Dez jogadores que podem virar estrela na NFL em 2026

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Deivis Chiodini, Colaborador | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado ago 17, 2026 - Última atualização ago 18, 2026

Toda lista de “quem vai explodir na próxima temporada” carrega o mesmo problema. Metade dos nomes é aposta apoiada em amostra pequena, e a outra metade só depende de um contexto que pode mudar na primeira lesão de agosto.

Então vamos combinar o critério antes de começar. Estrela, aqui, não é quem joga bem. É quem joga bem com volume, com holofote e com a defesa adversária montando plano de jogo em cima dele. O caminho para isso quase sempre passa por três coisas: eficiência comprovada em amostra reduzida, aumento previsível de participação, e um time que não atrapalhe.

Os dez nomes abaixo têm pelo menos duas dessas três. E cada um deles tem um número na ficha que explica por que ele está aqui.

TreVeyon Henderson, RB, New England Patriots

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Foto: Reprodução/New England Patriots

Henderson terminou o ano de calouro com 911 jardas terrestres, 5,1 por corrida e 9 touchdowns. Some as recepções e chega a 1.132 jardas de scrimmage e 10 touchdowns em 215 toques. Agora o número que interessa de verdade: ele jogou menos de 46% dos snaps ofensivos de New England. Isso é um running back produzindo como titular sem nunca ter sido titular.

O tipo de produção importa tanto quanto o volume. Foram quatro touchdowns de corrida de 50 jardas ou mais, marca que empata o recorde de calouro de Saquon Barkley, e nenhum outro jogador da liga teve mais de dois em 2025. A corrida de 69 jardas contra Buffalo foi a mais longa da temporada inteira da NFL. No jogo aéreo, ele converteu 83% dos alvos, o que para um running back de segunda rodada é dado de terceira descida garantida.

O freio se chama Rhamondre Stevenson, que teve um bom ano e tem contrato até 2028. E vale registrar o outro lado: nos playoffs Henderson apanhou, com 30 corridas para 76 jardas em quatro jogos, média de 2,5. Foi o pior momento da temporada dele. Ainda assim, um back com 5,1 de média em regime de meio expediente é candidato natural a 1.400 jardas de scrimmage se a participação subir para 60%.

JogadorJardas TerrestresJardas por CorridaTouchdowns
TreVeyon Henderson9115,19
Rhamondre Stevenson6034,67

Ashton Jeanty, RB, Las Vegas Raiders

ashton jeanty las vegas raiders nfl

Foto: AP Photo

Jeanty é o oposto exato de Henderson. Liderou todos os calouros em jardas terrestres, com 975, mas fez isso com 3,7 jardas por corrida, a pior média de um líder de corrida entre novatos desde Trent Richardson em 2012. Volume sem eficiência, para a sexta escolha geral do Draft.

Os números por baixo contam outra história. Na primeira metade da temporada ele já aparecia em segundo lugar na liga em tackles quebrados, com 16, e em sétimo em jardas após contato, com 321. Traduzindo: o cara estava criando sozinho aquilo que a linha ofensiva não entregava. Jeanty passou o ano recebendo a bola em situação perdida e transformando perda de três em ganho de dois, o que não aparece na média por corrida, mas aparece na taxa de conversão de descida.

O ambiente ao redor era um desastre documentado. A ESPN reportou que a linha ofensiva do Raiders se reunia por conta própria com Jeanty e Geno Smith, sem os treinadores, e que jogadores reclamavam da qualidade do trabalho técnico nos treinos individuais. Para 2026 mudou quase tudo: Klint Kubiak, coordenador ofensivo do Seattle campeão, chegou como head coach e vai chamar as jogadas, e o quarterback será Fernando Mendoza ou Kirk Cousins. Jeanty é o nome desta lista com a maior distância possível entre o que mostrou e o que é.

Luther Burden III, WR, Chicago Bears

luther burden iii chicago bears nfl

Foto: Sergio Estrada/Imagn Images

Burden começou 2025 apagado, se recuperando fisicamente e sem função clara no ataque. A partir da semana 9 virou outro jogador: 446 jardas recebidas nesse recorte, número que na liga inteira só um outro calouro superou. Fechou o ano com 652 jardas recebidas, nota 76,7 do PFF e 0,28 de contribuição para vitórias, o segundo entre todos os novatos do Bears.

A jogada que define o potencial dele aconteceu contra Dallas. Um touchdown de 65 jardas em que a bola viajou 62,1 jardas no ar, a recepção mais longa em jardas aéreas na temporada inteira. Burden não é só o cara de jardas pós-recepção, que era o rótulo que ele carregava saindo de Missouri. Ele ganha de forma vertical e ganha depois da recepção, combinação que quase nenhum recebedor calouro entrega.

A dúvida legítima é dividir bola com Rome Odunze e Colston Loveland num ataque que já tem hierarquia. Mas com a saída de DJ Moore e de Olamide Zaccheaus, sobraram alvos na mesa. Chicago se tornou o primeiro time da era do Super Bowl a ter três calouros com pelo menos 650 jardas de scrimmage no mesmo ano, e Burden é o mais explosivo dos três.

