Qual brasileiro terá o adversário mais difícil nas oitavas da Libertadores?

Foto de Gabriel Gonçalves
Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado ago 10, 2026 - Última atualização ago 17, 2026

As oitavas de final da Libertadores colocaram cinco brasileiros diante de desafios bastante diferentes.

Enquanto alguns terão pela frente adversários que já conhecem bem e que enfrentaram na fase de grupos, outros terão de lidar com equipes que chegam embaladas e apresentam números fortes na competição.

Mas, afinal, qual brasileiro terá a vida mais difícil nas oitavas de final da Libertadores?

Para responder à pergunta, é preciso olhar além da posição conquistada na fase de grupos. Campanha, desempenho ofensivo e defensivo, estilo de jogo, momento atual, principais jogadores e, principalmente, o encaixe entre os times ajudam a entender quais confrontos realmente oferecem maior risco.

Entre os duelos, há um caso particularmente complicado: Cruzeiro x Flamengo, o único confronto entre brasileiros e, por isso, uma eliminatória que já nasce equilibrada.

Logo atrás aparece o Corinthians, que terá pela frente um Rosario Central extremamente sólido na Libertadores e capaz de mudar sua postura de acordo com o adversário.

Fluminense, Palmeiras e Mirassol também terão desafios importantes, mas por motivos diferentes. Veja um resumo completo.

Fluminense x Independiente Rivadavia

O Fluminense reencontra o Independiente Rivadavia, uma das grandes surpresas desta edição da Libertadores.

O time argentino terminou a fase de grupos com uma campanha impressionante: cinco vitórias e um empate, 15 gols marcados e apenas seis sofridos.

O desempenho ajuda a explicar por que o Rivadavia se tornou uma das sensações do torneio.

estatísticas do rivadavia na libertadores

Fonte: Sofascore

O clube, que ganhou maior projeção nacional após conquistar a Copa Argentina em 2025, vem apresentando um futebol bastante competitivo também no cenário continental.

Como vem o Rivadavia?

Depois da pausa para a Copa do Mundo, o Rivadavia manteve uma campanha competitiva.

foto de jogador do rivadavia

Instagram Rivadavia

Pelo Campeonato Argentino, foram duas vitórias, um empate e uma derrota, resultado que coloca a equipe na sexta posição do Grupo B do Clausura, com sete pontos.

Na Libertadores, o principal destaque está no ataque. A equipe marcou 15 gols em seis partidas, média de 2,5 por jogo, além de apresentar 20% de conversão das chances.

O Rivadavia não é, entretanto, uma equipe que depende exclusivamente da posse de bola. A média foi de apenas 37,8% de posse na Libertadores, mostrando que o time consegue ser perigoso mesmo quando entrega o controle territorial ao adversário.

Foram 12,5 finalizações por partida, sendo cinco no alvo, além de quatro grandes chances criadas por jogo. O time também mostrou capacidade para acelerar as jogadas e explorar os espaços deixados pelo adversário.

O principal perigo

Alex Arce é o nome que mais preocupa o Fluminense. O atacante soma 14 gols em 21 jogos na temporada, sendo oito deles na Libertadores.

É um centroavante de presença constante na área, mas que também apresenta mobilidade para sair da posição e buscar a bola.

No último jogo continental, contra o La Guaira, marcou três vezes e mostrou justamente sua principal característica: eficiência quando encontra espaço dentro da área. Veja o desempenho na partida:

foto de alex arce no jogo da libertadores

Fonte: Sofascore

O Rivadavia ainda perdeu Sebastián Villa, vendido ao Boca Juniors em julho. A saída reduz o poder ofensivo da equipe, mas não apaga a excelente campanha construída na primeira fase.

E há um detalhe importante: Fluminense e Rivadavia já se enfrentaram na fase de grupos. O time brasileiro venceu um dos jogos, mas o argentino conseguiu uma vitória por 2 a 1 no Maracanã mesmo com apenas 29% de posse de bola.

O Rivadavia finalizou somente sete vezes naquela partida, contra 21 do Fluminense, mas foi extremamente eficiente.

É justamente esse tipo de comportamento que torna o confronto perigoso: o time argentino não precisa dominar a partida para vencer.

Palmeiras x Cerro Porteño

O Palmeiras também reencontra um adversário conhecido. O Cerro Porteño terminou na liderança do Grupo F, com quatro vitórias, um empate e uma derrota.

números do cerro na libertadores

Fonte: Sofascore

No entanto, o momento atual do time paraguaio é menos animador. Desde o retorno após a pausa para a Copa do Mundo, foram três derrotas e apenas uma vitória no Campeonato Paraguaio.

Na Libertadores, por outro lado, os números defensivos impressionam. O Cerro marcou seis gols e sofreu apenas dois em seis partidas, ficando quatro jogos sem sofrer gols.

A equipe teve apenas 38,5% de posse média, o que reforça uma característica importante: o Cerro não precisa controlar a bola para competir. Sua força está na organização defensiva e na capacidade de fechar os espaços.

