Rafael Ribeiro/CBF
O Brasil terminou a fase de grupos como líder invicto do Grupo C da Copa do Mundo, com 7 pontos: 2 vitórias e um empate.
O desempenho mostrou uma equipe em evolução: estreia abaixo do esperado contra o Marrocos e crescimento de produção contra Haiti e Escócia.
Agora já com o Japão em mente no primeiro mata-mata, fica a pergunta: o que o Brasil fez de bom e o que fez de ruim até aqui?
Onde o Brasil foi bem
Veja os pontos positivos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 até aqui:
Solidez defensiva
O Brasil só sofreu um gol até aqui, justamente na estreia. Ao todo, são 249 minutos (fora os acréscimos) sem sofrer gols.
Instagram Mr. Ancelotti
As principais estatísticas defensivas, segundo o Sofascore, foram:
- médias por jogo: 0.3 gols sofridos, 19.3 desarmes, 9.3 interceptações, 20.3 cortes, 3.3 defesas, 44.3 bolas recuperadas.
O time também não teve erros que levaram ao gol e não concedeu nenhum pênalti.
A dupla de zaga mostrou segurança, enquanto os laterais conseguiram equilibrar apoio ofensivo e recomposição, justamente um dos pontos que Ancelotti mais pede.
Eficiência nas chances criadas
Mesmo sem liderar a Copa em volume ofensivo, o Brasil foi bastante eficiente quando chegou ao ataque.
- 7 gols em 3 jogos
- média de 2,33 gols por partida
- bom aproveitamento das grandes chances
A equipe não precisou finalizar o tempo todo, mas conseguiu acelerar o jogo e ser bastante efetiva contra a Escócia, ainda mais que na partida contra o Haiti.
Fonte: Sofascore
Veja outras estatísticas ofensivas importantes para entender o jogo do Brasil:
- 17% de conversão de gols, 7 gols dentro da área, 2 gols com a perna esquerda, 4 com a perna direita e 1 gol de cabeça
- médias por jogo: 4.0 grandes chances criadas, 2.0 perdidas, 13.7 finalizações, 6.3 chutes certos, 4.3 errados, 6.7 dribles certos e 5.3 escanteios
Organização sem a bola
O Brasil pressionou melhor a saída adversária nas duas últimas partidas e recuperou muitas bolas ainda no campo ofensivo, sobretudo no bom jogo contra a Escócia.
Isso reduziu o número de ataques perigosos dos rivais e permitiu que a equipe passasse mais tempo instalada no campo ofensivo.
Ataque pelos corredores foi uma das principais armas
O Brasil construiu a maior parte das suas jogadas pelos lados do campo, especialmente pela esquerda.
Fonte: Sofascore
Os dados de recepção após penetração nas proximidades da área (segundo a FIFA.com) mostram uma equipe que conseguiu chegar ao último terço com frequência utilizando os corredores.
- 57 recepções pelo corredor esquerdo;
- 42 pelo corredor direito;
- 26 pelo corredor central;
- 24 pelo corredor esquerdo interior;
- 21 pelo corredor direito interior.
Isso mostra que a Seleção explorou bastante a velocidade dos pontas e dos laterais, com destaque para o lado esquerdo, principal fonte de criação durante a fase de grupos.
O Brasil conseguiu quebrar as linhas adversárias
Mais do que ter posse de bola, a equipe conseguiu transformar essa posse em progressão ofensiva.
Ao longo da primeira fase foram registradas:
- 499 tentativas de penetração concluídas;
- 360 penetrações em zonas mais avançadas do campo.
Esses números mostram um time que conseguiu levar a bola ao último terço com frequência, sem depender apenas de cruzamentos ou lançamentos longos.
Movimentação ofensiva foi um diferencial
Os jogadores brasileiros participaram bastante da construção das jogadas e ofereceram diversas opções de passe.
Foram registrados (segundo a FIFA):
- 1.168 pedidos de bola;
- 486 pedidos entre as linhas da defesa;
- 392 pedidos em profundidade;
- 290 aproximações para receber atrás.
O alto número de pedidos entre as linhas indica uma equipe bastante móvel, que buscou constantemente espaços para acelerar os ataques e desmontar a marcação adversária.
Pressão sem bola funcionou muito bem
Outro ponto forte foi a intensidade defensiva.
Durante a fase de grupos, o Brasil realizou:
- 737 pressões defensivas;
- 108 erros forçados nos adversários.
Na prática, isso significa que a Seleção conseguiu recuperar muitas bolas ainda no campo ofensivo, impedindo que os rivais construíssem jogadas e mantendo o controle territorial durante boa parte das partidas.
Crescimento coletivo
A evolução entre as rodadas foi evidente.
- 1ª rodada: empate com o Marrocos.
- 2ª rodada: vitória por 3 a 0 sobre o Haiti.
- 3ª rodada: vitória por 3 a 0 sobre a Escócia.
