
Rafael Ribeiro/CBF
O Brasil venceu o Japão por 2×1 com gol de Gabriel Martinelli aos 50 do segundo tempo e carimbou a ida para as oitavas da Copa do Mundo.
E o sofrimento do gol nos minutos finais escondeu uma verdade: o Brasil dominou o jogo em todos os números. E eles mesmo mostram essa análise. Confira!
Brasil dominou a posse e as ações
De acordo com os dados oficiais da FIFA, o Brasil ficou com 55% da posse da bola, contra 36% dos japoneses e 9% em disputa.
Ao todo, o Brasil teve 35 ações com a bola na área adversária, contra 11 dos japoneses. Por conta disso, os brasileiros sofreram 4 faltas no terço final e 1 impedimento.
Fonte: Opta
O Brasil teve 210 passes no terço final, contra apenas 55 dos japoneses. O Brasil acertou 87% dos passes nesse setor, enquanto os japoneses tentaram 80 vezes, com acerto de 69%.
Nesse sentido, o domínimo fica ainda mais claro: 107 entradas do Brasil no terço final contra 44 pelos japoneses.
Assim, fica claro como o Brasil dominou o jogo e ficou com a bola no campo japonês, ditando as ações e controlando a partida.
Brasil finalizou mais (ainda que com menor efetividade)
No primeiro tempo, o Brasil sofreu bastante para criar. Mesmo com a posse, não conseguiu verticalizar o jogo, principalmente com um Vinícius muito marcado.
Fonte: Opta
Mas com o somatório dos dois tempos, contabilizou 19 chutes contra apenas 5 dos japoneses. Desses 19, sete chutes ao gol, com 1 finalização na trave, 6 chutes próximos do gol e 12 dentro da área.
Os números japoneses foram muito mais baixos: 2 finalizações no gol, 1 próximo ao gol, 2 bloqueados e 2 dentro da área. No saldo total, o Japão aproveitou as chances marcando uma vez, mas chegou muito menos.
Um Brasil seguro na defesa
A chegada forte do contra-ataque que originou o gol japonês pode ter confundido as análises, mas é fato que o Brasil sofreu pouco no momento defensivo.
Os dados do Sofascore registram apenas 1 defesa do goleiro Alisson, contra 4 de Suzuki, sendo 1 grande defesa. Além disso, foram 4 bolas aéreas afastadas, 2 socos e 10 tiros de meta.
Ambos os times tiveram um erro que levou ao gol, com 38 recuperações de bola do Brasil, 12 desarmes e 9 interceptações. Os japoneses tiveram muito mais cortes: 45 contra 18 do Brasil.
Nos duelos, o Brasil também foi soberano: 55% contra 45% dos japoneses. O Brasil venceu 61% dos duelos no chão e acertou 50% dos dribles.
Só perdeu nos duelos aéreos: 46% contra 54% dos japoneses, muito em função do excesso de bolas alçadas na área que o Brasil tentou, sobretudo para buscar empatar o jogo.
Os grandes destaques do Brasil contra o Japão
Veja os nomes que fizeram a diferença pelo Brasil contra o Japão:
Casemiro
Apesar de altamente criticado nas redes sociais até o intervalo, Casemiro conseguiu se recuperar no jogo. O atleta ocupou muito espaço no meio-campo, com uma distribuição de 68 pases, com 89% de acerto.
Fonte: Sofascore
Além disso, marcou o gol de empate, acertando também 7 de 10 bolas longas, fazendo a diferença para o desafogo de pressão em momentos de congestionamento defensivo dos japoneses.
Ainda de acordo com a Sofascore, teve 91 ações com a bola, perdendo 9 vezes e conduzindo-a num total de 123.6m. Ao todo, foram 8 contribuições defensivas, com 4 cortes e 1 interceptação, além de 4 recuperações.
Bruno Guimarães
O meio-campista também fez um trabalho importante de ocupação de espaço no meio-campo, caindo mais pelo lado direito, onde realizou a maior parte dos passes, inclusive em boa verticalização da partida.
Fonte: Sofascore
Ao todo, foram 45 passes certos de 49 tentativas, uma precisão de 92%, com 1 bola longa e 4 passes decisivos. Um dos passes, inclusive, achou Gabriel Martinelli para marcar o gol da vitória.
Dupla Marquinhos e Gabriel Magalhães
A dupla de zaga do Brasil fez um jogo bastante efetivo, com Marquinhos preenchendo bem o lado direito, com o total de 7 ações defensivas, 1 interceptação, 3 duelos ganhos no chão e 4 cortes.
Já Gabriel Magalhães foi além até no setor ofensivo, com 1 assistência para o gol de Casemiro, 130 passes certos e 82 deles no campo adversário.
Juntos, os zagueiros acertaram mais de 220 passes, mostrando como o jogo do Brasil passou muito por essa parte do campo.
Outros bons nomes do Brasil:
- Vinícius Júnior não marcou gol nessa partida, mas conseguiu fazer um bom jogo, com 3 chutes, 2 ao gol, 35 passes certos (90%) e 3 dribles certos.
- Rayan: apesar do primeiro tempo ruim, Rayan cresceu na segunda etapa, com 2 passes decisivos, sendo 28 no total ao longo do jogo
- Gabriel Martinelli: o autor do gol da virada esteve em campo só por 24 minutos, mas não errou nenhum passe (13 acertos) e realizou 19 ações com a bola.
O que o Brasil ainda precisa melhorar?
O Brasil já aparenta estar mais pronto para o mata-mata da Copa, encontrando soluções em jogos complicados. Porém, alguns pontos da partida contra o Japão merecem atenção:
Problemas técnicos no primeiro tempo
Novamente, o Brasil fez um tempo bem melhor do que o outro, o que exige atenção na busca pelo equilíbrio.
Já foi assim contra o Marrocos e contra o Haiti, onde houve muita discrepância dos números em cada parte. O problema maior é que contra o Japão o Brasil foi mal na metade para frente da primeira etapa.
Essa entrada mais “desligada” do jogo pode se tornar perigosa em jogos grandes nas fases mais agudas da Copa.
Falta de apoio dos laterais
O Brasil ainda não conseguiu achar saídas ofensivas para os seus laterais. Contra o Japão, Douglas Santos fez um ótimo jogo defensivo, mas não conseguiu subir tanto para o ataque.
O jogador correu o campo todo, mas não conseguiu acertar nenhum dos 5 cruzamentos que tentou. Pelo outro lado, Danilo foi seguramente o pior do jogo.
Além de não subir para o ataque, o lateral brasileiro perdeu a bola que originou o gol japonês e ainda recebeu um cartão amarelo.
Falta de efetividade de Matheus Cunha
O Brasil não teve uma boa tarde com seus centroavantes. Matheus Cunha jogou 66 minutos, com 3 chutes, sendo um ao gol, mas pouca efetividade.
No segundo tempo, Endrick chegou a fazer a posição, mas teve problemas também, sendo uma das notas mais baixas no confronto.
O que esperar do Brasil?
O jogo contra o Japão foi um confronto muito difícil. Por mais que não figurasse no topo das favoritas para o título da Copa do Mundo, a Seleção Japonesa tinha qualidade para ser uma das zebras do torneio.
A Seleção Brasileira conseguiu fazer uma partida muito dominante, apesar de não ter sido tão plástica. A busca mesmo é pela contínua evolução ao longo dos próximos jogos.



Ontem foi no sofrimento. Emoçao até o ultimo momento. Casemiro surpreendente.