O que a Argentina tem de tão especial nesta Copa?

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Escrito por: Gabriel Gonçalves, Redator senior | Revisado por: Carla Leal, Revisora
Publicado jul 08, 2026 - Última atualização jul 08, 2026 0
foto da seleção argentina na copa

AFA

A Argentina venceu o Egito por 3×2 e avançou às quartas da Copa do Mundo após sofrer um revés de 2×0 ao longo do jogo.

Essa retomada argentina virou pauta no Brasil, sobretudo em comparação com a derrota brasileira para a Noruega na mesma fase, sobretudo com a valorização da “raça” entregue pelos jogadores argentinos.

Mas será que é só a “vontade” que trouxe a Argentina até aqui?

Independentemente de qualquer resposta, vontade e raça são conceitos abstratos. Vejamos os números da Argentina que ajudam a entender o desempenho do time de Lionel Messi.

1. Ataque mais eficiente da Copa

foto das stats de gols da argentina

Fontes: FIFA e Sofascore

A Argentina marcou 14 gols em apenas cinco jogos (2,8 por partida), com 19% de conversão das finalizações, um índice bastante alto.

O mais interessante é a variedade:

  • 10 gols dentro da área;
  • 3 de fora;
  • 2 cobranças de falta;
  • 1 pênalti;
  • 9 gols de pé esquerdo, 2 de direito e 2 de cabeça.

Ou seja, não depende de um único tipo de jogada. Isso faz toda a diferença em um campeonato tão curto como a Copa do Mundo.

2. A Argentina machuca o adversário em qualquer momento do jogo

Além da eficiência ofensiva, existe um padrão que ajuda a explicar a campanha: a Argentina consegue decidir partidas tanto no início quanto nos momentos mais críticos.

Em quatro dos cinco jogos, abriu o placar ainda no primeiro tempo:

  • Messi marcou aos 17 minutos contra a Argélia, Lo Celso fez aos 19 diante da Jordânia, o próprio Messi abriu o caminho aos 29 frente a Cabo Verde e voltou a balançar as redes aos 38 contra a Áustria.

Mas o que mais impressiona acontece nos minutos finais.

Oito dos 14 gols argentinos saíram a partir dos 60 minutos, sendo quatro deles já nos acréscimos ou na prorrogação.

Messi marcou aos 90+5 contra a Áustria, Lautaro Martínez empatou aos 92 diante de Cabo Verde, Diney Contra garantiu a classificação aos 111 minutos da prorrogação e, contra o Egito, a reação começou apenas aos 79 minutos, com Cristian Romero, antes de Messi empatar aos 83 e Enzo Fernández virar aos 90+2.

Isso mostra uma seleção capaz de acelerar no começo das partidas, mas que mantém intensidade física e mental até o último minuto, ainda que tenha terminado exausta na partida contra o Egito. 

3. Controle absoluto da bola

Poucas equipes conseguem controlar tanto o jogo.

A Argentina tem:

  • 60,6% de posse;
  • 611 passes certos por partida;
  • 90,7% de aproveitamento dos passes;
  • 325 passes certos por jogo já no campo ofensivo.

O dado mostra uma equipe que não apenas troca passes atrás, mas consegue instalar o jogo no campo adversário.

leandro paredes decisivo pela seleção argentina

Instagram Leandro Paredes

Leandro Paredes simboliza isso:

  • 95% de acerto nos passes;
  • quase 79 passes certos por jogo;
  • 48 passes certos por partida já no campo ofensivo.

4. Pressão constante

Mesmo sendo uma seleção técnica, ela não joga esperando. Pelo contrário, a Argentina pressiona o adversário:

São:

  • 1.180 pressões defensivas;
  • 219 erros forçados no adversário;
  • 893 penetrações ofensivas concluídas.

A Argentina sufoca o rival antes mesmo de recuperar a bola. Essa é a métrica mais próxima da “vontade” percebida em campo. 

5. Messi ainda decide tudo

É impossível falar dessa campanha sem destacar a atuação de Lionel Messi. O jogador parece ter se preparado especialmente para o Mundial.

foto de lionel messi pela argentina

Instagram Lionel Messi

Os números impressionam:

  • 8 gols;
  • 1 assistência;
  • 6 grandes chances criadas;
  • 3,2 passes decisivos por jogo;
  • 5,8 finalizações por partida.

Mas o impacto vai além. Messi já bateu alguns recordes:

  • tornou-se o maior artilheiro da história das Copas;
  • marcou em nove partidas consecutivas no Mundial;
  • fez gols em seis jogos seguidos de mata-mata;
  • tornou-se o primeiro jogador da história a disputar seis Copas (empatando com Ochoa e com Cristiano Ronaldo).

É uma campanha histórica mesmo para os padrões de um dos maiores jogadores da história, e que briga direto com Mbappé pela artilharia histórica do torneio.

6. Defesa quase impecável

Apesar dos cinco gols sofridos, o contexto argentino precisa ser analisado.

A equipe:

  • não cometeu nenhum pênalti;
  • não teve nenhum cartão vermelho;
  • não sofreu gols em dois jogos;
  • não cometeu nenhum erro que terminou em gol.

Além disso:

  • 20,8 desarmes por jogo;
  • 44,8 recuperações;
  • apenas 0,8 defesa exigida do goleiro por partida.

Isso mostra como a posse de bola também serve para defender. A Argentina fica em cima para proteger a defesa, sabendo das suas carências e investindo na parte do campo onde é melhor que os adversários.

7. Vence de maneiras diferentes

Talvez esse seja o principal diferencial.

A Argentina já:

  • goleou (3 a 0 na estreia);
  • controlou jogos com tranquilidade;
  • venceu sem Messi como titular;
  • sobreviveu à prorrogação contra Cabo Verde;
  • buscou uma virada histórica diante do Egito após estar perdendo por 2 a 0.

Contra o Egito, chegou aos 78 minutos dois gols atrás e tinha apenas 0,6% de probabilidade de vitória, segundo a Opta. Ainda assim venceu por 3 a 2.

Essa resiliência costuma separar candidatos ao título de equipes apenas talentosas.

O grande segredo da Argentina

Os números mostram que a Argentina praticamente não possui um ponto fraco evidente.

Ela reúne:

  • um dos melhores ataques da Copa;
  • enorme controle da posse;
  • pressão alta eficiente;
  • uma defesa extremamente segura;
  • profundidade no elenco;
  • um elenco que mantém o nível durante os 90 minutos;
  • e um Messi vivendo mais um torneio histórico.

Por isso, mesmo quando não faz sua melhor atuação, continua encontrando maneiras de vencer.

Esse equilíbrio entre qualidade técnica, experiência, intensidade e poder de decisão faz da atual campeã mundial uma das equipes mais completas da Copa de 2026.

Não à toa, é uma das favoritas para o título da Copa do Mundo de 2026, com 17.28% de chance de título para a Opta.

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