O time passou a controlar melhor o ritmo das partidas, criar mais oportunidades e dar menos campo para os adversários.
Vinícius Júnior decisivo
Instagram Vini Jr.
O atacante foi o principal nome brasileiro na fase de grupos.
- 4 gols
- participação direta em diversas jogadas ofensivas
- protagonista nas vitórias contra Haiti e Escócia
Outras opções para o time
Além de Vinícius Júnior, o Brasil teve outros destaques, sobretudo Matheus Cunha, que ganhou a posição e entrou na gama de bons jogadores da Copa.
Instagram Matheus Cunha
Nas laterais, Douglas Santos e Danilo corresponderam, mostrando que Ancelotti conseguiu encontrar o time e substituir lesionados, como o caso de Rayan com Raphinha.
A volta de Neymar Júnior também é importante para o time, justamente para oferecer opções para mexer no time.
Onde o Brasil foi mal
Veja os pontos negativos do Brasil na Copa
Estreia pouco inspirada
O empate com o Marrocos deixou claro que o Brasil ainda buscava encaixe. Os principais problemas foram:
- pouca criatividade no último terço;
- circulação lenta da bola;
- dificuldade para desmontar a defesa marroquina;
- poucas finalizações realmente perigosas.
Problema com adversário forte
O complicado é que o jogo ruim do Brasil foi justamente contra a melhor seleção do grupo, que impôs dificuldades para os brasileiros.
Então, a principal pergunta é: o Brasil evoluiu ou só pegou adversários mais fracos? O teste contra um time mais organizado será fundamental para entender mais desse Brasil.
De toda maneira, não se tinha o que fazer, já que Escócia e Haiti eram os adversários do time no grupo.
Volume ofensivo ainda pode aumentar
Mesmo melhorando nas rodadas seguintes, o Brasil ainda não está entre as seleções que mais finalizam na Copa.
A Alemanha e o Canadá têm 2 finalizações certas em seus 3 jogos, enquanto a Suécia e a Holanda têm 20 cada. Inglaterra e Espanha também podem aumentar seus números em relação ao Brasil.
Além disso, a Seleção Brasileira é apenas a 11ª em porcentagem de conversão de chances, com 18% segundo a FIFA.
O Japão, por exemplo, tem 26% de conversão, enquanto a Holanda tem o número próximo de 25%. Dessa maneira, o Brasil tem bons números, mas ainda atrás de outras seleções.
Dependência dos principais jogadores
O Brasil conseguiu encontrar boas opções para o jogo, sobretudo com Rayan e Matheus Cunha. Porém, grande parte da produção ofensiva passou pelos pés de Vinícius Júnior.
A Seleção Brasileira vive uma espécie de Vinidependência, sem funcionar tão bem quando não aciona o seu camisa 7. Ainda falta uma distribuição maior das responsabilidades entre os jogadores ofensivos.
As lesões preocupam
Instagram Raphinha
A lesão de Raphinha durante a fase de grupos representa uma perda importante para o restante do torneio e pode reduzir as opções ofensivas de Carlo Ancelotti.
O treinador ainda pode contar com o retorno do atleta, que não está 100% cortado e pode jogar nas fases mais agudas da competição.
Ataque concentrou muitas jogadas pelos lados
Apesar da boa produção ofensiva, os números mostram uma dependência considerável dos corredores.
Enquanto houve: 57 recepções pelo corredor esquerdo e 42 pelo corredor direito; o corredor central participou bem menos, com apenas 26 recepções próximas da área.
Contra equipes mais fechadas, como Marrocos, essa característica tornou o ataque brasileiro mais previsível, já que houve pouca infiltração pelo meio.
Pouca variação nas inversões de jogo
Outro dado que chama atenção são as apenas 10 alternâncias de jogo realizadas durante toda a fase de grupos.
Esse número sugere que o Brasil preferiu desenvolver as jogadas pelo mesmo lado em vez de inverter rapidamente o campo para explorar espaços, algo que pode dificultar a criação contra adversários que defendem com linhas compactas.
O saldo é mais positivo ou negativo?
O saldo é mais positivo do que negativo, já que os números indicam que o Brasil vem definindo a sua identidade de jogo.
A equipe consegue progredir bem pelo campo, com mobilidade e boa recepção entre as linhas, chegando com frequência no último terço pelos corredores.
Isso não elimina os pontos de atenção, além da constante preocupação com o nível de enfrentamento. Ou seja, o Brasil mostrou um modelo de jogo consistente, intenso e eficiente.
O principal desafio para o mata-mata será aumentar a criatividade pelo centro e variar mais os caminhos ofensivos, já que adversários mais fortes tendem a fechar os corredores e obrigar a equipe a encontrar soluções diferentes.
Esses ajustes parecem mais uma evolução natural do que um sinal de fragilidade. Veja agora o que o Brasil pode esperar do Japão no começo do mata-mata.



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