As novas regras de arbitragem já começaram a ser aplicadas no final de semana da 23ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A.
Segundo um levantamento publicado pelo jornalista Vitor Sergio Rodrigues, da TNT, a bola rolou por 55 minutos e 5 segundos, na média, nos 10 jogos.
Antes da pausa para a Copa do Mundo, a média era de 52 minutos e 54 segundos. São 2 minutos e 11 segundos a mais de bola rolando por partida, um crescimento de 4.1%.
Ainda é muito cedo para falar em mudança definitiva, mas o balanço é positivo. A própria CBF vem demonstrando a preocupação com o tempo de jogo, veja mais sobre os estudos recentes da entidade.
O que mudou com as novas regras?
O pacote de novas regras e medidas vem com o objetivo de tornar o jogo mais fluido, com foco nos momentos em que a bola está fora de jogo:
- Cobranças demoradas;
- Substituições lentas;
- Atendimentos médicos;
- Reclamações;
- Situações envolvendo o VAR.
Confira as principais mudanças:
Fonte: CBF
O VAR também ganhou uma nova possibilidade de revisão em situações de segundo cartão amarelo que resulte em expulsão.
Já a revisão de um escanteio concedido por engano foi aprovada para 2027 e, portanto, não faz parte deste primeiro teste.
O primeiro resultado: mais 2min11s de bola rolando
Segundo o levantamento do jornalista, a média da rodada passou de 52min54s para 55min05s.
A maior média da história foi de 2019, com 55min10s. Ou seja, a primeira rodada ficou somente cinco segundos abaixo.
Ranking do tempo de jogo na 23ª rodada
O grande destaque da rodada foi o empate por 1 a 1 entre Athletico-PR e Red Bull Bragantino, com 60 minutos e 18 segundos de bola rolando em 97 minutos e 04 segundos de jogo.
Isso representa aproximadamente 62% do tempo total da partida com a bola efetivamente em jogo. Veja o ranking completo:
| Pos. | Jogo | Tempo de bola rolando |
|---|---|---|
| 1º | Athletico 1x1 RB Bragantino | 60:18 |
| 2º | São Paulo 1x1 Coritiba | 58:30 |
| 3º | Atlético-MG 3x0 Grêmio | 57:16 |
| 4º | Corinthians 1x2 Cruzeiro | 56:57 |
| 5º | Chapecoense 3x3 Bahia | 56:39 |
| 6º | Mirassol 1x5 Flamengo | 55:43 |
| 7º | Internacional 1x1 Remo | 53:37 |
| 8º | Vitória 1x0 Botafogo | 52:45 |
| 9º | Fluminense 3x2 Palmeiras | 52:12 |
| 10º | Vasco 0x3 Santos | 48:58 |
Aplicando essa diferença hipoteticamente aos 380 jogos de uma temporada, seriam cerca de 830 minutos adicionais de bola rolando, quase 14 horas de futebol efetivamente disputado.
É apenas uma projeção matemática, obviamente. Uma rodada não é suficiente para prever o comportamento da competição inteira.
Só um jogo ficou abaixo dos 50 minutos
Apenas o empate entre Internacional e Remo ficou abaixo dos 50 segundos.
Segundo o Relatório de Arbitragem da CBF Academy, 26% dos jogos da edição atual do Brasileirão tinham menos de 50 minutos de bola rolando.
Na rodada 23, a porcentagem foi de 10%. Veja os números em outras ligas:
| Liga | % |
|---|---|
| La Liga | 14.2 |
| Serie A Italiana | 13.9 |
| Ligue 1 | 7.5 |
| Premier League | 6.8 |
| Bundesliga | 6.2 |
Por que a CBF começou a se preocupar com o tempo de jogo?
A CBF quer aumentar o tempo de bola rolando porque considera esse indicador um dos principais sinais de qualidade e atratividade do futebol.
Quanto mais tempo a bola permanece em jogo, mais dinâmica tende a ser a partida, melhorando a experiência do torcedor, o produto televisivo e a competitividade do campeonato.
O objetivo não é simplesmente aumentar a duração das partidas, mas reduzir o tempo perdido com faltas, cobranças, atendimentos médicos, VAR e outras interrupções.
O Brasileirão vinha perdendo tempo de jogo
Em 2019, o campeonato tinha 55min10s de bola rolando. Já em 2026, antes da parada para a Copa, eram 52min54s, uma queda de 2min16s por partida.
A tendência não foi linear em todos os anos, mas o diagnóstico da CBF aponta uma perda importante de eficiência nos últimos anos.
Fonte: CBF Academy
O contraste com o tempo de acréscimo
O mais curioso é que o Brasileirão apresentava o maior tempo total de jogo entre as competições comparadas com o relatório.
Ao todo, a Séria A registrava 12 minutos e 41 segundos de acréscimo por jogo. Veja o ranking:
| Liga | Tempo médio | Porcentagem de reposição |
|---|---|---|
| Brasileirão Série B | 11:23 | 22% |
| MLS | 10:58 | 25% |
| Premier League | 10:30 | 23% |
| Bundesliga | 9:37 | 22% |
| Ligue 1 | 9:19 | 22% |
| La Liga | 9:17 | 21% |
Essa é uma das conclusões mais interessantes do relatório da CBF: aumentar o acréscimo não resolve necessariamente o problema.
Ou seja, é possível ter uma partida de mais de 100 minutos e, ainda assim, relativamente pouco tempo de futebol efetivamente disputado.
O objetivo das novas regras é atuar justamente nesse ponto: recuperar segundos durante a própria partida, e não apenas compensá-los depois.
