7 jogos, 7 empates: a Libertadores travou ou os ataques é que falharam?

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Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado ago 14, 2026 - Última atualização ago 21, 2026

As oitavas de final da Libertadores começaram com um roteiro completamente fora do comum. Nos sete jogos realizados até aqui —Tolima x Indep. del Valle foi adiado  — nenhuma equipe conseguiu vencer.

Foram quatro empates por 1 a 1 e três partidas terminadas em 0 a 0. O resultado é uma rodada com apenas 10 gols em 7 partidas.

foto dos jogos da libertadores

Mas existe uma segunda história escondida nas estatísticas: os jogos não foram necessariamente pobres em oportunidades.

Somadas, as sete partidas tiveram 179 finalizações, 45 delas no alvo, 24 grandes chances e 12,75 de xG. Isso representa uma média de 25,6 chutes, 6,4 finalizações no gol e 1,82 xG por partida.

O problema parece ter sido menos a criação e mais a capacidade de transformar as oportunidades em gols.

Os números das sete partidas

estatísticas dos jogos

Fonte: Sofascore

O dado mais impressionante, entretanto, não é necessariamente a quantidade de gols. É a ausência completa de vencedores.

O contraste entre xG e gols

PartidaxG totalGols
Fluminense x Rivadavia1,650
Estudiantes x Católica1,622
Platense x Coquimbo2,342
Palmeiras x Cerro1,992
Cruzeiro x Flamengo1,682
Mirassol x LDU2,612
Rosario x Corinthians0,860

Sete jogos, nenhuma vitória

Desde que a Libertadores adotou o atual formato, uma rodada de mata-mata com sete partidas terminar todas empatadas é um acontecimento extremamente incomum.

E os resultados foram praticamente padronizados. Cinco dos sete jogos terminaram em 1 a 1.

Isso significa que 71,4% das partidas tiveram exatamente o mesmo placar. Os outros dois confrontos terminaram em 0 a 0.

Na prática, nenhuma das equipes conseguiu sair da primeira partida com vantagem no confronto.

Isso deixa todas as sete eliminatórias abertas para a volta, embora os números de desempenho mostrem que alguns times tiveram motivos para sair mais satisfeitos do que outros.

12,75 xG para 10 gols

Outro número importante aparece quando comparamos a produção ofensiva com os gols efetivamente marcados. Os sete jogos registraram 12,75 de xG e 10 gols.

Isso significa que foram marcados 78,4% dos gols esperados pelo modelo. A diferença foi de 2,75 gols.

Não é correto interpretar isso como se os times simplesmente tivessem “desperdiçado 21,6% das chances”. O xG é uma estimativa da probabilidade de uma finalização resultar em gol, e não uma previsão exata do placar.

Ainda assim, a diferença ajuda a mostrar que a rodada teve uma combinação curiosa: produção ofensiva razoável, mas poucos gols e, principalmente, nenhuma vantagem construída.

A média de 1,82 xG por partida está bem acima dos 1,43 gol por jogo efetivamente registrados.

Nem todo empate foi equilibrado

É justamente aqui que a análise fica mais interessante. O fato de sete jogos terem terminado empatados não significa que os sete confrontos tenham sido equilibrados.

Em vários deles, uma equipe criou consideravelmente mais perigo do que a outra.

estatisticas de palmeiras

Fonte: Sofascore

O Palmeiras, por exemplo, terminou seu confronto com 21 finalizações contra oito do Cerro Porteño, além de sete chutes no alvo contra apenas um.

No xG, a vantagem também foi enorme: 1,76 a 0,23. Mesmo assim, o jogo terminou 1 a 1.

O Estudiantes apresentou um domínio ainda mais evidente em determinados indicadores. Foram 17 finalizações contra quatro da Universidad Católica e cinco chutes no alvo contra apenas um.

foto de estudiantes x católica

Fonte: Sofascore

O xG também mostrou uma diferença enorme: 1,53 contra 0,09. Mais uma vez, porém, o resultado foi empate.

A LDU teve seis grandes chances

Mirassol x LDU é outro exemplo.

estatísticas ldu x mirassol

Fonte: Sofascore

A partida terminou 1 a 1, mas a equipe equatoriana produziu 1,87 xG, contra 0,74 do adversário. Além disso, criou nada menos que seis grandes chances.

A LDU desperdiçou cinco delas, finalizou 14 vezes, acertou a meta em quatro oportunidades e ainda acertou a trave duas vezes.

É um caso em que olhar apenas para o placar poderia levar à conclusão de que as equipes foram muito equilibradas. Os números contam uma história diferente.

Nem todos os jogos tiveram muita criação

Alguns confrontos realmente apresentaram pouca produção. Rosario Central x Corinthians foi o principal exemplo.

foto de corinthians x rosario

Fonte: Sofascore

O jogo terminou 0 a 0 com apenas 0,86 xG somado, o menor número entre os sete confrontos.

Foram 21 finalizações, mas somente três acertaram o alvo.

O Rosario teve 16 chutes contra cinco do Corinthians, mas cada equipe terminou com apenas 0,43 xG.

Nesse caso, o 0 a 0 refletiu muito melhor aquilo que aconteceu em campo.

Fluminense x Independiente Rivadavia apresentou um cenário diferente.

estatísticas de fluminense

Fonte: Sofascore

O Fluminense teve 17 finalizações e 1,19 xG, além de 30 ações com a bola dentro da área adversária. Entretanto, apenas três de suas finalizações foram no alvo.

Ou seja, houve volume, mas pouca precisão.

Volume não significa gol

Os 179 chutes realizados nos sete jogos também ajudam a entender o paradoxo da rodada. Foram, em média, 25,6 finalizações por partida.

Mas somente 45 acertaram o alvo. Isso significa que 25,1% das finalizações foram na direção da meta.

Ao mesmo tempo, os 10 gols representam uma conversão de aproximadamente 5,6% de todas as finalizações.

É importante não confundir essa taxa com uma taxa tradicional de conversão de chances, já que ela inclui todos os tipos de chutes — bloqueados, para fora, de longa distância e outras situações.

Mesmo assim, o número ilustra bem o contraste entre volume de finalizações e produção no placar.

Então as oitavas começaram mal?

A resposta não é tão simples. Se olharmos apenas para os resultados, é difícil encontrar uma rodada mais peculiar: sete jogos, sete empates, nenhuma vitória e cinco partidas terminadas em 1 a 1.

A média de 1,43 gol por jogo também é baixa. Mas os números de criação impedem uma conclusão mais simplista de que todos os jogos foram ruins.

Foram 179 finalizações, 45 no alvo, 24 grandes chances e 12,75 xG.

Alguns confrontos realmente tiveram pouca produção. Outros, porém, apresentaram domínio claro de uma equipe, chances desperdiçadas e volume ofensivo suficiente para produzir placares diferentes.

Talvez a melhor definição para essa primeira parte das oitavas seja, portanto, outra:

  • uma rodada de equilíbrio extremo nos resultados, mas nem sempre no desempenho.

O placar foi praticamente o mesmo em todos os jogos: empate.

Os números, porém, mostram que as histórias dentro de campo foram bem diferentes.

E há uma consequência direta disso para a volta: nenhuma equipe conseguiu construir vantagem.

As sete eliminatórias chegam aos segundos jogos completamente abertas.

A Libertadores começou as oitavas sem vencedores, mas também sem uma resposta definitiva sobre quem realmente está em vantagem.

Qual brasileiro terá o adversário mais difícil nas oitavas da Libertadores?

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