Quem faz diferença no Cerro?

Os principais destaques do Cerro na Libertadores estão no sistema defensivo.

foto de fabricio dominguez

Instagram Domínguez

Alex Martín Arias, Fabricio Domínguez e Matías Pérez foram peças importantes na campanha, embora Arias tenha deixado o clube e se transferido para o Nacional.

No ataque, Pablo Vegetti, com passagem pelo Vasco, é a principal referência.

O argentino marcou três gols na Libertadores e atua como um típico homem de área, participando pouco da construção, mas sendo perigoso nas finalizações.

O técnico Ariel Rolan assumiu o Cerro em abril de 2026, vindo do Rosario Central. Em 16 jogos, soma sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas.

O treinador tem utilizado diferentes formações, principalmente o 4-1-4-1 e o 3-4-2-1, mostrando uma equipe capaz de alternar entre uma postura mais ofensiva e uma linha de cinco defensores.

Um confronto que pode travar o Palmeiras

Os jogos contra o Palmeiras na fase de grupos mostraram isso claramente.

No Brasil, o Palmeiras teve 74% de posse, mas encontrou dificuldades para transformar o domínio territorial em chances claras. O Cerro conseguiu resistir e saiu com um resultado importante.

No Paraguai, o roteiro foi parecido: 66% de posse para o Palmeiras e 3,0 de xG, mas o Cerro novamente conseguiu dificultar a produção ofensiva brasileira.

Portanto, o grande desafio do Palmeiras será encontrar maneiras de furar uma equipe que provavelmente aceitará passar longos períodos sem a bola.

Mirassol x LDU

O Mirassol terá pela frente uma LDU que também conhece muito bem. As duas equipes estavam no Grupo G e terminaram empatadas em pontos, com quatro vitórias e duas derrotas cada.

foto das estatísticas da ldu na libertadores

Fonte: Sofascore

A LDU apresenta números ofensivos superiores aos do Cerro, mas também chega com algumas dúvidas.

Na Libertadores, marcou oito gols e sofreu cinco. A equipe teve 47,2% de posse, 14,2 finalizações por jogo e 1,8 grande chance criada por partida.

É uma equipe que gosta de ter a bola e ocupar o campo ofensivo, utilizando diferentes estruturas. O 3-5-2 e o 5-3-2 aparecem como alternativas para controlar o meio-campo e proteger a defesa.

Como vem a LDU?

A LDU chega às oitavas em um momento irregular. No último jogo, perdeu por 2 a 0 para o Independiente del Valle, principal rival do clube no Equador.

Mesmo com 71% de posse e 14 finalizações, a equipe não conseguiu criar grandes chances e acabou derrotada.

Antes disso, porém, havia vencido o Delfín por 2 a 1, em uma partida que mostrou melhor sua característica. Com uma formação no 3-5-2, a LDU teve 74% de posse, 29 chutes e nove finalizações no alvo. Veja o volume no jogo:

foto da criação ofensiva da ldu

Fonte: Sofascore

Os últimos jogos reforçam a imagem de uma equipe que gosta de controlar a bola e jogar no campo adversário.

A LDU alterna entre linhas de três e cinco defensores, mas mantém a intenção de acionar bastante o meio-campo e ocupar o território ofensivo.

LDU e Mirassol já se enfrentaram

Os dois times se conhecem bem: cada um venceu uma partida na fase de grupos, ambas por 2 a 0.

foto do posicionamento da ldu contra o mirassol

Fonte: Sofascore

No Equador, a LDU venceu mesmo com pouca posse, apostando em uma estrutura com três zagueiros e chegando 18 vezes ao gol.

No Brasil, porém, o Mirassol conseguiu controlar melhor o jogo, também utilizando uma linha de cinco, e neutralizou o meio-campo equatoriano.

Os destaques da LDU

Os principais nomes da LDU na Libertadores são Gonzalo Valle, Lionel Quiñónez e Deyverson.

O goleiro Valle, de 30 anos, foi reserva do Equador na Copa do Mundo e tem média de 4,3 defesas por jogo na Libertadores, além de 2,21 gols evitados.

Quiñónez atua como lateral-esquerdo e é importante na saída de bola, com 73,2 ações com a bola por partida.

foto de deyverson pela ldu

Instagram Deyverson

Deyverson é a principal referência ofensiva. Campeão da Libertadores de 2021 pelo Palmeiras, o brasileiro soma seis gols e duas assistências na temporada.

A mudança no comando

A LDU terá ainda um fator de incerteza nas oitavas: Tiago Nunes deixou o cargo em julho, depois de dois anos à frente da equipe.

O treinador foi importante na campanha continental, mas agora o time terá de lidar com a adaptação ao novo comando justamente em uma fase eliminatória.

Corinthians x Rosario Central

Entre os adversários estrangeiros dos brasileiros, o Rosario Central talvez seja o que apresenta o conjunto mais equilibrado de características.

foto das estatísticas do rosario na libertadores

Fonte: Sofascore

A equipe terminou em segundo lugar no Grupo H, com quatro vitórias, um empate e uma derrota. Mas o principal dado está na defesa: sofreu apenas um gol em seis partidas da Libertadores.

