Sem Paquetá? O que o Brasil perde e quem pode assumir a vaga no time de Ancelotti

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Escrito por: Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Carla Leal, Revisora
Publicado jun 30, 2026 - Última atualização jun 30, 2026 0
foto de lucas paquetá saindo lesionado

Phil Noble/Reuters

O meio-campista Lucas Paquetá saiu ainda no intervalo de Brasil x Japão com dores na coxa. Em publicação oficial, a CBF confirmou que o jogador teve lesão constatada no posterior da coxa esquerda.

Por mais que a entidade não tenha estabelecido prazo de recuperação, é muito improvável que o jogador esteja disponível já para a partida das oitavas da Copa, no domingo, dia 5 de julho.

Há ainda especulações de que o atleta pode ficar fora de todo o restante da Copa. Sendo assim, quem vai substituir o camisa 20 da Seleção Brasileira?

Qual a importância de Lucas Paquetá para o time de Carlo Ancelotti?

Mais do que gols e assistências, a possível ausência de Lucas Paquetá representa a perda de um dos principais jogadores de equilíbrio do meio-campo brasileiro.

foto da stats de lucas paquetá

Fonte: Opta e Sofascore

Em um time de Carlo Ancelotti que alterna momentos de posse longa com transições rápidas, o camisa 8 exerce uma função difícil de substituir: conecta defesa e ataque enquanto mantém intensidade sem a bola.

Paquetá disputou os quatro jogos da campanha brasileira na Copa do Mundo de 2026 como titular, permanecendo em campo por 236 minutos (59 por partida).

Apesar de não marcar gols, participou diretamente da construção ofensiva com uma assistência e três grandes chances criadas, além de média de 2,2 passes decisivos por jogo.

O elo entre defesa e ataque

Os números mostram que Paquetá não atua apenas como um meia criativo. Ele participa constantemente da circulação da bola.

foto de lucas paquetá com a camisa da seleção brasileira

Instagram Lucas Paquetá

Em média, foram:

  • 62,2 ações com a bola por jogo;
  • 39,8 passes certos por partida;
  • aproveitamento de 86% nos passes;
  • 29,2 passes certos no campo ofensivo por jogo, com 85% de precisão;
  • 10,5 passes certos no próprio campo, com 88% de aproveitamento.

Ou seja, grande parte do jogo brasileiro passa pelos pés dele. Não é um meia que apenas recebe perto da área. Ele busca a bola desde o início da construção e acelera a posse quando encontra espaços.

Embora tenha acertado apenas 45% das bolas longas e 50% dos passes considerados tensos (que rompem linhas de marcação), sua função não é viver de lançamentos. Seu papel é dar continuidade às jogadas e aproximar os setores.

Produção ofensiva discreta, mas importante

Os números de finalização não impressionam.

  • 0 gols
  • 0,37 gols esperados (xG);
  • 1,2 chute por jogo;
  • apenas 0,2 finalização no alvo por partida.

Em compensação, sua criação foi significativa.

  • 1 assistência;
  • 3 grandes chances criadas;
  • 2,2 passes decisivos por jogo.

Isso mostra que Paquetá participa muito mais da origem das jogadas do que da conclusão. Ele aparece entre linhas para oferecer opção de passe, atrair marcação e liberar os atacantes.

A pressão começa nele

Talvez o aspecto mais importante seja o trabalho sem a bola.

Mesmo atuando como meia ofensivo, Paquetá registra médias de:

  • 2,0 desarmes por jogo;
  • 1,2 interceptações;
  • 1 posse recuperada no último terço do campo;
  • 1 corte;
  • apenas 0,8 vezes driblado por partida;
  • 0,2 chutes bloqueados.

É justamente esse comportamento que encaixa no modelo de Ancelotti. Quando o Brasil perde a posse, Paquetá costuma ser um dos primeiros jogadores a pressionar o portador da bola, reduzindo o tempo de organização do adversário.

Intensidade durante todo o jogo

Fisicamente, Paquetá também entrega bastante. Suas médias na Copa são:

  • 9,9 km percorridos por partida;
  • 9,2 sprints;
  • velocidade máxima de 30,6 km/h.

É um volume elevado para um meia que participa tanto da construção quanto da recomposição defensiva.

O ranking de desempenho da FIFA coloca Paquetá apenas na 194ª posição geral, com índice de 4,95 e queda de 30 posições durante a competição.

O número, porém, parece subestimar sua importância, já que métricas mais tradicionais tendem a valorizar gols e assistências.

Sua função é menos chamativa, mas essencial.

Quem pode substituir Lucas Paquetá no restante da Copa?

Na vitória do Brasil sobre o Japão, Carlo Ancelotti elegeu Endrick como o substituto de Paquetá após a lesão, já no começo do segundo tempo.

O jogador participou de uma faixa do campo mais próxima da área, pelo lado direito, fazendo uma função bem diferente daquela exercida por Lucas Paquetá.

