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Na tarde de segunda-feira (horário de Brasília), 22 de junho de 2026, Messi marcou os dois gols da vitória da Argentina sobre a Áustria pelo Grupo J da Copa do Mundo.
Com mais dois gols, o argentino se isolou na artilharia histórica das Copas, com 18 gols, dois a mais que Miroslav Klose, e promete brigar firme com Mbappé para mantê-la pelo máximo de tempo possível.
Quando o argentino levantou a taça da Copa do Mundo no Catar, em dezembro de 2022, muitos imaginaram que aquele seria o final perfeito da carreira.
Fechava-se ali um ciclo de vida com Champions League, Copa América, Bolas de Ouro e outros tantos títulos nacionais. Porém, o futuro queria mais para o atleta.
Aos 38 anos, Messi alcançou um recorde pessoal: o maior artilheiro isolado das Copas. A pergunta é inevitável: isso aconteceu por “acaso” ou existia um plano desde 2022?
A saída da Europa rumo aos EUA
Em 2023, pouco mais de seis meses após o título da Copa do Mundo, o jogador deixou o Paris Saint-Germain, onde disputou 75 jogos e marcou 32 gols em duas temporadas.
Debby Wong / Shutterstock.com
Surpreendendo o mundo do futebol, o argentino saiu da Europa e acertou com o Inter Miami, dos Estados Unidos. Em entrevista a jornais espanhóis, o jogador relatou não ter sido feliz nos dois anos de PSG.
Segundo Messi na mesma entrevista, ele não gostaria de defender outro clube europeu que não o Barcelona. O ídolo chegou próximo de retornar ao clube catalão, mas o negócio não se concretizou.
“É certo que há pessoas da diretoria que não me querem de volta e acreditam que meu retorno não seria bom para o clube”, citou Messi ao Mundo Deportivo, ainda em 2023.
Por que o Inter Miami dos EUA?
A decisão de Lionel Messi chamou atenção na época, principalmente porque, então com quase 36 anos de idade, tinha mercado na Europa e no futebol árabe.
Pelo que se noticiou em 2023, a proposta do Inter Miami não era nem a maior que o jogador recebeu. Já em 2025, Messi deu mais detalhes sobre a escolha.
Em entrevista à Apple Music, Messi declarou que sempre quis jogar no futebol norte-americano e viu uma boa oportunidade para ajudar a liga a crescer globalmente.
Segundo o The Athletic, o argentino tem um contrato complexo com o Inter Miami que envolve, além do salário, participação em lucros e até em direitos televisivos.
Mas tudo indica que a escolha de Messi neste atual ciclo de Copa vai muito além do dinheiro.
A busca por uma vida mais leve
Lionel Messi nunca afirmou com essas palavras que foi para a MLS para ter uma vida mais leve.
Na entrevista à Apple Music, citou:
“Sinto-me bem e quero aproveitar todos os momentos da minha carreira. Estou curtindo meu clube, os jogos, minha família e meus amigos. Não quero antecipar nada e só quero continuar amando todos os instantes”, falou Messi em 2025.
Outros aspectos subjetivos parecem ter pesado na escolha da carreira. O Inter Miami oferece uma pressão bem menor por resultados que PSG e Barcelona, ou até o Manchester City, onde quase jogou.
O futebol nem é o mais popular nos EUA, e não são raros os momentos de “pessoa comum” do maior ídolo do Barcelona e da Argentina em terras norte-americanas.
Uma matéria do jornal AS, da Espanha, ainda em 2023, relatou a rotina tranquila do argentino.
Lionel Messi acorda cedo, prepara o café dos filhos, leva as crianças para a escola, treina, almoça em casa e depois busca as crianças.
Nas palavras do jornal, o atacante estava mais próximo de um pai de família comum do que de um astro do futebol.
O “controle de carga” e a diminuição do ritmo
De acordo com o Sofascore, em 2020/21, sua última temporada pelo Barcelona, Lionel Messi disputou 4.193 minutos em 47 jogos pelo time espanhol.
Na temporada anterior, jogou por 3.811 minutos, enquanto entrou em campo por 3.934 minutos em 2018/19.
No PSG, o jogador sofreu um pouco mais com a parte física, atuando por 2.872 minutos em 2021/22 e 3.637 minutos em 2022/23.
Já em suas duas primeiras temporadas pelo Inter Miami, jogou por 1.062 minutos em 2023 (considerando que chegou no meio do ano) e 1.986 minutos em 2024.
A temporada com maior minutagem foi em 2025, quando atuou em 49 partidas, com 4.157 minutos pela liga norte-americana.
Em 2026, até a Copa do Mundo, jogou 16 jogos, totalizando 1.423 minutos.
Enquanto no futebol europeu se exigia de Messi algo superior a pelo menos 3 mil minutos por ano, na MLS o jogador parece ter maior liberdade para se preservar ao longo da temporada.
Fonte: Sofascore
Um jogo menos faltoso
Segundo o StatMuse, entre as temporadas de 2014/15 e 2020/21, quando atuava pelo Barcelona, o jogador sofreu em média 77 faltas por ano na La Liga. Isso significa uma média superior a duas faltas por jogo.
Já no PSG, esses números diminuíram. Em dois anos, sofreu 71 faltas em 58 jogos na Ligue 1, uma média de 1,22 por partida.
Na MLS, os números estão mais baixos. De acordo com a ESPN, o jogador sofreu 26 faltas em 15 jogos em 2024, 35 faltas em 26 jogos em 2025 e 11 faltas em 7 jogos em 2026 pela MLS.
