Os números explicam: por que as oitavas da Copa do Brasil foram tão criticadas?

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Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado ago 04, 2026 - Última atualização ago 17, 2026

A primeira rodada das oitavas de final da Copa do Brasil 2026 ficou marcada pelas críticas de torcedores e comentaristas.

Em muitos momentos, a sensação foi de assistir a partidas travadas, com pouca criatividade e escassas oportunidades de gol, ainda mais quando se compara com a Copa do Mundo de 2026.

Os números confirmam essa percepção.

Apesar de algumas equipes dominarem a posse de bola e acumularem finalizações. sobretudo as favoritas para o título da Copa do Brasil, a maioria encontrou enorme dificuldade para transformar esse volume em chances claras.

Uma rodada de poucos gols e muitos empates

O panorama geral das oitavas ajuda a explicar a repercussão negativa da rodada. Dos oito jogos disputados:

  • 5 terminaram empatados;
  • 4 terminaram em 0 a 0;
  • apenas 1 partida teve vitória por mais de um gol.

A única exceção foi o Palmeiras, que venceu o Fortaleza por 3 a 0. Nos demais confrontos, o equilíbrio prevaleceu, mas com pouca inspiração ofensiva.

Muito volume, pouca eficiência

O problema não foi exatamente a falta de posse de bola ou de chegadas ao ataque. Em diversos jogos, as equipes controlaram as ações, mas produziram poucas oportunidades realmente perigosas.

Foto do jogo juventude x galo

Instagram Atlético-MG

O Atlético-MG é um bom exemplo. Contra o Juventude, o Galo terminou a partida com:

  • 59% de posse de bola;
  • 17 finalizações;
  • 66 ações no terço final do campo;
  • 7 escanteios cobrados.
PRINT SOBRE A DOMINÂNCIA DO JOGO JUVENTUDE X GALO

Fonte: Sofascore

Mesmo com esse domínio territorial, criou apenas uma grande chance durante toda a partida e não conseguiu marcar.

foto do jogo remo x santos

Instagram Santos

O Santos apresentou um cenário semelhante diante do Remo. A equipe paulista registrou:

  • 60% de posse de bola;
  • 511 passes certos;
  • 19 finalizações;
  • 14 chutes dentro da área.

Apesar do volume ofensivo, o placar permaneceu em 0 a 0. Um dado chama atenção: nove das finalizações santistas foram bloqueadas pela defesa, reduzindo drasticamente o perigo ao gol adversário.

Clássicos com pouca criatividade

No clássico entre Vasco e Fluminense, os números ajudam a entender o motivo das críticas.

foto de vasco x fluminense

Instagram Vasco

Durante os 90 minutos, os dois times somaram apenas três finalizações no alvo.

O Vasco criou somente uma grande chance, enquanto o Fluminense, mesmo finalizando mais vezes (12 contra 6), teve dificuldades para romper a defesa adversária.

Além disso, foram registradas 36 faltas, interrompendo constantemente o ritmo da partida. O resultado foi um dos jogos mais truncados da rodada.

Posse de bola nem sempre significa perigo

Outro exemplo foi Chapecoense x Cruzeiro. O Cruzeiro dominou praticamente todos os indicadores de controle da partida:

  • 63% de posse de bola;
  • 562 passes trocados;
  • 64 entradas no terço final.

Mesmo assim, conseguiu acertar apenas um chute no gol durante toda a partida.

foto dos chutes do cruzeiro no jogo chape x cruzeiro

Fonte: Sofascore

Já a Chapecoense, mesmo com apenas 37% da posse, finalizou praticamente o mesmo número de vezes, mostrando que o domínio territorial celeste pouco se converteu em chances reais.

foto dos chutes da chapecoense em chapecoense x cruzeiro

Fonte: Sofascore

Corinthians dominou a bola, mas perdeu o jogo

O Corinthians também teve dificuldades para transformar posse em eficiência.

foto da dominancia de corinthians x internacional

Fonte: Sofascore

Contra o Internacional, o time paulista registrou:

  • 69% de posse de bola;
  • 517 passes certos;
  • 61 ações no terço final;
  • 28 cruzamentos.

Apesar disso, acertou apenas três finalizações no alvo e acabou derrotado por 2 a 0.

O Internacional, com menos posse, foi muito mais eficiente nas oportunidades criadas.

Palmeiras foi a exceção da rodada

O único time que conseguiu aliar volume ofensivo e eficiência foi o Palmeiras.

finalizações do palmeiras

Fonte: Sofascore

Na vitória por 3 a 0 sobre o Fortaleza, o Verdão produziu:

  • 77 ações no terço final;
  • 9 finalizações no alvo;
  • 6 grandes chances criadas.

Foi, de longe, o desempenho ofensivo mais consistente das oitavas.

Outro jogo que fugiu da média foi Mirassol x Grêmio. As equipes empataram por 1 a 1 após um confronto que teve 24 finalizações somadas e quatro grandes chances, oferecendo muito mais equilíbrio entre criação e eficiência.

foto das stats de mirassol x gremio

Fonte: Sofascore

O problema foi a qualidade das finalizações

As estatísticas mostram que as equipes não deixaram de atacar.

Em vários confrontos houve posse de bola superior a 60%, dezenas de entradas no campo ofensivo e mais de 15 finalizações por equipe.

O problema esteve na qualidade dessas conclusões. Muitas tentativas foram bloqueadas pelos defensores, partiram de posições pouco favoráveis ou sequer exigiram grandes defesas dos goleiros.

Em um torneio de mata-mata, é natural que os clubes adotem uma postura mais cautelosa.

No entanto, os números mostram que o excesso de precaução comprometeu a criatividade e reduziu significativamente a qualidade do espetáculo na primeira rodada das oitavas da Copa do Brasil, justificando as críticas recebidas após o encerramento dos jogos.

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