A primeira rodada das oitavas de final da Copa do Brasil 2026 ficou marcada pelas críticas de torcedores e comentaristas.
Em muitos momentos, a sensação foi de assistir a partidas travadas, com pouca criatividade e escassas oportunidades de gol, ainda mais quando se compara com a Copa do Mundo de 2026.
Os números confirmam essa percepção.
Apesar de algumas equipes dominarem a posse de bola e acumularem finalizações. sobretudo as favoritas para o título da Copa do Brasil, a maioria encontrou enorme dificuldade para transformar esse volume em chances claras.
Uma rodada de poucos gols e muitos empates
O panorama geral das oitavas ajuda a explicar a repercussão negativa da rodada. Dos oito jogos disputados:
- 5 terminaram empatados;
- 4 terminaram em 0 a 0;
- apenas 1 partida teve vitória por mais de um gol.
A única exceção foi o Palmeiras, que venceu o Fortaleza por 3 a 0. Nos demais confrontos, o equilíbrio prevaleceu, mas com pouca inspiração ofensiva.
Muito volume, pouca eficiência
O problema não foi exatamente a falta de posse de bola ou de chegadas ao ataque. Em diversos jogos, as equipes controlaram as ações, mas produziram poucas oportunidades realmente perigosas.
Instagram Atlético-MG
O Atlético-MG é um bom exemplo. Contra o Juventude, o Galo terminou a partida com:
- 59% de posse de bola;
- 17 finalizações;
- 66 ações no terço final do campo;
- 7 escanteios cobrados.
Fonte: Sofascore
Mesmo com esse domínio territorial, criou apenas uma grande chance durante toda a partida e não conseguiu marcar.
Instagram Santos
O Santos apresentou um cenário semelhante diante do Remo. A equipe paulista registrou:
- 60% de posse de bola;
- 511 passes certos;
- 19 finalizações;
- 14 chutes dentro da área.
Apesar do volume ofensivo, o placar permaneceu em 0 a 0. Um dado chama atenção: nove das finalizações santistas foram bloqueadas pela defesa, reduzindo drasticamente o perigo ao gol adversário.
Clássicos com pouca criatividade
No clássico entre Vasco e Fluminense, os números ajudam a entender o motivo das críticas.
Instagram Vasco
Durante os 90 minutos, os dois times somaram apenas três finalizações no alvo.
O Vasco criou somente uma grande chance, enquanto o Fluminense, mesmo finalizando mais vezes (12 contra 6), teve dificuldades para romper a defesa adversária.
Além disso, foram registradas 36 faltas, interrompendo constantemente o ritmo da partida. O resultado foi um dos jogos mais truncados da rodada.
Posse de bola nem sempre significa perigo
Outro exemplo foi Chapecoense x Cruzeiro. O Cruzeiro dominou praticamente todos os indicadores de controle da partida:
- 63% de posse de bola;
- 562 passes trocados;
- 64 entradas no terço final.
Mesmo assim, conseguiu acertar apenas um chute no gol durante toda a partida.
Fonte: Sofascore
Já a Chapecoense, mesmo com apenas 37% da posse, finalizou praticamente o mesmo número de vezes, mostrando que o domínio territorial celeste pouco se converteu em chances reais.

Fonte: Sofascore
Corinthians dominou a bola, mas perdeu o jogo
O Corinthians também teve dificuldades para transformar posse em eficiência.
Fonte: Sofascore
Contra o Internacional, o time paulista registrou:
- 69% de posse de bola;
- 517 passes certos;
- 61 ações no terço final;
- 28 cruzamentos.
Apesar disso, acertou apenas três finalizações no alvo e acabou derrotado por 2 a 0.
O Internacional, com menos posse, foi muito mais eficiente nas oportunidades criadas.
Palmeiras foi a exceção da rodada
O único time que conseguiu aliar volume ofensivo e eficiência foi o Palmeiras.
Fonte: Sofascore
Na vitória por 3 a 0 sobre o Fortaleza, o Verdão produziu:
- 77 ações no terço final;
- 9 finalizações no alvo;
- 6 grandes chances criadas.
Foi, de longe, o desempenho ofensivo mais consistente das oitavas.
Outro jogo que fugiu da média foi Mirassol x Grêmio. As equipes empataram por 1 a 1 após um confronto que teve 24 finalizações somadas e quatro grandes chances, oferecendo muito mais equilíbrio entre criação e eficiência.
Fonte: Sofascore
O problema foi a qualidade das finalizações
As estatísticas mostram que as equipes não deixaram de atacar.
Em vários confrontos houve posse de bola superior a 60%, dezenas de entradas no campo ofensivo e mais de 15 finalizações por equipe.
O problema esteve na qualidade dessas conclusões. Muitas tentativas foram bloqueadas pelos defensores, partiram de posições pouco favoráveis ou sequer exigiram grandes defesas dos goleiros.
Em um torneio de mata-mata, é natural que os clubes adotem uma postura mais cautelosa.
No entanto, os números mostram que o excesso de precaução comprometeu a criatividade e reduziu significativamente a qualidade do espetáculo na primeira rodada das oitavas da Copa do Brasil, justificando as críticas recebidas após o encerramento dos jogos.

