Publicado nov 27, 2025 - Última atualização jun 09, 2026 0
A Final da Libertadores da América traz o maior clássico atualmente na América Latina, com Palmeiras e Flamengo disputando o posto de primeiro time brasileiro a se tornar tetracampeão da Libertadores da América 2025. A partida promete parar o continente e trazer muita disputa em campo.
Deu a lógica! Desde o início da temporada, Palmeiras e Flamengo surgiam como os principais favoritos ao título da Copa Libertadores da América 2025, e não por acaso. São, hoje, as duas equipes mais poderosas do continente em termos de investimento e profundidade de elenco. Com valores de mercado que ultrapassam os 200 milhões de euros e mais de 1 bilhão de reais investidos somados, Verdão e Rubro-Negro protagonizam a final que todo mundo esperava.
A rivalidade entre paulistas e cariocas nunca esteve tão acirrada. E a hegemonia recente de Palmeiras e Flamengo nos principais torneios do continente só aumentou essa tensão. A promessa para o sábado, a partir das 18h, é de um duelo quente: não apenas gols, mas também disputas intensas, faltas duras e até momentos de confusão.
Em jogo, algo histórico: quem será o primeiro brasileiro tetracampeão da Libertadores? De um lado, o Flamengo, embalado e líder do Brasileirão. Do outro, o Palmeiras, que encara a decisão como a chance de se reafirmar no topo.
Palmeiras x Flamengo: os planos financeiros que deram certo no Brasil
Nos últimos oito anos, Palmeiras e Flamengo transformaram a briga pelos principais títulos do país em um duelo particular. Não por acaso, as casas de apostas regulamentadas no Brasil sempre apontam a dupla como favorita no Brasileirão, na Copa do Brasil e na Libertadores. Essa supremacia tem uma raiz clara: projetos financeiros ousados e executados com disciplina.
No caso do Flamengo, a virada começou após um período crítico no início da década de 2010. Em 2012, a dívida ultrapassava os R$800 milhões. A gestão que assumiu em 2013 mudou o rumo ao profissionalizar departamentos, renegociar contratos e ampliar receitas com marketing, sócio-torcedor e direitos de transmissão. O clube virou sinônimo de recuperação impecável.
O Palmeiras, por sua vez, iniciou sua reconstrução com uma profunda reorganização administrativa liderada por Paulo Nobre, que potencializou sua capacidade de investimento. A gestão profissional apostou no controle de gastos, no desenvolvimento de jovens e na força do Allianz Parque como fonte constante de receita. Em poucos anos, especialmente a partir de 2015, o clube deixou para trás um cenário de dívidas elevadas e adotou um modelo sustentável — e vencedor.
Com as contas em ordem, veio o braço forte no mercado. Flamengo e Palmeiras já ultrapassaram, com folga, a marca de R$1 bilhão em negociações de jogadores. Na janela de 2025, o Rubro-Negro investiu cerca de R$ 300 milhões em reforços, enquanto o Verdão viveu uma das temporadas mais agressivas de sua história, gastando R$700 milhões em contratações.
Todo esse poder econômico aparece nos resultados. Os dois clubes superam R$1 bilhão em receitas anuais e seguem empilhando troféus. O Palmeiras conquistou dois Brasileiros desde 2020 e duas Libertadores. O Flamengo também ergueu duas taças continentais e caminha para o provável título do Campeonato Brasileiro de 2025, além das copas nacionais que ambos adicionaram às respectivas galerias.
Flamengo vs Palmeiras: a final que já começou há muito tempo
O duelo mais marcante entre Flamengo e Palmeiras aconteceu na final da Libertadores de 2021. No dia 27 de novembro, no Estadio Centenário, o Palmeiras abriu o placar logo aos 5 minutos: Mayke lançou, Raphael Veiga guardou. O Flamengo respondeu com controle de jogo e insistência, até que Arrascaeta achou Gabigol para empatar aos 72 minutos.
A decisão foi para a prorrogação, e aí veio um dos lances mais icônicos da história da competição. Andreas Pereira, então volante do Fla, perdeu a bola na intermediária. Deyverson interceptou, disparou rumo ao gol e fez o 2 a 1 que garantiu o tricampeonato ao Verdão. Ironia do destino: Andreas está de volta a uma final da Libertadores… só que desta vez vestindo a camisa do Palmeiras.
