Estatísticas exigem que Vasco das copas apareça para salvar o time do rebaixamento

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Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado ago 24, 2026 - Última atualização ago 24, 2026

O Vasco vive uma situação bem curiosa em 2026: enquanto avança nas copas, sofre na luta contra o rebaixamento no Brasileirão.

A diferença entre os dois cenários aparece nos números. Na última quinta, o time goleou o Olimpia por 4×1 no Paraguai pela Sul-Americana.

Porém, três dias depois, perdeu por 4×1 para o Palmeiras, sofrendo quatro gols em apenas 11 minutos no segundo tempo.

O que explica essa queda de rendimento? E mais, como usar o desempenho nas Copas para se salvar no Brasileirão?

Os problemas do Vasco no Brasileirão

Veja como o Vasco vem sofrendo no Campeonato Brasileiro em comparação com as Copas:

O ataque que desaparece dentro do Brasileirão

No Brasileirão 2026, a posse de bola média do Vasco é de 53.9%. Já na Sul-Americana, é de 54.1%, um número praticamente idêntico.

O pior mesmo é como o time cria chances. Veja os dados do Sofascore:

  • Grandes chances criadas por jogo: 2,1 no Brasileirão x 3,5 na Sul-Americana
  • Chutes certos por jogo: 5,0 no Brasileirão x 6,0 na Sul-Americana
  • Chutes totais por jogo: 17,3 no Brasileirão x 15,0 na Sul-Americana

O resultado disso é uma conversão de gols de apenas 6% no Brasileirão, praticamente a metade da conversão registrada na Sul-Americana (11%).

Em números absolutos, a média de gols marcados por jogo confirma o abismo:

  • Brasileirão: 1,04 gol/jogo
  • Copa do Brasil: 1,8 gol/jogo
  • Sul-Americana: 1,7 gol/jogo

O Vasco não tem um problema de posse. Tem um problema de transformar posse em gol, e esse problema só aparece quando o adversário é do Brasileirão.

A defesa que desmorona no torneio que mais importa

Se o ataque perde força, a defesa perde ainda mais consistência. Os números por competição em 2026:

  • Brasileirão: 1,65 gol sofrido/jogo
  • Copa do Brasil: 0,75 gol sofrido/jogo, com 2 jogos sem sofrer gols em 4 partidas
  • Sul-Americana: 0,9 gol sofrido/jogo

O Vasco sofre mais que o dobro de gols por partida no Brasileirão do que sofre nas duas competições de mata-mata somadas.

É essa defesa, e não só o ataque travado, que explica por que o time perde pontos que nas copas ele simplesmente não perderia.

Histórico igual nos anos anteriores

O sofrimento no Brasileirão e bom desempenho nas copas não vem de hoje. Confira os dados, segundo o Sofascore:

CompetiçãoJogosGols próGols contraMédia próAproveitamento
Brasileirão 20243843561.1344%
Copa do Brasil 20241016141.6047%
Brasileirão 20253755601.4539%
Copa do Brasil 2025121691.1350%
Sul-Americana 2026101791.7066.7%
Copa do Brasil 20264731.8067%
Brasileirão 20262324381.0031%

O problema do Vasco não é apenas marcar pouco, já que são 24 gols marcados e 38 sofridos ao longo dos 23 jogos até aqui.

Então, a média é de 1.04 gols marcados e 1.65 sofridos por partida. Mas há uma estatística para ajudar a dimensionar o problema:

  • O Vasco finaliza 17.3 vezes por jogo, mas converte apenas 6% das finalizações em gol. São 2.1 grandes chances criadas por partida, com 1.5 desperdiçadas.

Ou seja: não é um time que simplesmente não chega ao ataque. O Vasco chega, o problema é transformar volume em resultado.

Isso fica ainda mais evidente porque, mesmo com uma média de 17,3 finalizações por jogo, o time marcou somente 24 vezes em 23 partidas.

A saída de Vegetti e Rayan deixou um buraco enorme

Em 2025, Rayan e Pablo Vegetti marcaram 14 gols cada um no Brasileirão.

Juntos, foram responsáveis por 28 dos 55 gols do Vasco no campeonato, ou sejam 50.9% de toda a produção ofensiva.

Não é coincidência que a saída dos dois tenha sido tratada pelo ge como uma perda de metade dos gols produzidos pelo Vasco em 2025.

Raio-x dos gols do Vasco no Brasileirão

Os gols do Vasco têm uma característica bastante clara: eles aparecem principalmente no segundo tempo e, sobretudo, na reta final das partidas.

A equipe marca, em média, 0,91 gol no primeiro tempo, contra 1,78 no segundo. Ou seja, a produção ofensiva após o intervalo é praticamente o dobro da primeira etapa.

