontrar diferentes caminhos para machucar os adversários.
Posse para atacar, não para administrar
A França mantém 58,5% de posse de bola e troca quase 500 passes certos por partida, com impressionantes 88,4% de precisão. Mais importante do que isso é onde esse jogo acontece.
Veja o mapa das trocas de passes da França no mata-mata da Copa de 2026:
Fonte: Opta
Em média, os franceses completam 308 passes no campo ofensivo, muito acima dos 184 realizados no próprio campo. O objetivo é empurrar o adversário para trás e acelerar o jogo próximo à área rival.
Os números confirmam essa proposta: são 110 finalizações, 41 escanteios, 16 contra-ataques, quase dez dribles certos por partida e mais de mil penetrações no último terço do campo.
Mbappé segue decidindo, mas já não está sozinho
Instagram Mbappé
Mbappé continua sendo o principal nome da França. Os oito gols, três assistências e 30 finalizações fazem dele o jogador mais decisivo da equipe.
Ao mesmo tempo, esta talvez seja a Copa em que o camisa 10 menos precisou carregar a seleção sozinho.
Michael Olise lidera os Bleus em assistências, com cinco passes para gol, além de comandar estatísticas como arrancadas, pressões defensivas e ações de penetração.
Dembélé já balançou as redes cinco vezes, enquanto jogadores como Doué, Barcola e Cherki oferecem diferentes características para um ataque extremamente versátil.
A França continua tendo um protagonista, mas já não depende exclusivamente dele para vencer.
A renovação aconteceu sem trauma
Poucas seleções conseguiram se reinventar tão rapidamente quanto a França.Apenas seis jogadores do atual elenco estrearam pelos Bleus antes da Copa do Mundo de 2018.
Grande parte do grupo foi incorporada após o Mundial do Catar, com nomes como Doué, Barcola, Cherki, Zaïre-Emery, Akliouche e Malo Gusto assumindo espaço em uma equipe que não perdeu competitividade.
Fonte: Sofascore
A idade média do elenco é de apenas 26,7 anos, enquanto o valor de mercado supera € 1,5 bilhão, reflexo da enorme quantidade de jovens talentos disponíveis.
A renovação explica por que a França continua chegando entre as favoritas mesmo depois das aposentadorias e mudanças de geração.
O exército da defesa
O desempenho defensivo acompanha o alto nível do ataque.
A França sofreu apenas dois gols em seis partidas e terminou quatro jogos sem ser vazada. Também registra médias de 14,5 desarmes, 8,5 interceptações, quase 19 cortes e 50 recuperações de bola por jogo.
Outro dado chama atenção: embora tenha cometido cinco erros que terminaram em finalizações adversárias, nenhum deles resultou em gol.
Essa consistência ajuda a explicar por que os Bleus chegam à semifinal equilibrando o melhor ataque da Copa com uma das defesas mais sólidas do torneio.
Mais do que uma seleção que depende de Mbappé, a França apresenta um elenco renovado, intenso e repleto de alternativas, e é isso que os os franceses têm de diferente.
O camisa 10 continua sendo a principal referência técnica, mas o sucesso dos Bleus passa pela capacidade de combinar uma nova geração talentosa com uma estrutura coletiva que segue funcionando em alto nível.