As médias de 1,37 a 1,70 por jogo são um pouco maiores que no futebol francês, mas ainda inferiores às registradas na liga espanhola.
Além de buscar uma liga menos intensa e com menor responsabilidade por títulos, Messi também foi atrás de um jogo menos “violento” para preservar sua integridade física.
A manutenção dos números altos
O atacante Lionel Messi foi muito menos cobrado pela torcida nos últimos anos, vivendo momentos de maior relaxamento e tranquilidade.
Porém, o jogador não estava “de férias” nos EUA. Seus números se mantiveram altos ao longo das temporadas. Veja:
- 2023: 14 jogos, 11 gols e 5 assistências
- 2024: 25 jogos, 23 gols e 13 assistências
- 2025: 49 jogos, 43 gols e 25 assistências
- 2026: 16 jogos, 13 gols e 7 assistências
Pela Seleção Argentina, a constância é bem parecida. Foram 29 jogos nos últimos anos, com 24 gols, já contando a atual Copa do Mundo.
Portanto, Messi ficou “mais tranquilo” e longe dos holofotes europeus, mas ainda manteve números altos.
O que mais a MLS oferece a Messi?
Além do conforto e do salário, a MLS oferece um calendário favorável para a Copa do Mundo.
Debby Wong / Shutterstock.com
Nos EUA, o campeonato começa em fevereiro e vai ao longo do ano, diferente do futebol europeu, que começa em agosto e termina em maio do ano seguinte.
Com isso, Messi chegou à Copa no auge da forma física, já que está exatamente no meio da temporada. Tudo isso com maior controle de minutos em campo e maior possibilidade de recuperação entre partidas.
Por fim, os Estados Unidos são a sede da Copa do Mundo, algo que Messi sabia antes de assinar o contrato, mas que nunca foi mencionado como fator decisivo pelo próprio atleta.
As declarações controversas sobre a seleção
Se a carreira de Lionel Messi indica um objetivo claro de se preservar para curtir a seleção argentina, as declarações pareciam ir para outro caminho.
Ainda em 2022, declarou que aquela seria sua última Copa. Já em fevereiro de 2023, disse que dependia muito do seu corpo e que 2026 estava longe.
Antes da Copa América, em 2024, declarou viver o dia a dia, sem pensar em jogar a Copa do Mundo de 2026. No mesmo ano, a Fabrizio Romano também relatou que ele não sabia se jogaria.
Até mesmo em 2025 e 2026, o jogador não garantia sua presença no Mundial, sempre afirmando que seu corpo daria a resposta.
Um “menino experiente” em campo em 2026
No jogo contra a Argélia, em que marcou três gols, Messi correu 7,0 km, de acordo com o Sofascore. O número é baixo se comparado com Raphinha, por exemplo, que correu mais de 11 km em sua estreia pelo Brasil.
A velocidade máxima foi de 30,9 km/h, com sprint de 0,06 km e 25 conduções de bola. A progressão total foi de 160,8 m, com a condução progressiva mais longa de 37,9 m.
Os números não são muito diferentes de toda a carreira de Messi, que nunca foi um jogador com grandes obrigações defensivas.
Porém, os mapas de calor mostram uma clara diminuição na intensidade. Em suas últimas temporadas na La Liga, Messi atuava em uma faixa bem maior do campo, preenchendo todos os espaços até o ataque.
Na MLS, passou a controlar mais suas ações no jogo. Na Copa do Mundo, tem sido ainda mais preciso, com menos volume e maior assertividade.
Fonte: Sofascore
Hoje vemos talvez a versão mais eficiente da carreira.
Ele corre menos, dribla menos, toca mais rápido, escolhe momentos específicos para acelerar e atua mais próximo dos atacantes.
Em vez de participar de 100 ações por jogo, participa de menos ações, mas com impacto enorme.
Em sua última temporada na La Liga, em 2020/21, tinha média de 4,6 dribles certos por jogo, 2,8 faltas sofridas e 91,6 ações com bola por jogo. Isso com média de 22 chances criadas e 2,3 passes decisivos.
Já na temporada de 2025, pela MLS, Messi teve média de 67,0 ações com bola por jogo, com 3,0 passes decisivos e 37 grandes chances criadas.
Existiu um “plano silencioso” para Messi crescer em Copas?
Desde 2023, todas as escolhas pareciam caminhar na mesma direção:
- preservar o corpo;
- continuar competindo em alto nível;
- manter ritmo de jogo;
- chegar vivo à Copa de 2026.
E quando a oportunidade apareceu, ele fez o que fez durante toda a carreira: transformou preparação em história.
Ao longo dos últimos anos, Messi pareceu se preparar e até mudou seu jeito de jogar. Não há confirmação de que tudo tenha sido planejado para isso.
Porém, o Messi recordista de gols em campo também parece ser um Messi “leve”. E isso tem feito a diferença!



Ótima análise Gabriel, obrigado.. pro Messi caiu muito bem ir pra MLS, embora eu sinta que ele ainda precise de umas ajudinhas da fifa pra continuar quebrando recordes… outro dia contra a Argélia, ele tinha que ter sido expulso.
E ele conseguiu ser o maior artilheiro. Um dos maiores jogadores que temos na atualidade.
Admiro demais o Messi. Foi muito emocionante ver ele conquistar mais um recorde!