A distribuição por períodos de 15 minutos deixa isso ainda mais evidente:

Período% dos gols
0-158%
16-3011%
31-4515%
46-6019%
61-7518%
76-9029%

Quase 1 em cada 3 gols do Vasco sai entre os 76 e os 90 minutos.

É justamente o período de maior produção ofensiva da equipe. Os primeiros 15 minutos, por outro lado, concentram apenas 8% dos gols.

Se dividirmos a partida em dois tempos, o contraste é ainda maior:

  • Primeiro tempo: 34,8% dos gols
  • Segundo tempo: 65,2% dos gols

O Vasco, portanto, é uma equipe que vai construindo sua produção ofensiva ao longo da partida e chega ao seu pico nos minutos finais.

Outro dado reforça essa característica: 74% dos jogos têm pelo menos um gol no segundo tempo, contra 70% no primeiro.

Além disso, a média de gols totais no segundo tempo é de 1,78, contra apenas 0,91 na etapa inicial.

E como são os placares?

O resultado mais frequente nos jogos do Vasco é o 2 a 1, registrado em 21,7% das partidas. Depois aparecem 1 a 1 (17,4%) e 1 a 0 (13%).

Em relação ao total de gols, 3 gols acontecem em 34,8% dos jogos, enquanto partidas com apenas um gol representam 21,7%.

As Copas oferecem uma resposta?

O elenco que joga as copas é, em boa parte, o mesmo que joga o Brasileirão.

Os artilheiros da temporada — Thiago Mendes e Andrés Gómez, com 4 gols cada — dividem minutos entre as competições, assim como o restante do elenco ofensivo.

Análise das formações

Contra o Palmeiras, o treinador Pedro Emanuel entrou com um 4-1-4-1, trazendo o que se imagina como o time titular, ocupando o seguinte posicionamento no campo:

foto de palmeiras x vascp

Fonte: Sofascore

Já no jogo contra o Olímpia, o time atuou formalmente num 4-3-3, mas teve uma distribuição não tão diferente assim.

foto da disposiçaõ em campo do vasco contra o olimpia

Fonte: Sofascore

No jogo contra o Santos, foi outra formação, com um 4-2-3-1, tentando novamente ocupar o campo ofensivo, mas sofreu um 3×0. Veja a disposição em campo:

foto do vasco contra o santos

Fonte: Sofascore

Na vitória contra o Fluminense, pela Copa do Brasil, o time entrou no 4-3-3, mas a disposição em campo foi a seguinte:

formação do time do vasco contra o fluminense

Fonte: Sofascore

Então, uma análise mais fria mostra como o 4-3-3 funciona melhor para o Vasco, mas o time tem dificuldade para impor o mesmo volume de jogo no Brasileirão.

A questão é que o treinador Pedro Emanuel ainda está conhecendo o elenco. O português chegou em julho, e só tem 11 jogos à frente do comando.

A matemática da permanência

Após a derrota para o Palmeiras, o Vasco tem 22 pontos em 23 jogos, com 5 vitórias, 7 empates e 11 derrotas, sendo que nas últimas 8 rodadas, conseguiu apenas 2 pontos de 24 possíveis.

A média história de “salvação”, que funcionou para o Vasco em 2025, é de 45 pontos. Faltam 15 jogos para o fim do Brasileiro. Logo:

  • Pontuação de referência: 45
  • Vasco: 22
  • Precisa conquistar: 23 pontos
  • Pontos em disputa: 45
  • Aproveitamento necessário: 51,1%
  • Média necessária: 1,53 ponto por jogo

Alguns caminhos:

Cenário nos 15 jogosPontosPontuação final
5V + 5E + 5D2042
6V + 3E + 6D2143
7V + 3E + 5D2446
6V + 6E + 3D2446
7V + 4E + 4D2527
8V + 1E + 6D2547
8V + 3E + 4D2749

O Vasco consegue isso nas Copas

Se o Vasco jogasse o restante do Brasileirão com o aproveitamento ofensivo da Sul-Americana (1,7 gol marcado/jogo) e o aproveitamento defensivo da Copa do Brasil (0,75 gol sofrido/jogo), a distância até os 43-45 pontos necessários deixaria de ser uma sentença e passaria a ser uma meta plausível.

O time já mostrou um aproveitamento como o que precisa nas competições nacionais e sul-americanas. O caminho é imprimir o mesmo ritmo no Brasileirão.

Mas como isso pode ser feito? Saindo de uma das Copas? A resposta é com o próprio Vasco.

Quanto vale o primeiro gol na Libertadores? Veja o que dizem os números!

 

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