JogadorJardas RecebidasJardas por RecepçãoTouchdowns
Luther Burden III65213,92
Rome Odunze661156
Colston Loveland71312,36

Colston Loveland, TE, Chicago Bears

colston loveland chicago bears nfl

Foto: Michael Reaves

Se falamos de Burden, temos de falar de Loveland… e seu caso é o mais fácil de defender com números. Ele fechou o ano de calouro com 58 recepções para 713 jardas e 6 touchdowns e virou o primeiro novato a liderar os Bears em jardas recebidas desde Willie Gault, em 1983. O último tight end calouro a fazer isso em Chicago foi Mike Ditka, em 1961.

O que sustenta a projeção é o recorte final. Em jardas por rota corrida, métrica que divide a produção pelo número de vezes que o cara efetivamente saiu para receber, Loveland fechou o ano em 1,86, atrás apenas de George Kittle, que teve 2,18. Nos seis jogos finais, subiu para 2,42. E nos últimos quatro jogos, incluindo dois de playoff, foram 28 recepções para 378 jardas e 2 touchdowns, com 29% dos alvos do time, a maior fatia de qualquer jogador de Chicago naquele intervalo.

O PFF deu 85,3 de nota geral em 818 snaps e 0,514 de contribuição para vitórias, o melhor entre tight ends calouros da liga. Caleb Williams claramente confia: o rating de passador dele mirando Loveland passava de 128 na metade da temporada. Com DJ Moore trocado, sobram 90 alvos disponíveis esperando por ele.

Emeka Egbuka, WR, Tampa Bay Buccaneers

emeka egbuka tampa bay buccaneers nfl

Foto: Rich von Biberstein/Icon Sportswire

Egbuka teve a temporada de calouro mais esquizofrênica de 2025. Nos cinco primeiros jogos, 25 recepções para 445 jardas e 5 touchdowns, virando o primeiro jogador da história da NFL a somar 25 recepções, 400 jardas e 5 touchdowns nas cinco partidas iniciais de carreira. Foi Rookie Ofensivo do Mês em setembro e caminhava para 1.200 jardas.

Aí veio a lesão na coxa contra o San Francisco, na semana 6, e o ano desandou. Nos oito jogos finais ele não marcou nenhum touchdown e só uma vez passou de 50 jardas recebidas. O detalhe cruel é que o volume continuou: entre as semanas 6 e 15 ele recebia quase nove alvos por jogo. Não faltou bola, faltou eficiência, o que aponta muito mais para condição física do que para ajuste defensivo.

Mesmo assim, fechou com 63 recepções, 938 jardas e 6 touchdowns em 127 alvos, segundo entre todos os calouros em jardas recebidas e primeiro em média por recepção, com 14,9. Fez isso servindo de WR1 improvisado num ataque em que Mike Evans, Chris Godwin e Jalen McMillan se revezaram no departamento médico. Se aquela coxa foi a explicação da queda, o Egbuka das cinco primeiras semanas é o Egbuka real, e aquele cara termina 2026 entre os dez melhores recebedores da liga.

Tetairoa McMillan, WR, Carolina Panthers

tetairoa mcmillan carolina panthers nfl

Foto: Joe Camporeale/Imagn Images

McMillan é o único desta lista que já ganhou prêmio individual. Foi Rookie Ofensivo do Ano em 2025, o segundo da história de Carolina depois de Cam Newton em 2011, com 1.014 jardas recebidas e 7 touchdowns, ambos os melhores números entre calouros.

O dado que mais impressiona é a dependência. Ele foi responsável por 30,7% das jardas recebidas do time, a sexta maior taxa da NFL inteira. Recebedor calouro carregando esse peso costuma despencar no segundo semestre, quando as defesas passam a rodar cobertura dupla em cima dele. McMillan não despencou, e fez isso com Bryce Young ainda em construção e sem nenhum outro recebedor de respeito ao lado.

O perfil também vai contra a corrente. Numa liga dominada por recebedores pequenos que ganham no espaço, McMillan é um corpanzil que vence bola dividida e trabalha o downfield, o que dá a ele um teto de red zone que quase ninguém desta lista tem. O que segura é a mão: ele terminou a primeira metade da temporada entre os calouros com mais passes dropados. Corrigido esse detalhe, a diferença entre 1.000 e 1.400 jardas é pequena.

Laiatu Latu, EDGE, Indianapolis Colts

laiatu lato indianapolis colts nfl

Foto: Reprodução/Indianapolis Colts

Latu subiu de 4 sacks no ano de calouro para 8,5 no segundo ano, jogando 16 partidas como titular em 68% dos snaps defensivos. Anotou ainda 45 tackles, 5 passes desviados e, o dado mais estranho e mais divertido da ficha dele, 3 interceptações. Um defensive end com três picks é raridade estatística que fala sobre leitura de jogada, não sobre sorte.

O contexto empurra a favor. Os Colts perderam Kwity Paye e Samson Ebukam na offseason, então Latu herda a liderança do grupo e as melhores situações de pass rush. E o time terminou 2025 em 31º lugar em jardas aéreas cedidas, ou seja, precisa desesperadamente de pressão. O coordenador defensivo Lou Anarumo já cravou publicamente que espera dez ou mais sacks dele nesta temporada.

