As oitavas de final da Libertadores colocaram cinco brasileiros diante de desafios bastante diferentes.
Enquanto alguns terão pela frente adversários que já conhecem bem e que enfrentaram na fase de grupos, outros terão de lidar com equipes que chegam embaladas e apresentam números fortes na competição.
Mas, afinal, qual brasileiro terá a vida mais difícil nas oitavas de final da Libertadores?
Para responder à pergunta, é preciso olhar além da posição conquistada na fase de grupos. Campanha, desempenho ofensivo e defensivo, estilo de jogo, momento atual, principais jogadores e, principalmente, o encaixe entre os times ajudam a entender quais confrontos realmente oferecem maior risco.
Entre os duelos, há um caso particularmente complicado: Cruzeiro x Flamengo, o único confronto entre brasileiros e, por isso, uma eliminatória que já nasce equilibrada.
Logo atrás aparece o Corinthians, que terá pela frente um Rosario Central extremamente sólido na Libertadores e capaz de mudar sua postura de acordo com o adversário.
Fluminense, Palmeiras e Mirassol também terão desafios importantes, mas por motivos diferentes. Veja um resumo completo.
Fluminense x Independiente Rivadavia
O Fluminense reencontra o Independiente Rivadavia, uma das grandes surpresas desta edição da Libertadores.
O time argentino terminou a fase de grupos com uma campanha impressionante: cinco vitórias e um empate, 15 gols marcados e apenas seis sofridos.
O desempenho ajuda a explicar por que o Rivadavia se tornou uma das sensações do torneio.
Fonte: Sofascore
O clube, que ganhou maior projeção nacional após conquistar a Copa Argentina em 2025, vem apresentando um futebol bastante competitivo também no cenário continental.
Como vem o Rivadavia?
Depois da pausa para a Copa do Mundo, o Rivadavia manteve uma campanha competitiva.
Instagram Rivadavia
Pelo Campeonato Argentino, foram duas vitórias, um empate e uma derrota, resultado que coloca a equipe na sexta posição do Grupo B do Clausura, com sete pontos.
Na Libertadores, o principal destaque está no ataque. A equipe marcou 15 gols em seis partidas, média de 2,5 por jogo, além de apresentar 20% de conversão das chances.
O Rivadavia não é, entretanto, uma equipe que depende exclusivamente da posse de bola. A média foi de apenas 37,8% de posse na Libertadores, mostrando que o time consegue ser perigoso mesmo quando entrega o controle territorial ao adversário.
Foram 12,5 finalizações por partida, sendo cinco no alvo, além de quatro grandes chances criadas por jogo. O time também mostrou capacidade para acelerar as jogadas e explorar os espaços deixados pelo adversário.
O principal perigo
Alex Arce é o nome que mais preocupa o Fluminense. O atacante soma 14 gols em 21 jogos na temporada, sendo oito deles na Libertadores.
É um centroavante de presença constante na área, mas que também apresenta mobilidade para sair da posição e buscar a bola.
No último jogo continental, contra o La Guaira, marcou três vezes e mostrou justamente sua principal característica: eficiência quando encontra espaço dentro da área. Veja o desempenho na partida:
Fonte: Sofascore
O Rivadavia ainda perdeu Sebastián Villa, vendido ao Boca Juniors em julho. A saída reduz o poder ofensivo da equipe, mas não apaga a excelente campanha construída na primeira fase.
E há um detalhe importante: Fluminense e Rivadavia já se enfrentaram na fase de grupos. O time brasileiro venceu um dos jogos, mas o argentino conseguiu uma vitória por 2 a 1 no Maracanã mesmo com apenas 29% de posse de bola.
O Rivadavia finalizou somente sete vezes naquela partida, contra 21 do Fluminense, mas foi extremamente eficiente.
É justamente esse tipo de comportamento que torna o confronto perigoso: o time argentino não precisa dominar a partida para vencer.
Palmeiras x Cerro Porteño
O Palmeiras também reencontra um adversário conhecido. O Cerro Porteño terminou na liderança do Grupo F, com quatro vitórias, um empate e uma derrota.
Fonte: Sofascore
No entanto, o momento atual do time paraguaio é menos animador. Desde o retorno após a pausa para a Copa do Mundo, foram três derrotas e apenas uma vitória no Campeonato Paraguaio.
Na Libertadores, por outro lado, os números defensivos impressionam. O Cerro marcou seis gols e sofreu apenas dois em seis partidas, ficando quatro jogos sem sofrer gols.
