Corinthians não pode perder na Argentina: time só virou um mata-mata de Libertadores em casa

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Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Carla Leal, Revisora
Publicado ago 11, 2026 - Última atualização ago 21, 2026

O Corinthians começa mais uma batalha de mata-mata na Libertadores. E o primeiro jogo é muito mais importante do que parece.

Contra o Rosário Central, na Argentina, o Timão terá um dos confrontos mais difíceis para os brasileiros nas oitavas da Libertadores.

Mais do que Ángel Di María e cia., o Corinthians tem um fantasma histórico: perder fora de casa e voltar para São Paulo em desvantagem.

11 derrotas fora, apenas uma classificação

O retrospecto é difícil de ignorar.

Nas 11 eliminatórias em que perdeu o primeiro jogo como visitante, o Corinthians foi eliminado em 10 oportunidades. A única exceção aconteceu em 2000, contra o Rosario Central.

eliminações do corinthians

Fonte: OGol

Isso significa que o aproveitamento de classificação após uma derrota no primeiro jogo fora é de apenas 9,1%. E existe um dado ainda mais interessante quando olhamos para os segundos jogos.

O Corinthians venceu a partida de volta em 6 dos 11 confrontos. São seis vitórias em 11 partidas, um aproveitamento de 54,5%.

Mesmo assim, avançou em apenas uma dessas ocasiões.

O número mostra que o problema não é simplesmente a capacidade de reação.

O Corinthians frequentemente consegue vencer o segundo jogo. O problema é que, na maioria das vezes, o prejuízo criado na ida é grande demais para ser eliminado.

23 gols marcados e 35 sofridos

Os números de gols reforçam ainda mais esse cenário. Nas 11 eliminatórias que começou perdendo fora de casa, foram 22 partidas. Nesse recorte, o Corinthians marcou 23 gols e sofreu 35.

O saldo é de -12 gols. As médias ficam em:

EstatísticaMédia / Jogo
Gols marcados1,05
Gols sofridos1,59
Total de gols na partida (ambos os times)2,64

Mas a divisão entre os dois jogos é ainda mais reveladora. Nos 11 primeiros jogos, o Corinthians marcou apenas 6 gols e sofreu 22.

Isso representa:

EstatísticaMédia / Valor Total
Gols marcados por jogo0,55
Gols sofridos por jogo2,00
Saldo de gols-16

Na volta, porém, o cenário muda completamente. Nos outros 11 jogos (os jogos em casa), o Corinthians marcou 17 gols e sofreu 13.

A média passa para:

EstatísticaMédia / Valor Total
Gols marcados por jogo1,55
Gols sofridos por jogo1,18
Saldo de gols+4

Ou seja, o Corinthians melhora consideravelmente na segunda partida. O problema é o tamanho do buraco criado no primeiro jogo.

O padrão de 2010, 2018 e 2020

Três eliminações mostram perfeitamente como esse roteiro se repetiu. Em 2010, o Flamengo venceu o Corinthians por 1 a 0 no primeiro jogo. Na volta, o Timão ganhou por 2 a 1, mas acabou eliminado.

O roteiro voltou a acontecer em 2018. O Colo-Colo venceu por 1 a 0 no Chile. Na Neo Química Arena, o Corinthians venceu por 2 a 1.

Em 2020, contra o Guaraní, aconteceu praticamente a mesma coisa.

O time paraguaio venceu por 1 a 0 na ida, e o Corinthians ganhou por 2 a 1 em São Paulo.

Nos três casos:

  • derrota por 1 a 0 → vitória por 2 a 1 → eliminação.

O Corinthians marcou 6 gols nas três partidas de volta e sofreu 3, mas ainda assim ficou pelo caminho.

São exemplos perfeitos de como uma derrota mínima fora pode obrigar o time a fazer uma partida muito mais agressiva em casa, e ainda assim não ser suficiente.

Quando a derrota foi pesada demais

Em outras ocasiões, a situação foi ainda mais complicada.

Contra o River Plate, em 2006, o Corinthians perdeu por 3 a 2 fora e depois foi derrotado por 3 a 1 em casa. No agregado, 6 a 3 para o River Plate.

Contra o Guaraní, em 2015, a situação foi ainda pior: derrota por 2 a 0 no Paraguai e nova derrota por 1 a 0 em São Paulo. Agregado de 3 a 0.

E em 2025, contra o Barcelona de Guayaquil, o Corinthians perdeu por 3 a 0 no Equador. Na volta, venceu por 2 a 0, mas o resultado novamente não foi suficiente.

