Como Cabo Verde virou a maior surpresa da Copa do Mundo

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Escrito por: Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Carla Leal, Revisora
Publicado jun 22, 2026 - Última atualização jun 22, 2026 3
foto da seleção de cabo verde

REUTERS/Marco Bello

Antes do começo de junho, imaginava-se Turquia, Equador e outras seleções como candidatas à zebra da Copa do Mundo de 2026.

Porém, a maior surpresa até aqui é de Cabo Verde, estrante em Copa do Mundo que está fugindo totalmente do padrão para uma seleção de baixa expressão.

Em dois jogos e enfrentando duas campeãs do mundo, a Seleção de Cabo Verde ainda não perdeu! Empatou com a Espanha em 0x0 e com o Uruguai em 2×2.

E a pergunta que fica é: o que Cabo Verde tem feito para ser a grande sensação da Copa?

Resistência sob pressão na estreia

No primeiro jogo, contra a Espanha, o cenário foi de pressão constante.

Segundo o Sofascore, Cabo Verde correu 106,1 km ao longo da partida, finalizou 6 vezes, acertou 1 chute no gol, teve 2 chutes bloqueados e 2 dentro da área, além de conquistar 1 escanteio e cometer apenas 1 falta.

No total, a equipe trocou 278 passes, com 205 certos, e conseguiu 10 desarmes, 15 interceptações, 49 recuperações de bola e 46 cortes.

Mesmo sob enorme pressão, resistiu a uma Espanha dominante: 27 finalizações no total, sendo 7 no alvo, 1 na trave, 12 próximas do gol e 15 dentro da área.

A superioridade espanhola também apareceu no controle territorial: 51 ações com a bola dentro da área adversária contra apenas 6 de Cabo Verde, além de 388 passes no terço final contra 16 e 84 entradas no último terço contra 26.

Ainda assim, Cabo Verde sustentou competitividade nos duelos, com 50% de aproveitamento geral, 60% nos duelos no chão e 32% nos aéreos.

Defensivamente, o volume impressiona: 18 desarmes, 15 interceptações, 49 recuperações e 46 cortes. O goleiro Vozinha foi decisivo, com 7 defesas, 2 grandes intervenções e 1,45 gols evitados.

Esforço físico e organização defensiva

O desempenho também aparece no físico. Diney correu 9,6 km, com velocidade máxima de 28 km/h e 18 ações defensivas.

Pico fez 9,4 km, chegando a 31,6 km/h. Kevin Lenini e Steven Moreira completaram 10,2 km cada, com múltiplos sprints.

O padrão é claro: Cabo Verde aceita correr o jogo inteiro sem perder organização.

foto das stats de cabo verde x espanha

A competitividade com menos posse no segundo jogo

Contra o Uruguai, o cenário mudou, mas o padrão se manteve. A posse foi uruguaia (65% contra 35%), com 511 passes a 278, mas o jogo terminou empatado em 2 a 2.

Cabo Verde finalizou 12 vezes, acertou 4 no gol, teve 4 chutes bloqueados e 4 escanteios. Dentro da área, chegou a 10 ações ofensivas, contra 9 do Uruguai.

Na construção, teve 31 entradas no terço final contra 74 do Uruguai e 34 ações na área adversária contra 10 dos uruguaios. Mesmo com menos posse, conseguiu ser vertical e eficiente em momentos-chave.

Defesa novamente como base do jogo

Mais uma vez, o setor defensivo sustentou o resultado. Cabo Verde teve 16 desarmes, 13 interceptações, 43 recuperações e 48 cortes. Nos duelos, manteve 59% de aproveitamento no chão.

Além disso, não cometeu erros que resultaram em gol, enquanto o Uruguai teve 2. Em perdas de bola, também mostrou controle: apenas 11.

foto de stats cabo verde x uruguai

Números gerais da Copa

No total, Cabo Verde soma:

  • 2 jogos
  • 2 gols marcados e 2 sofridos
  • 18 finalizações (5 no gol, 5 dentro da área, 13 de fora)
  • 599 passes (445 certos)
  • 5 escanteios
  • 25 bolas paradas ofensivas
  • 631 pressões defensivas
  • 93 erros forçados no adversário
  • 0 assistências

A montagem inteligente do elenco de Cabo Verde

O sucesso de Cabo Verde não é por acaso, mas sim é o resultado de um projeto que mistura experiência, jogadores espalhados por ligas europeais e uma clara identidade tática.