Onde o futebol brasileiro mais perde tempo nos jogos?
Faltas
As faltas se destacam como grande problema. A média no Brasileirão é de 28.6 faltas por partida, contra 23.7 na Premier League, quase 5 a mais por jogo.
Cada falta, consumia, em média, 36,6 segundos no Brasileirão. Na Premier League, o número é de 33.9s.
Confira o ranking completo divulgado pela CBF:
Fonte: CBF Academy
No acumulado, o Brasileirão perde cerca de 1.045 segundos por partida, contra 806 segundos da Premier League, uma diferença de quase 5 minutos por jogo.
Reinícios
As faltas não são o único problema. Somando laterais, tiros de meta, escanteios, gols e outros reinícios, o Brasileirão perdia 1.895 segundos por partida.
Nas cinco ligas europeias usadas como comparação, eram 1.734 segundos, cerca de 161 segundos ou 2 minutos e 41 s a mais por jogo.
O dado sugere que o Brasil não necessariamente para muito mais vezes em todos os tipos de lance, mas sim que a bola demora mais para voltar a rolar.
Dados oficiais da CBF
Veja os números médios de paradas nos jogos do Brasileirão e em outras ligas:
| Evento | Brasileirão Série A 2026 | Premier League | Bundesliga | Ligue 1 | Serie A Italiana | La Liga |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Laterais | 36.1 | 35.8 | 38.3 | 34.7 | 36.1 | 37.2 |
| Faltas | 28.6 | 23.7 | 23.2 | 26.2 | 27.3 | 27.8 |
| Tiros de meta | 15.6 | 15.5 | 15.2 | 14.8 | 14.9 | 15.1 |
| Escanteios | 10.0 | 10.0 | 9.8 | 9.6 | 8.8 | 9.7 |
| Gol | 2.6 | 2.8 | 3.2 | 2.8 | 2.4 | 2.7 |
| Bola ao chão | 1.8 | 1.2 | 1.2 | 1.7 | 1.6 | 1.3 |
| Faltas diretas | 1.0 | 0.7 | 0.7 | 0.6 | 0.7 | 0.7 |
| Fim de tempo | 0.8 | 0.5 | 0.7 | 0.6 | 0.6 | 0.7 |
| Pênaltis | 0.3 | 0.2 | 0.4 | 0.4 | 0.3 | 0.4 |
Agora veja o tempo que se perde em cada um deles:
| Evento | Brasileirão | Premier League | Bundesliga | Ligue 1 | Serie A Italiana | La Liga |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Laterais | 573s | 620s | 600s | 498s | 567s | 580s |
| Faltas | 1045s | 806s | 771s | 869s | 876s | 887s |
| Tiro de meta | 484s | 466s | 430s | 412s | 430s | 433s |
| Escanteios | 321s | 355s | 329s | 307s | 282s | 299s |
| Gols | 235s | 225s | 231s | 218s | 193s | 213s |
| Bola ao chão | 113s | 91s | 78s | 103s | 85s | 79s |
| Faltas diretas | 97s | 57s | 51s | 49s | 59s | 49s |
| Fim de tempo | 17s | 4s | 12s | 12s | 9s | 11s |
| Pênaltis | 44s | 40s | 53s | 55s | 50s | 53s |
Atendimento médico
Há uma boa notícia no diagnóstico anterior: as paradas médicas já vinham caindo. Entre 2025 e 2026, a média passou de 3,9 para 3,5 atendimentos por jogo.
O tempo perdido caiu de 237,6 para 218 segundos por partida.
Mesmo assim, o Brasileirão ainda apresentava mais interrupções médicas e maior consumo de tempo do que as principais ligas europeias.
A nova regra do minuto fora busca reduzir tanto atendimentos desnecessários quanto o impacto dessas interrupções sobre a partida.
VAR
O Brasileirão apresentava 0,47 parada de VAR por jogo, com média de 30,5 segundos perdidos por partida.
Cada intervenção consumia aproximadamente 64 segundos. Era um dos índices mais altos entre as competições analisadas.
Veja o ranking:
| Liga | Tempo (s) |
|---|---|
| Brasileirão 2025 | 69 |
| Serie A Italiana | 68 |
| Brasileirão 2026 | 64 |
| Premier League | 54 |
| Ligue 1 | 42 |
| La Liga | 41 |
| Bundesliga | 37 |
A possibilidade de revisão de um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão amplia o escopo do VAR.
Porém, também torna importante acompanhar se essas novas checagens vão gerar mais tempo parado ou se resultarão em correções mais rápidas.
O grande objetivo da CBF
O relatório da CBF mostra que nenhuma das principais ligas chega à uma média de 60 minutos de bola rolando.
Por isso, a referência mais realista é algo próximo de 57 minutos. Segundo a média da rodada 23, falta aproximadamente 1 minuto e 55 segundos por partida para esse patamar.
No entanto, para o longo prazo, a CBF pretende atingir os 60 minutos. Para isso, o documento da CBF Academy oferece uma série de orientações para as equipes de arbitragem.
Prioridades da CBF
- reduzir a quantidade de faltas;
- acelerar a reposição de bola;
- agilizar laterais, tiros de meta e substituições;
- limitar as reclamações ao capitão;
- combater atendimentos médicos e outras formas de cera;
- reduzir o tempo do VAR;
- priorizar o VAR semiautomático;
- realizar as pausas para hidratação apenas quando as condições climáticas justificarem.
Assim, o sonho da CBF é chegar na média de 57 minutos e 40 segundos de bola rolando. Resta aguardar até o fim do campeonato.