A intensa disputa pelo Brasileirão 2025
Curiosamente, apesar da hegemonia recente, o confronto direto pelo título do Brasileirão nunca havia pegado fogo como em 2025. A disputa entre os dois chegou ao ápice nesta temporada, transformando cada rodada em um capítulo antecipado da final da Libertadores. Flamengo e Palmeiras já eram considerados os grandes favoritos ao Campeonato Brasileiro nas casas de apostas, e o campeonato confirmou isso.
No início do Brasileirão, a dupla dominou sem cerimônias: nas 12 rodadas antes da pausa para o Mundial de Clubes, Flamengo e Palmeiras se alternaram na liderança, ocupando o topo em 10 delas. O Cruzeiro até ensaiou uma arrancada e chegou a liderar antes da 17ª rodada, mas o Flamengo retomou o primeiro lugar ao vencer o Atlético-MG. A resposta palmeirense veio na 27ª rodada, quando o Verdão reassumiu a ponta ao ultrapassar o rival.
A reta final foi de pura tensão. Na 33ª rodada, os dois estavam empatados com 68 pontos, mas o Palmeiras liderava pelo número maior de vitórias. Pouco depois, porém, o Flamengo voltou ao topo, e de forma decisiva. A equipe de Felipe Luís venceu os dois confrontos diretos (2×0 no Allianz Parque e 3×2 no Maracanã) e abriu caminho para encaminhar o título. Às vésperas da final da Libertadores, o empate rubro-negro com o Atlético-MG e a derrota palmeirense para o Grêmio deixaram o Flamengo com 75 pontos contra 70, faltando apenas duas rodadas: o cenário era praticamente irreversível.
O curioso é que, no fim de outubro, quando a final da Libertadores foi definida, o Palmeiras ainda liderava com certa folga. Mas a equipe de Abel Ferreira perdeu rendimento: dificuldades para marcar, fragilidade defensiva e atuações abaixo da média colocaram o time em declínio justamente no momento mais decisivo da temporada. O Flamengo, mesmo ainda apresentando falhas, cresceu de produção e colocou uma mão na taça, como queria Felipe Luís desde o início do ano.
Com isso, o Rubro-Negro chega para a decisão no auge da confiança, embalado pela retomada da liderança e próximo de mais um título brasileiro. O Palmeiras, em contrapartida, vive um momento delicado: pressão da torcida, críticas ao trabalho de Abel e desempenho instável em campo. A Libertadores surge como a grande chance de salvação do ano, e a oportunidade histórica de se tornar o primeiro clube brasileiro tetracampeão da América.
Quem chega melhor?
À primeira vista, por conta das últimas cinco partidas sem vitória pelo Brasileirão, é possível dizer que o Palmeiras chega em baixa e o Flamengo em alta. Porém, tratam-se de times muito fortes, e vale a pena examinar com mais calma a trajetória de cada um deles até aqui, tanto na temporada quanto na própria Libertadores da América.
O Palmeiras teve 100% de aproveitamento na primeira fase no Grupo G, vencendo todos os jogos contra Cerro Porteño, Bolívar e Sporting Cristal, marcando 17 gols e sofrendo apenas 4. Nas oitavas, venceu o Universitario do Peru por 4×0 fora de casa e empatou em 0x0 no Allianz, passando sem dificuldade. Já nas quartas, pegou o River Plate, com duas vitórias: 2×1 na Argentina e 3×1 em São Paulo.
A dificuldade do Palmeiras veio na semifinal, quando o time fez um jogo muito ruim na altitude e perdeu para a LDU por 3×0. No jogo de volta, conseguiu reverter vencendo por 4×0 e encaminhando a ida à final.
Já o Flamengo teve maiores dificuldades desde o começo. Foi o segundo colocado, com 3 vitórias, 2 empates e 1 derrota no grupo que contava com LDU (em 1º), Central Córdoba e Deportivo Táchira. O time passou pelo saldo de gols contra o Córdoba, com apenas 6 marcados e 3 sofridos.
Nas oitavas encarou o Internacional, com duas vitórias: 1×0 no Maracanã e 2×0 no Beira-Rio. Nas quartas, venceu o Estudiantes em casa por 2×1 e perdeu por 1×0 na Argentina, conquistando a vaga com um 4×2 nos pênaltis. Nas semis, venceu o Racing por 1×0 em casa e segurou o 0x0 na Argentina.
A caminhada dos dois traz suas dificuldades. O Palmeiras passeou na fase de grupos, mas sofreu bastante contra o jogo impositivo da LDU no Equador. O Flamengo teve decisão de pênaltis e vitórias apertadas. Será que os pênaltis ou a vitória apertada é o caminho?
