Matheus Lima/Vasco.
O Vasco vive uma situação bem curiosa em 2026: enquanto avança nas copas, sofre na luta contra o rebaixamento no Brasileirão.
A diferença entre os dois cenários aparece nos números. Na última quinta, o time goleou o Olimpia por 4×1 no Paraguai pela Sul-Americana.
Porém, três dias depois, perdeu por 4×1 para o Palmeiras, sofrendo quatro gols em apenas 11 minutos no segundo tempo.
O que explica essa queda de rendimento? E mais, como usar o desempenho nas Copas para se salvar no Brasileirão?
Os problemas do Vasco no Brasileirão
Veja como o Vasco vem sofrendo no Campeonato Brasileiro em comparação com as Copas:
O ataque que desaparece dentro do Brasileirão
No Brasileirão 2026, a posse de bola média do Vasco é de 53.9%. Já na Sul-Americana, é de 54.1%, um número praticamente idêntico.
O pior mesmo é como o time cria chances. Veja os dados do Sofascore:
- Grandes chances criadas por jogo: 2,1 no Brasileirão x 3,5 na Sul-Americana
- Chutes certos por jogo: 5,0 no Brasileirão x 6,0 na Sul-Americana
- Chutes totais por jogo: 17,3 no Brasileirão x 15,0 na Sul-Americana
O resultado disso é uma conversão de gols de apenas 6% no Brasileirão, praticamente a metade da conversão registrada na Sul-Americana (11%).
Em números absolutos, a média de gols marcados por jogo confirma o abismo:
- Brasileirão: 1,04 gol/jogo
- Copa do Brasil: 1,8 gol/jogo
- Sul-Americana: 1,7 gol/jogo
O Vasco não tem um problema de posse. Tem um problema de transformar posse em gol, e esse problema só aparece quando o adversário é do Brasileirão.
A defesa que desmorona no torneio que mais importa
Se o ataque perde força, a defesa perde ainda mais consistência. Os números por competição em 2026:
- Brasileirão: 1,65 gol sofrido/jogo
- Copa do Brasil: 0,75 gol sofrido/jogo, com 2 jogos sem sofrer gols em 4 partidas
- Sul-Americana: 0,9 gol sofrido/jogo
O Vasco sofre mais que o dobro de gols por partida no Brasileirão do que sofre nas duas competições de mata-mata somadas.
É essa defesa, e não só o ataque travado, que explica por que o time perde pontos que nas copas ele simplesmente não perderia.
Histórico igual nos anos anteriores
O sofrimento no Brasileirão e bom desempenho nas copas não vem de hoje. Confira os dados, segundo o Sofascore:
| Competição | Jogos | Gols pró | Gols contra | Média pró | Aproveitamento |
|---|---|---|---|---|---|
| Brasileirão 2024 | 38 | 43 | 56 | 1.13 | 44% |
| Copa do Brasil 2024 | 10 | 16 | 14 | 1.60 | 47% |
| Brasileirão 2025 | 37 | 55 | 60 | 1.45 | 39% |
| Copa do Brasil 2025 | 12 | 16 | 9 | 1.13 | 50% |
| Sul-Americana 2026 | 10 | 17 | 9 | 1.70 | 66.7% |
| Copa do Brasil 2026 | 4 | 7 | 3 | 1.80 | 67% |
| Brasileirão 2026 | 23 | 24 | 38 | 1.00 | 31% |
O problema do Vasco não é apenas marcar pouco, já que são 24 gols marcados e 38 sofridos ao longo dos 23 jogos até aqui.
Então, a média é de 1.04 gols marcados e 1.65 sofridos por partida. Mas há uma estatística para ajudar a dimensionar o problema:
- O Vasco finaliza 17.3 vezes por jogo, mas converte apenas 6% das finalizações em gol. São 2.1 grandes chances criadas por partida, com 1.5 desperdiçadas.
Ou seja: não é um time que simplesmente não chega ao ataque. O Vasco chega, o problema é transformar volume em resultado.
Isso fica ainda mais evidente porque, mesmo com uma média de 17,3 finalizações por jogo, o time marcou somente 24 vezes em 23 partidas.
A saída de Vegetti e Rayan deixou um buraco enorme
Em 2025, Rayan e Pablo Vegetti marcaram 14 gols cada um no Brasileirão.
Juntos, foram responsáveis por 28 dos 55 gols do Vasco no campeonato, ou sejam 50.9% de toda a produção ofensiva.
Não é coincidência que a saída dos dois tenha sido tratada pelo ge como uma perda de metade dos gols produzidos pelo Vasco em 2025.
Raio-x dos gols do Vasco no Brasileirão
Os gols do Vasco têm uma característica bastante clara: eles aparecem principalmente no segundo tempo e, sobretudo, na reta final das partidas.