A equipe teve apenas 38,5% de posse média, o que reforça uma característica importante: o Cerro não precisa controlar a bola para competir. Sua força está na organização defensiva e na capacidade de fechar os espaços.
Quem faz diferença no Cerro?
Os principais destaques do Cerro na Libertadores estão no sistema defensivo.
Instagram Domínguez
Alex Martín Arias, Fabricio Domínguez e Matías Pérez foram peças importantes na campanha, embora Arias tenha deixado o clube e se transferido para o Nacional.
No ataque, Pablo Vegetti, com passagem pelo Vasco, é a principal referência.
O argentino marcou três gols na Libertadores e atua como um típico homem de área, participando pouco da construção, mas sendo perigoso nas finalizações.
O técnico Ariel Rolan assumiu o Cerro em abril de 2026, vindo do Rosario Central. Em 16 jogos, soma sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas.
O treinador tem utilizado diferentes formações, principalmente o 4-1-4-1 e o 3-4-2-1, mostrando uma equipe capaz de alternar entre uma postura mais ofensiva e uma linha de cinco defensores.
Um confronto que pode travar o Palmeiras
Os jogos contra o Palmeiras na fase de grupos mostraram isso claramente.
No Brasil, o Palmeiras teve 74% de posse, mas encontrou dificuldades para transformar o domínio territorial em chances claras. O Cerro conseguiu resistir e saiu com um resultado importante.
No Paraguai, o roteiro foi parecido: 66% de posse para o Palmeiras e 3,0 de xG, mas o Cerro novamente conseguiu dificultar a produção ofensiva brasileira.
Portanto, o grande desafio do Palmeiras será encontrar maneiras de furar uma equipe que provavelmente aceitará passar longos períodos sem a bola.
Mirassol x LDU
O Mirassol terá pela frente uma LDU que também conhece muito bem. As duas equipes estavam no Grupo G e terminaram empatadas em pontos, com quatro vitórias e duas derrotas cada.
Fonte: Sofascore
A LDU apresenta números ofensivos superiores aos do Cerro, mas também chega com algumas dúvidas.
Na Libertadores, marcou oito gols e sofreu cinco. A equipe teve 47,2% de posse, 14,2 finalizações por jogo e 1,8 grande chance criada por partida.
É uma equipe que gosta de ter a bola e ocupar o campo ofensivo, utilizando diferentes estruturas. O 3-5-2 e o 5-3-2 aparecem como alternativas para controlar o meio-campo e proteger a defesa.
Como vem a LDU?
A LDU chega às oitavas em um momento irregular. No último jogo, perdeu por 2 a 0 para o Independiente del Valle, principal rival do clube no Equador.
Mesmo com 71% de posse e 14 finalizações, a equipe não conseguiu criar grandes chances e acabou derrotada.
Antes disso, porém, havia vencido o Delfín por 2 a 1, em uma partida que mostrou melhor sua característica. Com uma formação no 3-5-2, a LDU teve 74% de posse, 29 chutes e nove finalizações no alvo. Veja o volume no jogo:
Fonte: Sofascore
Os últimos jogos reforçam a imagem de uma equipe que gosta de controlar a bola e jogar no campo adversário.
A LDU alterna entre linhas de três e cinco defensores, mas mantém a intenção de acionar bastante o meio-campo e ocupar o território ofensivo.
LDU e Mirassol já se enfrentaram
Os dois times se conhecem bem: cada um venceu uma partida na fase de grupos, ambas por 2 a 0.
Fonte: Sofascore
No Equador, a LDU venceu mesmo com pouca posse, apostando em uma estrutura com três zagueiros e chegando 18 vezes ao gol.
No Brasil, porém, o Mirassol conseguiu controlar melhor o jogo, também utilizando uma linha de cinco, e neutralizou o meio-campo equatoriano.
Os destaques da LDU
Os principais nomes da LDU na Libertadores são Gonzalo Valle, Lionel Quiñónez e Deyverson.
O goleiro Valle, de 30 anos, foi reserva do Equador na Copa do Mundo e tem média de 4,3 defesas por jogo na Libertadores, além de 2,21 gols evitados.
Quiñónez atua como lateral-esquerdo e é importante na saída de bola, com 73,2 ações com a bola por partida.
Instagram Deyverson
Já Deyverson é a principal referência ofensiva. Campeão da Libertadores de 2021 pelo Palmeiras, o brasileiro soma seis gols e duas assistências na temporada.