O que os times têm de melhor?
Sem dúvidas, o principal trunfo do Palmeiras é a continuidade do trabalho de Abel Ferreira. O português está no comando do time paulista desde 2020, com um estilo de jogar já consolidado e multivencedor. Todas as grandes vitórias do Palmeiras passaram por três fundamentos principais: intensidade, compactação tática e eficiência.
O time se defende muito bem, com a volta dos atacantes para compactar a formação clássica do 4-4-2 que tem usado nos últimos tempos. Nesse sentido, o estilo de jogo é marcado por uma entrega em todo o tempo, ainda mais que o treinador português cobra exaustivamente a parte física dos seus atletas.
Em termos de eficiência, o Palmeiras procura marcar gols com o mínimo de chances, como foi na própria final da Libertadores contra o Flamengo. No entanto, ao longo dos últimos meses, o time vem buscando criar mais jogadas ofensivas, sobretudo com a dupla Vitor Roque e Flaco López, esperança de gols do time.
Outra parte positiva do time de Abel Ferreira é a capacidade de usar a variedade do elenco, com jogadores que batem bem na bola como Felipe Anderson e Raphael Veiga, meias de chegada como Maurício e extremos rápidos como Allan e o próprio lateral Piquerez.
Por sua vez, o Flamengo se destaca em primeiro lugar pela qualidade do elenco. O treinador Filipe Luís tem à sua disposição muitos atletas de renome, como Arrascaeta, Jorginho, Samuel Lino, Plata e por aí vai. O Flamengo é, sem dúvidas, o time mais completo e com mais recursos em todo o continente.
O melhor do time atualmente acontece com o 4-2-3-1 de muita produção ofensiva, sobretudo com o domínio e a condução de bola de Jorginho. No momento de ataque, o time sobe com a entrada de Arrascaeta, além de Carrascal e Samu Lino jogando pelas pontas.
O Flamengo também consegue entregar muita variação tática, podendo preencher mais o meio-campo com Saul e Nicolás de la Cruz ou fugir mais pelas pontas com Bruno Henrique e Wallance Yan, além das entradas ofensivas de Luiz Araújo.
A zaga do time também é bem destacada, com muitas opções de defensores e os “milagres” de Rossi nos últimos tempos. Por mais que Filipe Luís tenha pouco mais de um ano no cargo, o time conta com a experiência de jogadores vencedores na própria equipe, como Leo Pereira e Arrascaeta.
Um jogo decidido nos detalhes – ou será que não?
As duas equipes tem suas partes positivas, mas também têm seus problemas, o que vai ditar muito do que acontecerá dentro de campo. O Palmeiras chega com praticamente todos os seus jogadores à disposição, com exceção do goleiro Weverton, que se lesionou pouco antes dos confrontos contra a LDU.
A equipe de Abel Ferreira vem realmente de um desempenho recente bem ruim, com dificuldade para marcar gols e sofrendo mais do que está acostumado. No entanto, o treinador e o seu grupo já mostraram saber jogar com o psicológico e sair da dificuldade.
Já o Flamengo vem de um momento recente mais favorável, com o encaminhamento do título e boas vitórias. No entanto, o time também tem os seus problemas de exposição, como mostrou na derrota contra o rival Fluminense. Quando o adversário encaixota a marcação nas principais peças do time, o Flamengo tem dificuldade de sair da retranca com o uso da tática, dependendo muito da qualidade do seu meio-campo. Além disso, Filipe Luís não terá Pedro à disposição, sem dúvida um dos maiores desfalques possíveis para a final.
Dessa maneira, é possível prever dois cenários: o primeiro deles é um jogo extremamente disputado, com poucos gols e poucas chances para os dois lados, já que as duas equipes têm boa compactação defensiva.
Por outro lado, também se pode pensar em um cenário de muitos gols. Isso porque o embate do formato de jogo pode criar diferentes momentos ao longo da partida, com alternância de domínio e maior número de gols. Isso é uma possibilidade porque ambas as equipes têm pontos fortes muito relevantes, mas também contam com pontos fracos que podem ser muito bem explorados.
Portanto, o mais comum é que os analistas prevejam um jogo amarrado e com poucas chances. No entanto, há também a estratégia de um jogo com maior variação do domínio da partida, como foram alguns confrontos decisivos entre os times, marcados por placares como 3×2, 4×3 e por aí vai.