Liberté, Égalité… Ditaté? Mbappé segue comandando a França na Copa

Foto de Gabriel Gonçalves
Escrito por: Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado jul 13, 2026 - Última atualização jul 13, 2026 0
foto de mbappé comemorando gol pela frança

Instagram Mbappé

O meme de Kylian Mbappé como o ditador da Seleção Francesa cresceu muito antes da Copa do Mundo de 2026, chegando até nos próprios companheiros de equipe.

De fato, o jogador é um dos artilheiros da Copa, participando diretamente de 11 gols franceses e sendo o principal rosto de uma equipe brilhante que chega à semifinal como uma das grandes favoritas ao título da Copa.

Porém, reduzir a campanha da França ao camisa 10 seria ignorar uma seleção que talvez seja a mais completa do torneio.

O ataque mais eficiente entre os semifinalistas

A França chega às semifinais com o melhor desempenho ofensivo da Copa. São 16 gols em seis jogos, média de 2,7 por partida, além de 14 assistências, mostrando que o volume ofensivo é acompanhado por um jogo coletivo.

A equipe finaliza 18,3 vezes por jogo, acerta quase oito chutes no alvo por partida e cria, em média, 4,5 grandes oportunidades. Mesmo desperdiçando 3,2 chances claras por jogo, segue liderando o torneio em gols marcados.

A variedade também impressiona. Foram 12 gols de dentro da área e quatro de fora, além de finalizações convertidas com as duas pernas e pelo alto. É uma seleção que consegue encontrar diferentes caminhos para machucar os adversários.

Posse para atacar, não para administrar

A França mantém 58,5% de posse de bola e troca quase 500 passes certos por partida, com impressionantes 88,4% de precisão. Mais importante do que isso é onde esse jogo acontece.

Veja o mapa das trocas de passes da França no mata-mata da Copa de 2026:

stats dos passes da frança nos jogos

Fonte: Opta

Em média, os franceses completam 308 passes no campo ofensivo, muito acima dos 184 realizados no próprio campo. O objetivo é empurrar o adversário para trás e acelerar o jogo próximo à área rival.

Os números confirmam essa proposta: são 110 finalizações, 41 escanteios, 16 contra-ataques, quase dez dribles certos por partida e mais de mil penetrações no último terço do campo.

Mbappé segue decidindo, mas já não está sozinho

foto de kylian mbappé pela seleção francesa em vitória

Instagram Mbappé

Mbappé continua sendo o principal nome da França. Os oito gols, três assistências e 30 finalizações fazem dele o jogador mais decisivo da equipe.

Ao mesmo tempo, esta talvez seja a Copa em que o camisa 10 menos precisou carregar a seleção sozinho.

Michael Olise lidera os Bleus em assistências, com cinco passes para gol, além de comandar estatísticas como arrancadas, pressões defensivas e ações de penetração.

Dembélé já balançou as redes cinco vezes, enquanto jogadores como Doué, Barcola e Cherki oferecem diferentes características para um ataque extremamente versátil.

A França continua tendo um protagonista, mas já não depende exclusivamente dele para vencer.

A renovação aconteceu sem trauma

Poucas seleções conseguiram se reinventar tão rapidamente quanto a França.Apenas seis jogadores do atual elenco estrearam pelos Bleus antes da Copa do Mundo de 2018.

Grande parte do grupo foi incorporada após o Mundial do Catar, com nomes como Doué, Barcola, Cherki, Zaïre-Emery, Akliouche e Malo Gusto assumindo espaço em uma equipe que não perdeu competitividade.

foto com as datas de estreia de todos os 26 jogadores da seleção francesa

Fonte: Sofascore

A idade média do elenco é de apenas 26,7 anos, enquanto o valor de mercado supera € 1,5 bilhão, reflexo da enorme quantidade de jovens talentos disponíveis.

A renovação explica por que a França continua chegando entre as favoritas mesmo depois das aposentadorias e mudanças de geração.

O exército da defesa

O desempenho defensivo acompanha o alto nível do ataque.

A França sofreu apenas dois gols em seis partidas e terminou quatro jogos sem ser vazada. Também registra médias de 14,5 desarmes, 8,5 interceptações, quase 19 cortes e 50 recuperações de bola por jogo.

Outro dado chama atenção: embora tenha cometido cinco erros que terminaram em finalizações adversárias, nenhum deles resultou em gol.

Essa consistência ajuda a explicar por que os Bleus chegam à semifinal equilibrando o melhor ataque da Copa com uma das defesas mais sólidas do torneio.

Mais do que uma seleção que depende de Mbappé, a França apresenta um elenco renovado, intenso e repleto de alternativas, e é isso que os os franceses têm de diferente.

O camisa 10 continua sendo a principal referência técnica, mas o sucesso dos Bleus passa pela capacidade de combinar uma nova geração talentosa com uma estrutura coletiva que segue funcionando em alto nível.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Reportagem em destaque