Anarumo também apontou o ponto técnico que interessa: Latu chegou à liga com a parte superior do corpo subdesenvolvida para o padrão da posição e passou dois anos corrigindo isso. Pass rusher que ganha por técnica e timing costuma ter curva mais lenta e mais duradoura que o atleta puro. Dez sacks colocam o nome dele em qualquer conversa de Pro Bowl.

Abdul Carter, EDGE, New York Giants

abdul carter new york giants nfl

Foto: Stephen R. Sylvanie/Imagn Images

Carter é o caso mais gritante de desconexão entre processo e resultado na liga hoje. Terceira escolha geral de 2025, ele somou 66 pressões ao quarterback, empatado em 12º lugar na NFL inteira. Entre calouros, ninguém chegou perto: o segundo colocado, James Pearce Jr., teve 45. Vinte e uma pressões de diferença em uma classe considerada boa.

E aí vem o número que estraga tudo. Dessas 66 pressões, apenas 4 viraram sacks. A taxa de conversão dele ficou em 211º entre 271 jogadores com pelo menos 100 snaps de pass rush. Ou seja, ele chegou perto do quarterback como um dos doze melhores da liga e finalizou como reserva. Isso costuma ser corrigível, porque pressão é habilidade repetível e sack depende de finalização e de sorte de timing. Jogadores com esse perfil historicamente veem os dois números se aproximarem no ano seguinte.

O contexto ajuda. Ele joga ao lado de Brian Burns, que fez 16,5 sacks e terminou em segundo na liga, então a proteção adversária não pode se dedicar a ele. Os Giants ainda gastaram a quinta escolha de 2026 em Arvell Reese para reforçar o setor. E Carter foi usado no edge, no interior e como linebacker, com pelo menos 40 snaps em cada função antes da semana 6, versatilidade que amplia as formas de chegar no quarterback.

JogadorTackles TotaisSacksFumbles Forçados
Abdul Carter4342
Brian Burns6716,53

Byron Murphy II, DT, Seattle Seahawks

byron murphy ii seattle seahawks nfl

Foto: Reprodução/Seattle Seahawks

Aqui tem um detalhe de calendário que muda a leitura. Murphy fechou a temporada regular com 7 sacks, empatado na liderança dos Seahawks com Uchenna Nwosu e Leonard Williams, e depois somou 2 sacks e uma recuperação de fumble no Super Bowl LX contra o New England. Jogou o melhor jogo da vida dele no maior palco possível, num time campeão.

O salto de produção é o que impressiona. No ano de calouro foram 0,5 sack em 244 snaps de pass rush. No segundo ano, 50 pressões totais, sendo 38 hurries e 3 acertos, além de 62 tackles, 7 tackles for loss e 13 acertos no quarterback. A nota do PFF como pass rusher foi 76,6, décima terceira entre 134 defensive linemen interiores da liga. Saindo da faculdade, ele já tinha 20,3% de taxa de vitória em situações puras de passe, sétima melhor da posição.

Tem um buraco no currículo e não adianta esconder: a nota contra a corrida foi 53,4, apenas 72ª na posição. Se ele quiser ser considerado o melhor defensive tackle da liga, e ele disse publicamente que quer, precisa segurar a corrida melhor do que segurou. O objetivo declarado para 2026 é sack de dois dígitos, o que para um DT é território de All-Pro.

Nick Emmanwori, S, Seattle Seahawks

Nick Emmanwori seattle seahawks nfl

Foto: Lindsey Wasson/AP Photo

Emmanwori terminou em segundo na votação de Defensive Rookie of the Year e mesmo assim quase ninguém fora de Seattle sabe o nome dele. Escolha de segunda rodada em 2025, fechou o ano com mais de 80 tackles, mais de 10 passes desviados e múltiplos sacks, mesmo perdendo três jogos por lesão.

Essa combinação é raríssima. Nos últimos vinte anos, o único outro safety calouro a produzir essa linha foi Derwin James em 2018, que foi All-Pro de primeiro time no mesmo ano. E o número que separa ele do resto é a pressão: Emmanwori teve 17 pressões ao quarterback, e nenhum outro jogador da liga com 11 ou mais passes desviados chegou perto disso. Traduzindo, ele é usado como cobertura, como blitzer e como apoio de corrida, e não é passageiro em nenhuma das três.

O contexto favorece bastante. Ele joga numa defesa campeã do Super Bowl, comandada por um técnico que construiu carreira desenhando funções específicas para safeties híbridos. Com um ano inteiro de saúde e mais responsabilidade, é o tipo de jogador que aparece no Pro Bowl sem que ninguém tenha visto a curva acontecendo.

Fique esperto

As métricas que importam para essa lista não são as que aparecem no placar. Para os recebedores, jardas por rota corrida e alvos de red zone. Para os corredores, participação de snaps e jardas após contato. Para os pass rushers, pressões totais, porque sack é consequência. Para os defensores de secundária, aproveitamento permitido e passes desviados.

Se essas subirem, o resto sobe junto. É assim que a conta funciona.

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