A mudança no comando
A LDU terá ainda um fator de incerteza nas oitavas: Tiago Nunes deixou o cargo em julho, depois de dois anos à frente da equipe.
O treinador foi importante na campanha continental, mas agora o time terá de lidar com a adaptação ao novo comando justamente em uma fase eliminatória.
Corinthians x Rosario Central
Entre os adversários estrangeiros dos brasileiros, o Rosario Central talvez seja o que apresenta o conjunto mais equilibrado de características.
Fonte: Sofascore
A equipe terminou em segundo lugar no Grupo H, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Mas o principal dado está na defesa: sofreu apenas um gol em seis partidas da Libertadores.
Ao mesmo tempo, marcou nove vezes.
Ou seja, o Rosario não depende de uma única característica para competir. É eficiente no ataque e extremamente consistente defensivamente.
A equipe teve 57,2% de posse média, 15 finalizações por jogo e 3,5 grandes chances criadas. Também acertou 6,2 finalizações por partida.
Um time que sabe jogar de maneiras diferentes
O comportamento recente deixa o confronto ainda mais interessante.
Contra o Aldosivi, o Rosario teve 73% de posse, criou quatro grandes chances e finalizou 24 vezes.
Fonte: Sofascore
Já contra o River Plate, fora de casa, a equipe ficou com apenas 34% da bola e sofreu 25 finalizações, mas venceu por 1 a 0.
Essa capacidade de mudar de comportamento de acordo com o adversário pode ser um dos maiores problemas para o Corinthians.
O time ainda conta com nomes experientes, como Ángel Di María, além de jogadores importantes no sistema defensivo.
Instagram Di María
Por isso, entre os confrontos contra equipes estrangeiras, o Rosario aparece como um dos adversários mais completos.
Cruzeiro x Flamengo: o confronto mais difícil?
Se a pergunta for simplesmente qual brasileiro terá o adversário mais difícil, a resposta passa necessariamente pelo confronto entre Cruzeiro e Flamengo.
Isso porque, diferentemente dos outros brasileiros, um dos dois obrigatoriamente será eliminado.
Instagram Cruzeiro
O Cruzeiro terminou em segundo no Grupo D, marcando oito gols e sofrendo apenas três.
Instagram Flamengo
O Flamengo, por outro lado, foi líder de seu grupo com cinco vitórias e um empate, 11 gols marcados e somente dois sofridos.
Mesmo com a ressalva de que uma das vitórias do Flamengo foi por W.O., os números continuam impressionantes.
O time carioca também apresentou um volume ofensivo maior, com 18,2 finalizações por jogo e quatro grandes chances criadas.
O Cruzeiro, porém, chega em bom momento. Desde o retorno da pausa, venceu quatro partidas, empatou uma e perdeu uma, além de ter avançado na Copa do Brasil.
O Flamengo também vem de uma sequência positiva, com duas vitórias e dois empates no período.
O histórico recente favorece o Flamengo, que venceu o primeiro encontro do ano por 2 a 0 e empatou o jogo anterior.
Ainda assim, trata-se de um confronto em que o nível dos dois lados é suficientemente alto para tornar qualquer previsão arriscada.
Afinal, quem pegou o adversário mais difícil?
Considerando campanha na Libertadores, momento atual, qualidade do elenco, números defensivos e ofensivos e encaixe tático, os confrontos podem ser divididos em diferentes níveis.
O duelo mais difícil, naturalmente, é Cruzeiro x Flamengo, mas isso acontece justamente porque são dois brasileiros de alto nível se enfrentando diretamente.
Entre os confrontos contra estrangeiros, o Corinthians x Rosario Central aparece como um dos mais perigosos.
O time argentino sofreu apenas um gol na fase de grupos, tem ótimo aproveitamento ofensivo e mostrou que consegue tanto controlar a partida quanto jogar sem a bola.
O Fluminense x Rivadavia vem logo atrás, especialmente pela campanha quase perfeita dos argentinos na primeira fase e pela capacidade de serem eficientes mesmo com pouca posse.
O Palmeiras x Cerro Porteño tende a ser um duelo mais estratégico, com o brasileiro precisando encontrar soluções contra uma equipe que se sente confortável defendendo.
Já o Mirassol x LDU parece o confronto mais aberto entre os quatro contra estrangeiros, principalmente pela familiaridade entre as equipes e pelo equilíbrio apresentado na fase de grupos.