A equipe marca, em média, 0,91 gol no primeiro tempo, contra 1,78 no segundo. Ou seja, a produção ofensiva após o intervalo é praticamente o dobro da primeira etapa.
A distribuição por períodos de 15 minutos deixa isso ainda mais evidente:
| Período | % dos gols |
|---|---|
| 0-15 | 8% |
| 16-30 | 11% |
| 31-45 | 15% |
| 46-60 | 19% |
| 61-75 | 18% |
| 76-90 | 29% |
Quase 1 em cada 3 gols do Vasco sai entre os 76 e os 90 minutos.
É justamente o período de maior produção ofensiva da equipe. Os primeiros 15 minutos, por outro lado, concentram apenas 8% dos gols.
Se dividirmos a partida em dois tempos, o contraste é ainda maior:
- Primeiro tempo: 34,8% dos gols
- Segundo tempo: 65,2% dos gols
O Vasco, portanto, é uma equipe que vai construindo sua produção ofensiva ao longo da partida e chega ao seu pico nos minutos finais.
Outro dado reforça essa característica: 74% dos jogos têm pelo menos um gol no segundo tempo, contra 70% no primeiro.
Além disso, a média de gols totais no segundo tempo é de 1,78, contra apenas 0,91 na etapa inicial.
E como são os placares?
O resultado mais frequente nos jogos do Vasco é o 2 a 1, registrado em 21,7% das partidas. Depois aparecem 1 a 1 (17,4%) e 1 a 0 (13%).
Em relação ao total de gols, 3 gols acontecem em 34,8% dos jogos, enquanto partidas com apenas um gol representam 21,7%.
As Copas oferecem uma resposta?
O elenco que joga as copas é, em boa parte, o mesmo que joga o Brasileirão.
Os artilheiros da temporada — Thiago Mendes e Andrés Gómez, com 4 gols cada — dividem minutos entre as competições, assim como o restante do elenco ofensivo.
Análise das formações
Contra o Palmeiras, o treinador Pedro Emanuel entrou com um 4-1-4-1, trazendo o que se imagina como o time titular, ocupando o seguinte posicionamento no campo:
Fonte: Sofascore
Já no jogo contra o Olímpia, o time atuou formalmente num 4-3-3, mas teve uma distribuição não tão diferente assim.
Fonte: Sofascore
No jogo contra o Santos, foi outra formação, com um 4-2-3-1, tentando novamente ocupar o campo ofensivo, mas sofreu um 3×0. Veja a disposição em campo:
Fonte: Sofascore
Na vitória contra o Fluminense, pela Copa do Brasil, o time entrou no 4-3-3, mas a disposição em campo foi a seguinte:
Fonte: Sofascore
Então, uma análise mais fria mostra como o 4-3-3 funciona melhor para o Vasco, mas o time tem dificuldade para impor o mesmo volume de jogo no Brasileirão.
A questão é que o treinador Pedro Emanuel ainda está conhecendo o elenco. O português chegou em julho, e só tem 11 jogos à frente do comando.
A matemática da permanência
Após a derrota para o Palmeiras, o Vasco tem 22 pontos em 23 jogos, com 5 vitórias, 7 empates e 11 derrotas, sendo que nas últimas 8 rodadas, conseguiu apenas 2 pontos de 24 possíveis.
A média história de “salvação”, que funcionou para o Vasco em 2025, é de 45 pontos. Faltam 15 jogos para o fim do Brasileiro. Logo:
- Pontuação de referência: 45
- Vasco: 22
- Precisa conquistar: 23 pontos
- Pontos em disputa: 45
- Aproveitamento necessário: 51,1%
- Média necessária: 1,53 ponto por jogo
Alguns caminhos:
| Cenário nos 15 jogos | Pontos | Pontuação final |
|---|---|---|
| 5V + 5E + 5D | 20 | 42 |
| 6V + 3E + 6D | 21 | 43 |
| 7V + 3E + 5D | 24 | 46 |
| 6V + 6E + 3D | 24 | 46 |
| 7V + 4E + 4D | 25 | 27 |
| 8V + 1E + 6D | 25 | 47 |
| 8V + 3E + 4D | 27 | 49 |
O Vasco consegue isso nas Copas
Se o Vasco jogasse o restante do Brasileirão com o aproveitamento ofensivo da Sul-Americana (1,7 gol marcado/jogo) e o aproveitamento defensivo da Copa do Brasil (0,75 gol sofrido/jogo), a distância até os 43-45 pontos necessários deixaria de ser uma sentença e passaria a ser uma meta plausível.
O time já mostrou um aproveitamento como o que precisa nas competições nacionais e sul-americanas. O caminho é imprimir o mesmo ritmo no Brasileirão.
Mas como isso pode ser feito? Saindo de uma das Copas? A resposta é com o próprio Vasco.
Quanto vale o primeiro gol na Libertadores? Veja o que dizem os números!