Assim, isso indica que a decisão foi circunstancial para o jogo, e pode não refletir o que Carlo Ancelotti pretende fazer para um começo de jogo. Veja as opções:

Danilo Santos

foto de danilo santos com a camisa do brasil

Instagram Danilo Santos

O jogador do Botafogo é um dos artilheiros do Campeonato Brasileiro 2026, onde atua preenchendo todo o meio-campo, com bom volume de entradas dentro da área.

foto dos números de danilo santos

Fonte: Sofascore

No clube, inclusive, tem mais liberdade para infiltrar na área, com menor responsabilidade no momento ofensivo que teria no Brasil. Porém, é a substituição que menos mudaria o esquema.

Com Danilo Santos, Ancelotti teria recomposição e intensidade parecidas, perdendo em recuperação, mas ganhando em infiltração na área.

A parte tática teria apenas que tomar cuidado para não “bater cabeça” com Bruno Guimarães, que tem exercido mais essa função de chegar próximo à área e já conta com 4 assistências na Copa do Mundo.

Éderson

foto de éderson com a camisa da seleção brasileira

Instagram Éderson

Por mais que seja menos badalado, o volante entra como um dos favoritos para substituir Lucas Paquetá na Seleção Brasileira, justamente por entregar o momento defensivo que Ancelotti precisa.

foto das stats de ederson

Fonte: Sofascore

No futebol italiano, com a camisa da Atalanta, o jogador tem uma atuação bem intensa no campo, preenchendo diferentes espaços sobretudo no momento defensivo, com menos chegada ao ataque.

Os números são até próximos, com 4.4 bolas recuperadas por jogo, 39.7 passes certos (89%) e 0.8 passes decisivos por partida.

Com Éderson, o Brasil pode perder na qualidade ofensiva, mas consegue manter o equilíbrio de recomposição que Ancelotti gosta, jogando toda a responsabilidade de criação para Bruno Guimarães.

Gabriel Martinelli

foto de gabriel martinelli com a camisa do brasil

Instagram Martinelli

O atacante Gabriel Martinelli ganhou moral ao marcar o gol da classificação aos 50 minutos do segundo tempo contra o Japão, e também entra na lista de possíveis substitutos.

No Arsenal, o jogador atua como ponta-esquerda, preenchendo essa parte lateral do campo, mas com maior participação no momento de ataque do que na defesa.

Caso entrasse na vaga de Lucas Paquetá, teria maior responsabilidade defensiva, fazendo funções que fez quando entrou no campo na partida, mas com menos poder defensivo.

Uma entrada de Martinelli pediria maior recomposição de campo por parte de Matheus Cunha, que teria que ser menos centroavante do que tem sido e mais recuado para o meio-campo, como joga na Premier League Inglesa.

Endrick

foto de endrick com a camisa da seleção

Instagram Endrick

O jogador entrou na posição de Lucas Paquetá no jogo contra o Japão, mas vale relembrar que a Seleção Brasileira estava perdendo o jogo por 1×0.

Para uma entrada de Endrick, Ancelotti teria que mexer bastante na organização tática do time, trazendo Matheus Cunha oficialmente para a posição de meio-campista pelo lado esquerdo.

Com isso, perderia mobilidade, já que o próprio Cunha gosta de fazer essas trocas com Paquetá, abrindo espaço circunstancialmente no meio-campo.

Já com a entrada de Endrick, as movimentações ficam mais restritas para trás. O jogador se movimenta muito no ataque, mas com menor preenchimento defensivo, o que reduz suas chances.

Neymar

foto de neymar pelo brasil

Instagram Neymar

O nome de Neymar surge na pauta para substituir Paquetá, mas é ainda mais difícil do que o próprio Endrick. Com todas as camisas que atuou, Neymar é um clássico ponta-esquerda.

A faixa de campo que atua é mais à frente que Paquetá e até no mesmo espaço que Vinícius Júnior. É até possível reorganizar o ataque para a entrada do camisa 10, sobretudo com recuo de Matheus Cunha e trocas de posição com Vini.

Porém, o que mais afasta o jogador é a parte física. Neymar atuou por apenas 14 minutos até aqui na Copa, e a grande valência de Paquetá é justamente a entrega defensiva.

Além de não poder ter o jogador pelos 90 minutos, não teria a mesma recomposição defensiva. Para a Copa de 2026, Neymar parece mais uma peça para certas situações específicas de jogo.

E qual será a decisão de Ancelotti?

Lucas Paquetá fará mais falta do que muita gente pensa, justamente pelas diferentes valências que entrega em campo. Apesar dos erros de passes, o jogador entrega boa recomposição defensiva.

O mais provável é a entrada de Danilo Santos, mas sem tanta liberdade como está acostumado. Por mais que Éderson corra por fora, parece ser mais treinado para o lugar de Guimarães.

Além disso, o treinador deve aguardar o adversário do confronto, que moldará a maneira que o Brasil pretende entrar em campo no confronto.

 

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