Por mais que só tenha mais de 500 mil habitantes, o país conseguiu realizar uma diáspora enorme, com jogadores nascidos ou formados em países como Portugal, Holanda, França e Bélgica.

E esses jogadores optaram por defender a equipe cabo-verdiana, permitindo que o treinador Pedro Leitão Brito montasse um elenco com jogadores vividos no futebol europeu.

Chamado de “Bubista”, o comandante consegue ter peças para trocar passes com confiança, pressionar alto em diferentes momentos e competir fisicamente.

A classificação para a Copa já foi um aviso

Antes mesmo do começo da Copa, a Seleção de Cabo Verde já mostrava o que podia fazer. Terminando em primeiro lugar nas eliminatórias, deixou a Seleção de Camarões de fora.

Ao todo, venceu cinco jogos consecutivos. Assim, não conquistou a vaga na sorte, mas sim a construiu ao longo de meses e contra adversários mais fortes.

Um elenco que joga junto há anos

Talvez o principal diferencial seja a continuidade.

Enquanto muitas seleções menores dependem de uma geração específica, Cabo Verde mantém uma base que vem atuando junta há um bom tempo.

Jogadores como Ryan Mendes, Vozinha, Kevin Pina, Jamiro Monteiro, Steven Moreira e Roberto Lopes conhecem profundamente os mecanismos da equipe.

Inclusive, o grande líder da geração é Ryan Mendes, como figura central da equipe, sendo o maior artilheiro aos 36 anos de idade.

Ganhando seguidores no Brasil, o goleiro Vozinha fez bons jogos, já aos 40 anos de idade. O goleiro já defende a Seleção há mais de uma década.

Além disso, Kevin Pina, Jamiro Monteiro e Deroy Duarte são fundamentais para manter o time competitivo.

Por fim, o trabalho do treinador Bubista é fundamental. Sob o comando do time desde 2020, consegue fazer a equipe jogar como quer.

O que mais impressiona: Cabo Verde não apenas se defende

Muitas seleções pequenas conseguem um resultado surpreendente estacionando um ônibus na frente da área. Cabo Verde não.

Contra a Espanha, resistiu com organização. Contra o Uruguai, saiu na frente, voltou a buscar o empate e criou problemas reais para uma seleção recheada de jogadores de elite.

Essa talvez seja a principal razão pela qual o mundo está prestando atenção: Cabo Verde não parece satisfeito em participar da Copa. Parece acreditar que pertence ao campeonato.

E, depois de dois jogos, está cada vez mais difícil dizer o contrário.

O padrão que os números mostram

O que os dados deixam claro é um padrão consistente: Cabo Verde joga com menos posse, menos passes e menos controle territorial, mas compensa com organização defensiva, intensidade física e eficiência nos momentos de ataque.

Mesmo sendo inferior em volume contra Espanha e Uruguai, a seleção consegue equilibrar duelos, reduzir erros e sobreviver a ataques muito mais intensos. O resultado não parece acaso, parece modelo de jogo.

A sensação é de uma equipe que não está apenas reagindo à Copa, mas competindo de forma estruturada dentro das suas limitações.

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Fórum sobre “Como Cabo Verde virou a maior surpresa da Copa do Mundo”

  • Liv diz:

    Que seleção incrível! Sorriso no rosto e Vozinha impecável! Feliz demais por eles, e Vozinha fez mais história ainda! Quero mais!

    23/06/2026 at 1:22 pm Responder
  • Mah diz:

    É muito bonito ver a comemoração deles, seja qual for o resultado, estão sempre agradecendo! Essa é a essência da Copa!

    23/06/2026 at 2:45 pm Responder
  • Marce diz:

    Tirando os do Brasil, os jogos de Cabo Verde foram os que eu mais torci! Vozinha é sensacional!

    23/06/2026 at 5:05 pm Responder

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