A Nova Academia do Palmeiras já movimentou quase € 300 milhões, mas o que aconteceu com os jogadores depois da saída?

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Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Ricardo Crêspo, Editor-chefe
Publicado ago 26, 2026 - Última atualização ago 26, 2026

Durante muitos anos, revelar um grande jogador era uma das principais formas de o Palmeiras reforçar o próprio elenco e, eventualmente, fazer caixa.

Hoje, porém, a história mudou de escala.

A partir de 2020, a base palmeirense passou a produzir uma sequência de jogadores vendidos por valores milionários ao futebol europeu.

Endrick, Estêvão, Vitor Reis, Luís Guilherme, Danilo, Kevin e outros nomes transformaram a chamada Nova Academia em uma das principais fontes de receita do clube.

No recorte analisado, 10 jogadores negociados a partir de 2020 movimentaram € 260,6 milhões em transferências.

foto das transações do palmeiras

Fonte: Transfermarkt

Para efeito de comparação, quatro nomes negociados antes de 2020 — Allan, Gabriel Jesus, Luan Cândido e Vitão — somam € 84 milhões.

Ou seja: no grupo analisado, mais de 75% do dinheiro gerado pelas vendas veio da geração da Nova Academia.

Mas existe uma outra pergunta tão interessante quanto o tamanho dos negócios: o que esses jogadores fizeram depois que deixaram o Palmeiras?

Antes da Nova Academia, Gabriel Jesus abriu o caminho

Antes da atual geração, Gabriel Jesus foi o principal exemplo de uma revelação palmeirense capaz de transformar uma grande venda em uma carreira de alto nível na Europa.

foto de gabriel jesus pelo arsenal

Instagram Gabriel Jesus

O atacante deixou o Palmeiras em 2017, aos 19 anos, em uma negociação de € 32 milhões com o Manchester City.

Na Inglaterra, a evolução foi imediata. Entre 2016/17 e 2021/22, Jesus acumulou temporadas com grande volume de partidas, gols e assistências pelo clube inglês antes de se transferir para o Arsenal por € 52 milhões em 2022.

Somente no período listado, foram 236 partidas pelo City, mais de 13 mil minutos e 85 gols, com muitas aparições na Premier League.

Gabriel Jesus, portanto, pode ser visto como uma espécie de precursor da Nova Academia.

O que era uma grande exceção começou a virar uma sequência.

A partir de 2020, o Palmeiras mudou de patamar

A diferença fica clara quando se olha para os principais negócios realizados a partir de 2020.

A Nova Academia deixou de produzir apenas uma grande venda de tempos em tempos e passou a colocar vários jogadores no mercado internacional por cifras cada vez mais altas.

No levantamento, são € 260,6 milhões em 10 jogadores.

A média chega a aproximadamente € 26,1 milhões por atleta.

Endrick: € 72 milhões aos 18 anos

Segundo o GE, Endrick lidera a lista com aproximadamente 72 milhões de euros.

foto de endrick pelo real

Instagram Endrick

Vendido em 2024, aos 18 anos, o atacante foi negociado com o Real Madrid por um valor que pode chegar a € 72 milhões com as variáveis.

Depois da chegada à Europa, passou por um período de adaptação ao futebol espanhol e, posteriormente, ganhou minutos também pelo Lyon.

Em 2025/26, somou 24 partidas, 1.730 minutos, oito gols e oito assistências entre Lyon e Real Madrid.

A negociação mostra uma das principais características da nova geração palmeirense: jogadores cada vez mais jovens chegando ao mercado europeu já com avaliações financeiras muito elevadas.

Estêvão: € 61,5 milhões e impacto no Chelsea

Estêvão aparece logo atrás.

foto de estevao pelo chelsea

Instagram Estêvão

O Palmeiras negociou o atacante com o Chelsea por € 45 milhões fixos, além de € 16,5 milhões em variáveis.

