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A Argentina venceu o Egito por 3×2 e avançou às quartas da Copa do Mundo após sofrer um revés de 2×0 ao longo do jogo.
Essa retomada argentina virou pauta no Brasil, sobretudo em comparação com a derrota brasileira para a Noruega na mesma fase, sobretudo com a valorização da “raça” entregue pelos jogadores argentinos.
Mas será que é só a “vontade” que trouxe a Argentina até aqui?
Independentemente de qualquer resposta, vontade e raça são conceitos abstratos. Vejamos os números da Argentina que ajudam a entender o desempenho do time de Lionel Messi.
1. Ataque mais eficiente da Copa
Fontes: FIFA e Sofascore
A Argentina marcou 14 gols em apenas cinco jogos (2,8 por partida), com 19% de conversão das finalizações, um índice bastante alto.
O mais interessante é a variedade:
- 10 gols dentro da área;
- 3 de fora;
- 2 cobranças de falta;
- 1 pênalti;
- 9 gols de pé esquerdo, 2 de direito e 2 de cabeça.
Ou seja, não depende de um único tipo de jogada. Isso faz toda a diferença em um campeonato tão curto como a Copa do Mundo.
2. A Argentina machuca o adversário em qualquer momento do jogo
Além da eficiência ofensiva, existe um padrão que ajuda a explicar a campanha: a Argentina consegue decidir partidas tanto no início quanto nos momentos mais críticos.
Em quatro dos cinco jogos, abriu o placar ainda no primeiro tempo:
- Messi marcou aos 17 minutos contra a Argélia, Lo Celso fez aos 19 diante da Jordânia, o próprio Messi abriu o caminho aos 29 frente a Cabo Verde e voltou a balançar as redes aos 38 contra a Áustria.
Mas o que mais impressiona acontece nos minutos finais.
Oito dos 14 gols argentinos saíram a partir dos 60 minutos, sendo quatro deles já nos acréscimos ou na prorrogação.
Messi marcou aos 90+5 contra a Áustria, Lautaro Martínez empatou aos 92 diante de Cabo Verde, Diney Contra garantiu a classificação aos 111 minutos da prorrogação e, contra o Egito, a reação começou apenas aos 79 minutos, com Cristian Romero, antes de Messi empatar aos 83 e Enzo Fernández virar aos 90+2.
Isso mostra uma seleção capaz de acelerar no começo das partidas, mas que mantém intensidade física e mental até o último minuto, ainda que tenha terminado exausta na partida contra o Egito.
3. Controle absoluto da bola
Poucas equipes conseguem controlar tanto o jogo.
A Argentina tem:
- 60,6% de posse;
- 611 passes certos por partida;
- 90,7% de aproveitamento dos passes;
- 325 passes certos por jogo já no campo ofensivo.
O dado mostra uma equipe que não apenas troca passes atrás, mas consegue instalar o jogo no campo adversário.
Instagram Leandro Paredes
Leandro Paredes simboliza isso:
- 95% de acerto nos passes;
- quase 79 passes certos por jogo;
- 48 passes certos por partida já no campo ofensivo.
4. Pressão constante
Mesmo sendo uma seleção técnica, ela não joga esperando. Pelo contrário, a Argentina pressiona o adversário:
São:
- 1.180 pressões defensivas;
- 219 erros forçados no adversário;
- 893 penetrações ofensivas concluídas.
A Argentina sufoca o rival antes mesmo de recuperar a bola. Essa é a métrica mais próxima da “vontade” percebida em campo.
5. Messi ainda decide tudo
É impossível falar dessa campanha sem destacar a atuação de Lionel Messi. O jogador parece ter se preparado especialmente para o Mundial.
Instagram Lionel Messi
Os números impressionam:
- 8 gols;
- 1 assistência;
- 6 grandes chances criadas;
- 3,2 passes decisivos por jogo;
- 5,8 finalizações por partida.
Mas o impacto vai além. Messi já bateu alguns recordes:
- tornou-se o maior artilheiro da história das Copas;
- marcou em nove partidas consecutivas no Mundial;
- fez gols em seis jogos seguidos de mata-mata;
- tornou-se o primeiro jogador da história a disputar seis Copas (empatando com Ochoa e com Cristiano Ronaldo).
É uma campanha histórica mesmo para os padrões de um dos maiores jogadores da história, e que briga direto com Mbappé pela artilharia histórica do torneio.
6. Defesa quase impecável
Apesar dos cinco gols sofridos, o contexto argentino precisa ser analisado.
A equipe:
- não cometeu nenhum pênalti;
- não teve nenhum cartão vermelho;
- não sofreu gols em dois jogos;
- não cometeu nenhum erro que terminou em gol.
Além disso:
- 20,8 desarmes por jogo;
- 44,8 recuperações;
- apenas 0,8 defesa exigida do goleiro por partida.
Isso mostra como a posse de bola também serve para defender. A Argentina fica em cima para proteger a defesa, sabendo das suas carências e investindo na parte do campo onde é melhor que os adversários.
7. Vence de maneiras diferentes
Talvez esse seja o principal diferencial.
A Argentina já:
- goleou (3 a 0 na estreia);
- controlou jogos com tranquilidade;
- venceu sem Messi como titular;
- sobreviveu à prorrogação contra Cabo Verde;
- buscou uma virada histórica diante do Egito após estar perdendo por 2 a 0.
Contra o Egito, chegou aos 78 minutos dois gols atrás e tinha apenas 0,6% de probabilidade de vitória, segundo a Opta. Ainda assim venceu por 3 a 2.
Essa resiliência costuma separar candidatos ao título de equipes apenas talentosas.
O grande segredo da Argentina
Os números mostram que a Argentina praticamente não possui um ponto fraco evidente.
Ela reúne:
- um dos melhores ataques da Copa;
- enorme controle da posse;
- pressão alta eficiente;
- uma defesa extremamente segura;
- profundidade no elenco;
- um elenco que mantém o nível durante os 90 minutos;
- e um Messi vivendo mais um torneio histórico.
Por isso, mesmo quando não faz sua melhor atuação, continua encontrando maneiras de vencer.
Esse equilíbrio entre qualidade técnica, experiência, intensidade e poder de decisão faz da atual campeã mundial uma das equipes mais completas da Copa de 2026.
Não à toa, é uma das favoritas para o título da Copa do Mundo de 2026, com 17.28% de chance de título para a Opta.