Ao mesmo tempo, marcou nove vezes.

Ou seja, o Rosario não depende de uma única característica para competir. É eficiente no ataque e extremamente consistente defensivamente.

A equipe teve 57,2% de posse média, 15 finalizações por jogo e 3,5 grandes chances criadas. Também acertou 6,2 finalizações por partida.

Um time que sabe jogar de maneiras diferentes

O comportamento recente deixa o confronto ainda mais interessante.

Contra o Aldosivi, o Rosario teve 73% de posse, criou quatro grandes chances e finalizou 24 vezes.

foto da postura do rosario pelo argentino

Fonte: Sofascore

Já contra o River Plate, fora de casa, a equipe ficou com apenas 34% da bola e sofreu 25 finalizações, mas venceu por 1 a 0.

Essa capacidade de mudar de comportamento de acordo com o adversário pode ser um dos maiores problemas para o Corinthians.

O time ainda conta com nomes experientes, como Ángel Di María, além de jogadores importantes no sistema defensivo.

foto de di maria jogando

Instagram Di María

Por isso, entre os confrontos contra equipes estrangeiras, o Rosario aparece como um dos adversários mais completos.

Cruzeiro x Flamengo: o confronto mais difícil?

Se a pergunta for simplesmente qual brasileiro terá o adversário mais difícil, a resposta passa necessariamente pelo confronto entre Cruzeiro e Flamengo.

Isso porque, diferentemente dos outros brasileiros, um dos dois obrigatoriamente será eliminado.

foto do wesley com gol pelo cruzeiro

Instagram Cruzeiro

O Cruzeiro terminou em segundo no Grupo D, marcando oito gols e sofrendo apenas três.

foto de bruno henrique pelo flamengo

Instagram Flamengo

O Flamengo, por outro lado, foi líder de seu grupo com cinco vitórias e um empate, 11 gols marcados e somente dois sofridos.

Mesmo com a ressalva de que uma das vitórias do Flamengo foi por W.O., os números continuam impressionantes.

O time carioca também apresentou um volume ofensivo maior, com 18,2 finalizações por jogo e quatro grandes chances criadas.

O Cruzeiro, porém, chega em bom momento. Desde o retorno da pausa, venceu quatro partidas, empatou uma e perdeu uma, além de ter avançado na Copa do Brasil.

O Flamengo também vem de uma sequência positiva, com duas vitórias e dois empates no período.

O histórico recente favorece o Flamengo, que venceu o primeiro encontro do ano por 2 a 0 e empatou o jogo anterior.

Ainda assim, trata-se de um confronto em que o nível dos dois lados é suficientemente alto para tornar qualquer previsão arriscada.

Afinal, quem pegou o adversário mais difícil?

Considerando campanha na Libertadores, momento atual, qualidade do elenco, números defensivos e ofensivos e encaixe tático, os confrontos podem ser divididos em diferentes níveis.

O duelo mais difícil, naturalmente, é Cruzeiro x Flamengo, mas isso acontece justamente porque são dois brasileiros de alto nível se enfrentando diretamente.

Entre os confrontos contra estrangeiros, o Corinthians x Rosario Central aparece como um dos mais perigosos.

O time argentino sofreu apenas um gol na fase de grupos, tem ótimo aproveitamento ofensivo e mostrou que consegue tanto controlar a partida quanto jogar sem a bola.

O Fluminense x Rivadavia vem logo atrás, especialmente pela campanha quase perfeita dos argentinos na primeira fase e pela capacidade de serem eficientes mesmo com pouca posse.

O Palmeiras x Cerro Porteño tende a ser um duelo mais estratégico, com o brasileiro precisando encontrar soluções contra uma equipe que se sente confortável defendendo.

Já o Mirassol x LDU parece o confronto mais aberto entre os quatro contra estrangeiros, principalmente pela familiaridade entre as equipes e pelo equilíbrio apresentado na fase de grupos.

Reportagem em destaque
Últimas noticias
  • 19:17 Com dois gols no 2º tempo, ASA vence o Gama e fica mais perto da final da Série D
  • 19:12 Medalha da Maratona de Sidney viraliza ao retratar ponto turístico de outro país
  • 19:12 Atlético-PI derrota 3B da Amazônia e consegue acesso inédito ao Brasileirão Feminino 2027
  • 19:06 Raphinha brilha com dois gols e assistência em estreia vitoriosa do Barcelona no Espanhol
  • 19:05 Atlético-PI conquista acesso histórico ao Campeonato Brasileiro Série A1 de 2027
  • 19:00 Atuações do Bragantino: Defesa se destaca em vitória sobre o Grêmio; dê suas notas
  • 19:00 Barezão Delas 2026: Penarol-AM goleia Amazonas Legis e garante vaga no playoff da semifinal
  • 18:55 Desportiva Aracaju e Falcon empatam no primeiro jogo da final da Copa Governo do Estado