É mais uma evidência do padrão: mesmo quando consegue reagir em casa, o Corinthians muitas vezes precisa de uma margem de gols que o primeiro jogo tornou difícil de alcançar.

A exceção que aconteceu justamente contra o Rosario

É aqui que o confronto atual ganha uma camada histórica ainda mais interessante. Em 2000, Corinthians e Rosario Central se enfrentaram nas oitavas de final da Libertadores.

O primeiro jogo foi na Argentina. O Rosario venceu por 3 a 2. Parecia mais um capítulo da história de derrotas fora que terminavam em eliminação.

Mas o Corinthians fez justamente aquilo que precisava fazer. Na volta, venceu por 3 a 2. O agregado terminou em 5 a 5. A classificação foi decidida nos pênaltis, com vitória do Corinthians por 4×3.

Portanto, aquele confronto representa sozinho a única classificação corintiana entre os 11 mata-matas em que o clube perdeu o primeiro jogo fora.

A taxa de sobrevivência foi de apenas 9,1%. E o Rosario Central foi responsável por essa única exceção.

Quando o Corinthians não perde fora, a história muda

Se as derrotas no primeiro jogo fora ajudam a explicar o tamanho do desafio, o outro lado do retrospecto mostra um caminho bem mais favorável para o Corinthians.

Nos mata-matas da Libertadores em que fez a primeira partida fora de casa e conseguiu evitar a derrota, o Timão tem um retrospecto impressionante: são oito confrontos e oito classificações.

E não foi necessário vencer todos. Em metade dessas séries, o Corinthians saiu da casa do adversário com um empate e, mesmo assim, conseguiu avançar.

Os oito casos foram:

AnoAdversárioIda (Fora)Volta (Casa)
1996EspoliVitória (3 x 1)Vitória (2 x 0)
1999Jorge WilstermannEmpate (1 x 1)Vitória (5 x 2)
2000Atlético-MGEmpate (1 x 1)Vitória (2 x 1)
2012EmelecEmpate (0 x 0)Vitória (3 x 0)
2012VascoEmpate (0 x 0)Vitória (1 x 0)
2012SantosVitória (1 x 0)Empate (1 x 1)
2012Boca JuniorsEmpate (1 x 1)Vitória (2 x 0)
2025UCVEmpate (1 x 1)Vitória (3 x 2)

O empate fora também pode ser suficiente

Das oito classificações, quatro começaram com um empate como visitante: Jorge Wilstermann, Atlético-MG, Emelec e Vasco.

Ou seja, o Corinthians não precisou necessariamente construir uma vantagem fora de casa. Em todos esses casos, bastou voltar para São Paulo com a eliminatória equilibrada.

Isso reforça uma diferença importante em relação aos confrontos em que o Timão perdeu fora.

Quando sai derrotado, precisa obrigatoriamente buscar a reversão na segunda partida. Quando empata, mantém o confronto sob controle e pode decidir a classificação diante da própria torcida.

2012 é o melhor exemplo

A campanha do título da Libertadores é praticamente um resumo dessa lógica.

Nos quatro mata-matas daquele ano, o Corinthians fez o primeiro jogo fora de casa e não perdeu nenhuma vez:

ConfrontoJogo de Ida (Fora)Jogo de Volta (Casa)
EmelecEmelec 0 x 0 CorinthiansCorinthians 3 x 0 Emelec
VascoVasco 0 x 0 CorinthiansCorinthians 1 x 0 Vasco
SantosSantos 0 x 1 CorinthiansCorinthians 1 x 1 Santos
Boca JuniorsBoca Juniors 1 x 1 CorinthiansCorinthians 2 x 0 Boca Juniors

Foram duas vitórias e dois empates como visitante. E quatro classificações.

O Corinthians não precisou transformar nenhum dos quatro segundos jogos em uma remontada. Em todos eles, chegou a São Paulo com a eliminatória equilibrada ou com vantagem.

A diferença entre os dois cenários

corinthians diferença cenários É aqui que os números ficam mais fortes.

  • Quando perdeu o primeiro jogo fora nos 11 mata-matas analisados, o Corinthians conseguiu se classificar apenas uma vez.
  • Quando não perdeu, avançou em todas as oito oportunidades.

Em números:

  • Derrota fora: 1 classificação em 11 → 9,1%;
  • Empate ou vitória fora: 8 classificações em 8 → 100%.

É uma diferença enorme e ajuda a explicar por que o primeiro jogo em Rosario pode ser tão importante.

O Corinthians não necessariamente precisa vencer na Argentina.

O histórico mostra que o principal objetivo deveria ser evitar que a decisão em São Paulo comece com o time precisando correr atrás do prejuízo.

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