Em sua primeira temporada, foram 36 jogos, 1.682 minutos, oito gols e três assistências.

Na Champions League, marcou três vezes em sete partidas.

Mais do que o valor da venda, chama atenção a rapidez com que o atacante passou a ter participação em um dos principais clubes da Inglaterra.

Vitor Reis: pouco espaço no City, muitos minutos na Espanha

Vitor Reis foi vendido ao Manchester City por € 37 milhões.

foto de vitor reis pelo girona

Instagram Vitor Reis

O início na Inglaterra teve poucos minutos, mas o zagueiro encontrou espaço no Girona.

Em 2025/26, disputou 38 jogos, acumulou 3.287 minutos e participou de 36 partidas de La Liga.

O caso mostra que uma transferência de alto valor não significa necessariamente titularidade imediata no clube comprador.

Ainda assim, a sequência de minutos na Espanha indica que o jogador continuou sendo desenvolvido em um ambiente competitivo.

A Nova Academia tem uma grande variedade de nomes

Não é só na faixa acima dos 30 milhões de euros que o Palmeiras se destaca.

Luís Guilherme deixou o Palmeiras em 2024 por € 23 milhões e, depois de uma passagem pelo West Ham, foi negociado com o Sporting.

foto de danilo santos pelo forest

Instagram Danilo

Danilo foi vendido ao Nottingham Forest por € 20 milhões e posteriormente retornou ao futebol brasileiro em uma transferência de € 23 milhões para o Botafogo.

Em 2026, já soma 27 jogos, 2.101 minutos, nove gols e duas assistências.

Kevin foi vendido ao Shakhtar Donetsk por € 14,8 milhões e, posteriormente, transferido ao Fulham por € 40 milhões.

Em sua passagem pelo clube ucraniano, chegou a disputar 35 jogos em 2024/25, com nove gols e quatro assistências.

Giovani, Gabriel Veron e Patrick de Paula completam a geração

Giovani saiu por € 9 milhões rumo ao Al Sadd e acumulou mais de 3 mil minutos nas duas temporadas apresentadas pelo clube do Catar.

Gabriel Veron, negociado com o Porto por € 10,3 milhões, teve passagens posteriores por Cruzeiro, Santos, Juventude e Nacional, de Portugal.

Patrick de Paula deixou o clube por € 6 milhões para o Botafogo e depois passou por Estoril e Remo.

Vanderlan completa o grupo considerado na análise, com venda registrada de € 7 milhões.

O que aconteceu depois das vendas?

Uma base forte não pode ser avaliada apenas pela quantidade de dinheiro que gera.

Também é preciso observar o que os jogadores fazem depois que deixam o clube.

Endrick e Estêvão já acumularam participação em grandes clubes europeus, minutos em competições importantes e, em diferentes momentos, presença em seleções nacionais.

Nem todos seguem exatamente o mesmo caminho.

Vitor Reis, por exemplo, teve pouco espaço no Manchester City antes de encontrar uma sequência de jogos no Girona, mas ainda é muito jovem.

Outros, como Kevin e Danilo, mostram que a carreira depois da venda pode ganhar novos capítulos e até gerar novas transferências milionárias.

De uma grande exceção para uma sequência de negócios

Gabriel Jesus foi a grande exceção da geração anterior.

A Nova Academia transformou essa exceção em um padrão muito mais frequente.

O Palmeiras passou a vender jogadores mais jovens, por valores maiores e para mercados cada vez mais competitivos.

E, em muitos casos, esses jogadores continuam gerando valor depois da saída.

É por isso que a Nova Academia não pode ser vista apenas como uma fábrica de transferências milionárias.

Ela está se tornando uma máquina de produzir ativos capazes de sair do Palmeiras, chegar ao futebol internacional e continuar valorizados depois da venda.

A grande mudança talvez esteja justamente aí. O Palmeiras não está apenas vendendo mais caro, mas também transformando a base em um negócio recorrente.

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